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Teste Audi A6 Avant e-Tron: celebremos a coragem de sair do comum e se diferenciar na multidão

O charme das peruas segue vivo e se tornou carro para quem se diferencia dos demais

Audi A6 Avant e-tron (BR)
Foto de: Motor1 Brasil
Leo Fortunatti Leo Fortunatti

Se você tem entre 30 e 40 anos, como eu, deve ter boas lembranças das peruas. VW Parati, Chevrolet Ipanema, Ford Escort SW e muitas outras estavam nas garagens das famílias brasileiras e fizeram parte da história de muitos de nós, mas foram esquecidas em nosso mercado. Os SUVs tomaram conta das ruas, enquanto elas ficaram restritas a poucos modelos. A Audi, porém, ainda acredita que existe espaço para uma proposta diferente.

É o caso do Audi A6 Avant e-tron, uma perua elétrica que combina sofisticação com a eficiência e o desempenho de um carro elétrico. Por R$ 699.990, chega a um território em que o consumidor tem muitas opções de SUVs premium, mas poucas alternativas (ou nenhuma...) com uma carroceria como essa. A questão não é apenas saber se é um bom carro, mas entender se a combinação de desempenho, conforto, espaço e tecnologia é suficiente para justificar seu preço e se ainda existe público disposto a escolher uma perua em vez de um SUV, como eu.

PPE: uma plataforma feita para elétricos com a Porsche

O Audi A6 Avant e-tron é construído sobre a PPE (Premium Platform Electric), uma arquitetura desenvolvida em conjunto por Audi e Porsche especificamente para carros elétricos. A proposta é aproveitar as vantagens desse tipo de propulsão desde o início do projeto, sem precisar adaptar uma estrutura originalmente pensada para motores a combustão ou fazer o caminho inverso.

A plataforma é modular. A bateria fica instalada entre os eixos, sob o piso, enquanto a arquitetura elétrica de 800 volts permite trabalhar com altas potências de recarga. Aqui, a Audi anuncia até 270 kW em corrente contínua (DC), um bom número considerando a bateria de 100 kWh. O problema é que poucos carregadores no Brasil chegam a essa potência. Em corrente alternada (AC), não foge do comum, com 11 kW, o que significa um tempo considerável caso seja necessário fazer uma recarga completa.

Audi A6 Avant e-tron (BR)
Foto de: Motor1 Brasil

O A6 Avant tem tração traseira. A escolha pelo motor elétrico nessa posição tem vantagens tanto pela dinâmica de um carro que empurra, e não puxa, quanto pela economia de escala em componentes, como os cabos. O motor síncrono de ímãs permanentes é eficiente na entrega de potência e tem dimensões compactas, justamente o que a Audi procura.

São 367 cv, ou 381 cv com o controle de largada, e 57,6 kgfm de torque disponíveis a qualquer momento. Essa entrega faz a diferença, principalmente quando o carro é colocado em seu modo de desempenho máximo, mas também no dia a dia, quando busca a máxima eficiência sem prejudicar o desempenho de um carro que pesa quase 2.200 kg.

Audi A6 Avant e-tron (2024)
Foto de: Audi

Uma perua digna e verdadeira

A Audi sempre teve uma presença forte entre as peruas. No Brasil, começou com a 80 Avant, mas ganhou muito espaço com gerações seguidas do A4 (agora A5) e do próprio A6, sem falar nos esportivos RS2 Avant, RS4 Avant e RS6 Avant. Não foi estranho quando a marca anunciou esta A6 Avant, assim como a A5 Avant, que ainda esperamos ansiosamente para testar.

A carroceria preserva a proposta familiar, com a clássica traseira alongada e porta-malas generoso, mas ganha proporções que ajudam a dar ao carro uma aparência mais esportiva e levemente futurista. É uma alternativa para quem quer fugir da fórmula dos SUVs sem abrir mão de espaço e de um visual sofisticado, além de se diferenciar pelas ruas.

A aerodinâmica, especialmente importante em um carro elétrico, foi amplamente trabalhada pela Audi para reduzir o arrasto, o que contribui para a autonomia e o silêncio ao rodar. A marca divulga coeficiente de arrasto de 0,21 para a versão Avant, um número que ajuda a explicar o trabalho feito para reduzir as perdas durante o deslocamento.

Audi A6 Avant e-tron (BR)
Foto de: Motor1 Brasil

De fato, é bonita e tem um toque futurista, mas ainda de bom gosto. Na dianteira, os faróis divididos até parecem coisa de SUV, mas as peças são finas e charmosas, complementadas pela máscara negra que se destaca no para-choque dianteiro. Nas laterais, as portas são altas para abrigar a parte do assoalho onde ficam as baterias, com vidros menores e maçanetas integradas, mas não retráteis. O conjunto é completado pelas rodas de 21 polegadas, com pneus de medidas diferentes entre os eixos: 245/40 na dianteira e 275/35 na traseira, onde está a tração.

