Motor1.com Podcast #318: VP da Leapmotor confirma REEV Flex e mais novidades
Em podcast, vice-presidente da Leapmotor detalha B10, fábrica com Stellantis e novos carros no Brasil
A Leapmotor deixou claro que sua operação brasileira está apenas no começo. Em entrevista ao Podcast do Motor1.com, Felipe Daemon, Vice-Presidente da Leapmotor América do Sul, detalhou os próximos passos da fabricante chinesa no país, falou sobre o lançamento do novo Leapmotor B10 e confirmou avanços importantes envolvendo produção local, expansão da rede e a chegada da tecnologia REEV Flex.
A conversa também ajuda a entender por que a Leapmotor se tornou uma das marcas chinesas mais observadas do mercado brasileiro. Diferentemente de rivais que ainda estruturam operação, rede e pós-venda, a fabricante atua em parceria com a Stellantis, grupo que reúne marcas como Fiat, Jeep, Peugeot, Citroën e Ram. Na prática, isso significa acesso imediato a conhecimento industrial, engenharia local e capilaridade comercial.
Leapmotor B10 - lançamento (BR)
B10 abre nova fase da marca
O segundo produto da Leapmotor no Brasil será o B10, SUV elétrico posicionado abaixo do Leapmotor C10. Segundo Daemon, o modelo chega com proposta agressiva de preço e forte apelo tecnológico, mirando justamente a faixa onde hoje atuam SUVs compactos turbo flex e elétricos de entrada.
Durante o podcast, o executivo reforçou que o B10 mostra como o mercado mudou rapidamente. Há poucos anos, seria improvável imaginar um SUV elétrico desse porte, recheado de tecnologia e competitivo em preço diante de modelos a combustão. Hoje, isso já é realidade.
Outro ponto destacado foi o acerto dinâmico do carro para o Brasil. A Leapmotor utiliza estrutura de engenharia da Stellantis no país para calibração de suspensão, rodagem e adaptação às condições locais. É um detalhe que pode parecer secundário na ficha técnica, mas costuma fazer enorme diferença na experiência real ao volante.
Teste Leapmotor C10 REEV (BR)
REEV Flex está confirmado
Um dos temas centrais da entrevista foi a tecnologia REEV, sigla para veículo elétrico de autonomia estendida. No sistema usado pela Leapmotor, o carro roda sempre com motor elétrico, enquanto o motor a combustão atua apenas como gerador de energia para recarregar a bateria.
Hoje, a marca já oferece essa solução no C10 REEV. Segundo Felipe Daemon, o próximo passo será ainda mais relevante para o mercado brasileiro: a chegada da versão Flex, capaz de operar com etanol e gasolina.
A combinação pode ser estratégica. O consumidor mantém experiência típica de carro elétrico, com silêncio e torque imediato, mas sem depender exclusivamente de infraestrutura de recarga. Ao mesmo tempo, adiciona a flexibilidade do etanol, combustível amplamente difundido no Brasil.
Produção local em Pernambuco
Outro ponto confirmado no podcast é a produção nacional de modelos Leapmotor em Pernambuco, dentro da estrutura industrial da Stellantis. O executivo afirmou que os planos seguem avançando e que a nacionalização envolverá justamente produtos com tecnologia eletrificada.
Mais do que reduzir custos, fabricar localmente tende a acelerar respostas ao mercado brasileiro, melhorar oferta de peças e ampliar competitividade comercial. Para uma marca em fase inicial de consolidação, esse movimento pode ser decisivo.
Rede vai praticamente dobrar
A Leapmotor começou a operação brasileira com 36 concessionárias e pretende encerrar o ano com 70 pontos de venda. A expansão mostra que a marca trabalha em ritmo acelerado para ganhar cobertura nacional e transmitir segurança ao consumidor.
No segmento de veículos eletrificados, rede física e pós-venda continuam sendo fatores determinantes. Muitos produtos chamam atenção pela tecnologia, mas perdem força quando o comprador pensa em manutenção, peças e revenda. É justamente nesse ponto que a Leapmotor tenta usar a estrutura Stellantis como diferencial competitivo.
Mais carros a caminho
Daemon também indicou que a marca prepara novos produtos para o Brasil. O já confirmado Leapmotor C16 será um dos próximos passos, ampliando a gama acima do C10. Além disso, outros modelos mostrados globalmente seguem em análise, como sedãs e SUVs adicionais.
A estratégia, ao que tudo indica, não passa por inundar o mercado com dezenas de carros rapidamente. O foco está em preencher segmentos relevantes com produtos competitivos e crescimento sustentável.
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