As picapes continuam uma das tendências no mercado, porém a maioria das fabricantes deu mais atenção para o segmento dos modelos grandes, deixando as caminhonetes médias um pouco de escanteio. A Ford aproveitou este situação com o lançamento da nova geração da Ranger e, pelo que podemos ver com a versão XLS 2.0 4x4, será a referência do categoria por diversos motivos.

O principal deles é o preço. A Ford Ranger XLS 2.0 4x4 é vendida por R$ 259.990, o que não é muito quando consideramos diversos fatores. Para começar, esta é a versão topo de linha com o novo motor 2.0 EcoBlue turbodiesel de quatro cilindros, ficando posicionada no meio do portfólio da picape média. Isso faz toda a diferença pois a concorrência cobra o mesmo por configurações muito mais básicas. Por exemplo, a Toyota Hilux SR custa R$ 272.190, enquanto a Chevrolet S10 LT sai por R$ 265.400 e ambas são a segunda configuração mais em conta em suas respectivas linhas.

Isto, por si só, já vira um motivo para olhar com mais carinho para esta versão da Ranger, considerando seu custo-benefício. Indo além, é a única opção com o motor 2.0 diesel, tração 4x4 e câmbio automático. No catálogo, existe a XLS 4x2 por R$ 234.990, e a basicona XL manual 4x4 por R$ 239.990, porém a primeira vai atender mais um público que não enfrenta situações no off-road, enquanto a segunda é voltada para frotas. Naturalmente, vira a melhor escolha para quem não quer algo muito básico e não precisa do motor V6.

Uma das mudanças na nova geração da Ranger foi a troca do motor diesel de entrada. Saiu o 2.2 turbodiesel para a chegada do novo 2.0 EcoBlue compartilhado com a Transit, porém com uma preparação diferente, entregando 170 cv e 41,3 kgfm. Mesmo que a cilindrada seja um pouco menor, tem 10 cv e 2 kgfm a mais do que seu antecessor 2.2, por usar turbo de geometria variável, correia imersa em óleo e outras melhorias. E ainda adotou o tanque de Arla 32 para atender as novas regras de emissões tanto no Brasil quanto na Europa.

Ford Ranger XLS 2.0TD 4x4 2024

Na prática, é um motor impressionante e que trabalha de forma bem suave para um propulsor a diesel, mesmo sendo menor que o da geração anterior. Como entrega os 41,3 kgfm de torque a 2.000 rpm, a resposta é rápida e sem a necessidade de pisar demais no acelerador. Casou melhor com a transmissão automática de 6 marchas, muito suave nas trocas e com uma relação bem escalonada para aproveitar o torque. A Ford caprichou no isolamento da cabine, reduzindo muito as vibrações e ruídos vindos do motor, só fazendo com que o barulho seja bem forte durante acelerações mais vigorosas.

Não deixa nem saudades do antigo 2.2. Em nosso teste instrumentado, o novo 2.0 turbodiesel marcou 11,5 segundos na aceleração de 0 a 100 km/h, contra os 13,3 s da geração anterior, uma diferença de 1,8 s. Mostrou ser melhor também nas retomadas, indo de 40 a 100 km/h em 8,7 s (1,4 s a menos) e acelerando de 80 a 120 km/h em 8,9 s (2 s a menos).

Ford Ranger XLS 2.0TD 4x4 2024

A economia de combustível melhorou bastante na cidade, agora marcando 10,3 km/litro, porém na estrada fez 12,7 km/litro. Considerando que a versão V6 faz 7,4 km/litro e 11,6 km/litro, respectivamente, a versão 2.0 acaba sendo a melhor opção para quem quer economia. A fabricante afirma que, considerando os números do Inmetro (de 10 km/litro na cidade e 11,5 km/litro na estrada), a Ranger XLS é capaz de rodar por 920 km na cidade.