A traseira é a parte mais legal do A6 Avant, não só pela carroceria SW, mas também pelo pacote S line e pelas lanternas de LED que se interligam e criam um belo efeito durante a noite. O logotipo da Audi é iluminado e bem que poderia ter uma opção para ligar e desligar, atendendo à preferência de cada cliente, já que as luzes diurnas dianteiras têm algumas opções gráficas selecionáveis.

Audi A6 Avant e-tron (2024)
Foto de: Audi

Em dimensões, o A6 Avant não é um carro pequeno: são 4,93 m de comprimento, sendo quase 2,95 m entre os eixos, além de 1,92 m de largura. Os números são ótimos para o espaço interno, por exemplo, mas já fazem dele um carro mais difícil de estacionar em vagas públicas. Dependendo da via, também fica aquele receio de não haver espaço suficiente para as motos passarem sem colocar em risco os retrovisores ou as câmeras laterais.

Interior de luxo com uma nova lógica

Assim como por fora, o interior mistura elementos modernos. O maior impacto são as telas, com 11,9 polegadas no painel de instrumentos, 14,5 polegadas na central multimídia e 10,9 polegadas para o passageiro. Todas têm alta resolução e boa usabilidade, resultado de um sistema bem projetado. Interessante ver que a Audi manteve os comandos de boa parte das funções do carro na porta do motorista, incluindo faróis, bancos e retrovisores, em um teclado sensível ao toque.

Há cuidado com materiais, encaixes e acabamento em todo o interior do A6 Avant. Os bancos com acabamento claro desta unidade destacam a cabine mesmo quando vista de fora. Mas o interessante está no material aplicado às portas e ao painel, que foge do couro, e no LED que atravessa o painel e se comunica com o motorista em algumas situações.

Audi A6 Avant e-tron (2024)
Foto de: Audi

O interessante de uma Avant é a usabilidade. No A6, temos amplo espaço, principalmente no banco traseiro, que recebe saídas dedicadas de ar-condicionado. O destaque, porém, fica com o porta-malas de 502 litros, com a possibilidade de levar objetos mais altos justamente pela carroceria de perua, além da boa altura disponível para a cabeça dos ocupantes traseiros. Nesse ponto, é melhor e mais utilizável que o A6 sedã.

O teto panorâmico é um ponto curioso: ele pode ficar opaco e reduzir a entrada de luz no carro. Mas é fato que uma cortina física seria melhor para o controle térmico, principalmente no verão brasileiro, quando o carro fica estacionado na rua.

O pacote tecnológico não fica devendo em nada. Um pacote ADAS completo e bem calibrado, com recursos que permitem ao carro assumir algumas tarefas da condução, é acompanhado por um sistema de som assinado pela Bang & Olufsen. Tudo isso mostra que dá para viajar com conforto, também favorecido pelo isolamento acústico eficiente, com vidros duplos e bastante material de isolamento aplicado à carroceria. Apenas dispensaria as câmeras laterais, opcionais. Sigo não vendo sentido nisso desde o Q8 e-tron.

Audi A6 Avant e-tron (2024)
Foto de: Audi

Potência e desempenho de um elétrico premium

Mais uma vez, a vantagem de uma plataforma dedicada está na preparação e no acerto para aquele tipo de uso. No caso do A6 Avant, a engenharia precisou aliar desempenho e conforto em um carro familiar para o dia a dia. E conseguiu, mais uma vez.

Apesar dos 367 cv e 57,6 kgfm, a entrega é linear. Com o seletor de modos de condução voltado à eficiência e ao conforto, a perua não é daqueles carros que dão um salto ao acelerar. A relação do pedal é boa até para quem não está acostumado com elétricos, como se espera de um bom carro familiar, e não há sustos nas curvas por causa da tração traseira, algo importante.

Se precisar entregar força, basta mudar o modo de condução, e o acelerador fica mais sensível. Aí, sim, a força chega de maneira mais bruta e direta. Mesmo sendo uma perua pesada, temos um 0 a 100 km/h em 5,2 segundos, algo que um carro da linha S ou até RS faria até pouco tempo atrás. A tração é apenas traseira, mas o conjunto não destraciona mesmo quando a força é aplicada de uma só vez, muito por conta dos largos pneus escolhidos.

Audi A6 Avant e-tron (BR)
Foto de: Motor1 Brasil

As retomadas na faixa dos três segundos mostram como a entrega de um elétrico faz diferença para quem procura desempenho. Mesmo não sendo uma S6 Avant, mais potente e com tração integral, o A6 Avant carrega a alma das peruas da Audi, justamente conhecidas pelo desempenho mesmo em versões mais convencionais, quando equipadas com os clássicos motores 1.8 e 2.0 turbo, dependendo da época e da versão.

