Fabricante está estudando o que fazer com o complexo e os trabalhadores que montavam Classe C e GLA

Inaugurada em 2016, a fábrica da Mercedes-Benz em Iracemápolis (SP) irá fechar as portas. A fabricante alemã anuncia que encerrou a produção de carros no complexo e que estuda as alternativas para os 370 empregados da linha de montagem. Com isso, a empresa volta a produzir somente caminhões e chassis de ônibus no Brasil, enquanto todos os seus carros serão importados.

"A situação econômica no Brasil tem sido difícil por muitos anos e se agravou devido à pandemia da Covid-19, causando uma queda significativa nas vendas de automóveis premium. Ao longo do nosso processo de transformação, continuamos a reestruturar a nossa rede de produção global. Aumentar nossa eficiência, otimizando a nossa capacidade de utilização é um facilitador importante", explica Jörg Burzer, membro da direotia da Mercedes-Benz.

"Por isso, decidimos encerrar a produção de automóveis premium no Brasil. Nosso primeiro objetivo agora é encontrar uma solução sustentável para os colaboradores dessa unidade, que contribuíram de forma decisiva para o sucesso da Mercedes-Benz no Brasil com seu comprometimento e expertise nos últimos anos", conclui o executivo.

Galeria: Fotos: um passeio pela fábrica da Mercedes-Benz em Iracemápolis (SP)

O fim da fábrica Mercedes em Iracemápolis já era esperado. O complexo foi desenvolvido com uma capacidade de produção anual de 20 mil unidades, mas nunca chegou nem perto disso. Em 2018, apenas dois anos depois da inauguração, a linha de montagem operava com 35% da capacidade total, quando o dólar já estava em um valor alto. Com a desvalorização da moeda desde então e com a pandemia, a situação se agravou ainda mais.

E não é de hoje que a Mercedes-Benz deixa claro seu arrependimento de ter investido R$ 600 milhões na fábrica. Entrevistas feitas em 2017 com Philip Schiemer, então presidente da marca no Brasil, mostravam o descontentamento e que a marca já pensava em fechar a fábrica caso ela não se sustentasse financeiramente. O investimento foi feito por conta das políticas nacionais na época, mas as vantagens foram encerradas com o fim do Inovar-Auto e o Rota 2030 levou um tempo para ser aprovado.

Recentemente, Ola Källenius, CEO da Daimler, deu uma entrevista ao Handelsblatt e indicaa o fim da unidade de Iracemápolis, ao declarar que o complexo estava "no limite econômico". A publicação diz que, internamente, a perda era aceitável porque é uma fábrica de volume pequeno, então o dano para a operação seria pequeno.

Nos últimos anos, a Mercedes até considerou produzir mais modelos além do Classe C e do GLA no país. Um dos candidatos foi o Classe A Sedan, o que ajudaria a renovar também o GLA para a nova geração, o que nunca aconteceu. E, como o GLA irá mudar em março e com a nova geração do Classe C em testes com alterações, os modelos produzidos no Brasil ficariam desatualizados.

A fabricante diz que os 370 trabalhadores da fábrica terão seu futuro definido em breve, com a possibilidade de um programa de demissão voluntária. A linha da Mercedes-Benz no Brasil não será impactada, com todos os modelos passando a ser importados, o que também não vai causar nenhum dano aos concessionários.

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