Durante a condução, a Ranger mostra como evoluiu. A geração anterior foi muito criticada por “pular” bastante, o que foi resolvido na reestilização. Foi um aspecto que melhorou muito na nova picape, porém não nesta versão. O ajuste é o mesmo da variante com motor V6, preparada para o peso extra, então acaba sendo um pouco mais firme. Não é nada que chegue a virar um ponto negativo, só lembre que ela será mais arisca ao passar por imperfeições.

Ford Ranger XLS 2.0TD 4x4 2024

Como não existe almoço grátis, a Ford tinha que tirar algo da Ranger para justificar o preço abaixo das versões V6. Não é que seja mal equipada, pois vem com painel de instrumentos digital de 8 polegadas, central multimídia de 10 polegadas, faróis de LEDs, sete airbags, faróis com acendimento automático, controle de cruzeiro, câmera de ré, sensor de estacionamento, carregador wireless para smartphones, ar-condicionado com saída traseira e bloqueio do diferencial traseiro.

O problema está em alguns detalhes. Por exemplo, a multimídia com uma tela menor faz com que a moldura seja mais aparente e o sistema acaba perdendo espaço. No meu caso, como usuário de Android, tive problemas com o Android Auto por perder a barra que me permite acessar as notificações ou o menu, me obrigando a apelar para o comando de voz para retornar para a tela do Google Maps.

A cabine é mais simples, com um acabamento diferente. Nada de bancos de couro, só de tecido. O volante é de plástico duro e todo o material usado nos painéis foi substituído por um plástico rígido. Isso até passa, já que estamos falando de uma opção mais barata.

Ford Ranger XLS 2.0TD 4x4 2024

O que não dá para não reclamar e que é um erro cometido até por outras marcas é a caçamba, sem o protetor plástico no assoalho e capota marítima, itens que já deveriam ser de série em qualquer caminhonete dessa categoria, mas que são acessórios para a Ranger. No caso dessa unidade emprestada pela Ford, já estava cheia de marcas de arranhado na pintura do assoalho. Outro vacilo é a falta de amortecimento na tampa da caçamba, que simplesmente despenca ao ser aberta e fica feio ao lembrar que caminhonetes de segmentos abaixo não fazem isso.

Ford Ranger XLS 2.0TD 4x4 2024

São pequenos erros que não apagam as qualidades da Ford Ranger XLS 2.0 4x4. O seu preço agressivo em comparação à concorrência, com mais equipamentos e um comportamento exemplar faz com que seja a picape que vai forçar a categoria a evoluir. Para o ano que vem, a Chevrolet prepara a reestilização da S10 e a Volkswagen renovará a Amarok. Se não tomarem cuidado, continuarão a perder espaço para a caminhonete da Ford.

Fotos: Mario Villaescusa (para o Motor1.com)

Ford Ranger XLS 2.0TD 4x4 AT6

Motor dianteiro, longitudinal, 4 cilindros em linha, 16 válvulas, 1.995 cm3, duplo comando, turbo, diesel
Potência e torque 170 cv a 3.500 rpm; 41,3 kgfm a 2.000 rpm
Transmissão automático de 6 marchas, tração 4×4 com reduzida
Suspensão independente de braço duplo na dianteira e traseira eixo rígido com feixe de molas; pneus 255/70 R17 com rodas de 17"
Comprimento e entre-eixos 5.370 mm; 3.270 mm
Largura 1.918 mm
Altura 1.884 mm
Peso 2.069 kg em ordem de marcha
Capacidade de carga 1.037 kg
Capacidades caçamba: 1.250 litros; tanque: 80 litros
Preço de entrada R$ 259.900
Aceleração 0 a 60 km/h: 4,8 s; 0 a 80 km/h: 7,7 s; 0 a 100 km/h: 11,5 s
Retomada 40 a 100 km/h (em D): 8,7 s; 80 a 120 km/h (em D): 8,9 s
Frenagem 100 a 0 km/h: 45,0 m; 60 a 0 km/h: 15,5 m; 40 a 0 km/h: 7,0 m
Consumo de combustível cidade: 10,3 km/l; estrada: 12,7 km/l
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