A suspensão é outro ponto muito interessante. Não é adaptativa, mas o conjunto completo, assim como a estrutura do carro, mostra como os alemães ainda se diferenciam no refinamento técnico de seus modelos. No caso do A6 Avant, mesmo com mais de duas toneladas, sua dinâmica é bem característica da Audi, com direção direta e responsiva e uma carroceria que praticamente não torce, bem assentada no chão. Isso também tem a ajuda do peso das baterias no assoalho e de sua boa distribuição.

Ao mesmo tempo, vai bem em conforto. Não estamos em um SUV, ainda mais com rodas de 21 polegadas, mas a perua se comportou muito bem nas ruas de São Paulo (SP). Quase não reclamou mesmo em vias piores e nem de perto transmitiu desconforto aos ocupantes. É um carro mais baixo, mas isso não chegou a ser um problema nas valetas ou nas lombadas. Vale lembrar, porém, que você não está no Q6 e precisa maneirar a velocidade.

Audi A6 Avant e-tron (2024)
Foto de: Audi

Autonomia e recarga: mais de 600 km sem esforço

Com a PPE, a Audi conseguiu concentrar os esforços onde precisava para desenvolver seus elétricos. No caso do A6 Avant, boa parte da eficiência vem da aerodinâmica e da baixa resistência ao rolamento da perua. Não foram poucas as vezes em que tirei o pé do acelerador e a velocidade se manteve, algo importante para evitar um gasto desnecessário de energia em retomadas. Também chama a atenção a capacidade de regeneração nas frenagens.

A bateria, como já dito, não é pequena, algo até normal nessa faixa de preço. No Audi A6 Avant, nosso teste urbano padrão, feito em um modo mais eficiente e em um trajeto com situações variadas do dia a dia, registrou média de 6,5 km/kWh, ou um alcance projetado de 617 km. É algo que muita gente chega a rodar na cidade ao longo de uma semana.

Audi A6 Avant e-tron (BR)
Foto de: Motor1 Brasil

Na estrada, foram 6 km/kWh, rodando com ar-condicionado ligado e velocidades entre 110 e 120 km/h. Com uma autonomia projetada de 570 km, a perua permite viagens em família com poucas paradas para recarga. Quando necessárias, elas podem ser feitas em diferentes pontos de recarga rápida, embora sejam poucos os carregadores no Brasil capazes de aproveitar os 270 kW permitidos pela plataforma de 800 volts.

Uma perua faz mais sentido que um SUV?

A carroceria é um dos principais argumentos do A6 Avant e-tron. Em vez de seguir a preferência dominante pelos SUVs, a Audi oferece uma alternativa que combina perfil mais baixo, proposta familiar e espaço para bagagens. Isso pode fazer sentido para quem não precisa de maior altura em relação ao solo e prefere a posição de dirigir de um automóvel tradicional, além do próprio charme dessa carroceria.

Por quase R$ 700 mil, o Audi A6 Avant e-tron precisa, lógico, entregar não apenas desempenho e autonomia, mas também acabamento, conforto, tecnologia e uma experiência coerente com seu posicionamento premium. É um produto de nicho, e isso não é necessariamente um problema. O importante é entender para quem ele foi feito.

Audi A6 Avant e-tron (2024)
Foto de: Audi
O que você pensa sobre isso?

Esta bela perua reúne características que raramente aparecem juntas no mercado brasileiro: uma carroceria familiar tradicional, propulsão elétrica, desempenho elevado e uma proposta de luxo. Seu diferencial não está em tentar ser mais um SUV, mas em oferecer uma alternativa para quem quer espaço e versatilidade sem seguir a fórmula dominante.

No fim, o Audi A6 Avant e-tron não precisa convencer todo comprador de um SUV a mudar de ideia. Sua missão é mais específica: mostrar que ainda existe espaço para uma perua de luxo e que a eletrificação pode dar uma nova vida a esse tipo de carroceria. E ela cumpre isso com maestria.

Audi A6 Avant e-Tron

Motor elétrico Motor síncrono de imã permanente, no eixo traseiro
Potência e torque 367 cv (381 cv em launch) e 57,6 kgfm
Bateria LFP, 100 kWh (94,9 kWh úteis)
Tempo de recarga 11 kW (AC); 270 kW (DC)
Suspensão multilink na dianteira e traseira; rodas de 21" com pneus 245/40(D) e 275/35 (T)
Comprimento e entre-eixos 4.928 mm; 2946 mm
Altura 1.527 mm
Largura 1.923 mm
Peso 2.185 kg em ordem de marcha
Capacidades porta-malas: 502 litros + 27 litros (D)
Preço como testado R$ 699.990 + R$ 20 mil (retrovisores em câmera)
Aceleração 0 a 60 km/h: 2,8 s; 0 a 80 km/h: 3,9 s; 0 a 100 km/h: 5,2 s em 79,6 m; 201 metros: 8,7 s a 135,7 km/h
Retomada 40 a 100 km/h: 3,4 s a 68,7 m; 80 a 120 km/h: 3,1 s em 86,7 m
Autonomia elétrica cidade: 6,5 km/kWh (617 km); estrada: 6 km/kWh (570 km)
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