Teste: Denza B5 tem 677 cv, luxo de sobra e coloca o Toyota SW4 em xeque
Testamos o SUV híbrido de R$ 449 mil, que surpreende pelo acabamento, roda 77 km no modo elétrico e acelera de 0 a 100 km/h em 5,1 s
O Denza B5 chegou ao Brasil com uma proposta que parecia difícil de conciliar: oferecer o conforto e o acabamento de um SUV de luxo, a robustez de um verdadeiro utilitário off-road e o desempenho de um esportivo. Tudo isso por R$ 449 mil na versão GS. Depois de dirigir o modelo, entendi melhor por que ele se tornou um dos maiores sucessos recentes do segmento premium brasileiro.
O que mais surpreende não são os 677 cv, mas a qualidade do conjunto e a maneira como o carro consegue entregar uma experiência bastante refinada no uso cotidiano. Os números comerciais ajudam a ter uma dimensão do acerto da Denza. Em agosto, o B5 registrou 677 emplacamentos e liderou o mercado de automóveis premium pelo terceiro mês consecutivo. O resultado é expressivo para uma fabricante que iniciou recentemente sua operação no Brasil e precisa conquistar consumidores acostumados a marcas com décadas de presença no país.
Durante a convivência com o B5, o acabamento foi uma das primeiras características que chamaram minha atenção. A qualidade do couro, os detalhes de apresentação, o excelente sistema de som e o silêncio a bordo criam uma experiência que se aproxima da encontrada em veículos consideravelmente mais caros. A possibilidade de utilizar o SUV como um elétrico nos deslocamentos urbanos acrescenta uma vantagem importante, enquanto o conjunto híbrido de 677 cv garante força de sobra para viagens e ultrapassagens.
O que é?
A Denza nasceu em 2010 como uma parceria entre BYD e Mercedes-Benz e passou ao controle integral do grupo chinês em 2024. O B5 é um dos principais produtos de sua expansão internacional e tem uma proposta diferente da maioria dos SUVs híbridos plug-in. Sua arquitetura DMO foi desenvolvida para conciliar eletrificação e capacidade off-road, utilizando construção sobre chassi, tração integral e recursos específicos para enfrentar terrenos difíceis.
Visualmente, o resultado agrada bastante. O B5 é imponente, mas consegue preservar uma elegância que nem sempre encontramos em utilitários esportivos com essa proposta. A dianteira tem linhas predominantemente horizontais, faróis retangulares com assinatura luminosa bastante característica, grade larga e capô elevado. O desenho é robusto, com superfícies bem definidas e uma presença que chama atenção sem depender de soluções extravagantes.
De perfil, as proporções reforçam a identidade de um SUV tradicional, com carroceria alta, grandes caixas de roda e uma área envidraçada generosa. As rodas de 20 polegadas da versão GS combinam com o conjunto, enquanto os estribos laterais retráteis facilitam o acesso à cabine. Na traseira, as lanternas verticais e o estepe instalado externamente completam a aparência de um veículo preparado para sair do asfalto.
A versão GS mede 4,92 metros de comprimento, 1,97 metro de largura, 1,93 metro de altura e tem 2,80 metros de entre-eixos. O porta-malas oferece 470 litros, enquanto o peso em ordem de marcha chega a 3.055 kg. São números importantes para compreender tanto a presença visual quanto o comportamento dinâmico do B5.
Interior e acabamento
A qualidade do acabamento impressiona imediatamente. O couro Nappa dos bancos tem textura agradável, os revestimentos são bem executados e existe um cuidado evidente com os materiais utilizados nas superfícies mais próximas dos ocupantes. Os detalhes com aparência de cristal, especialmente nos comandos do console central, contribuem para criar uma sensação de sofisticação que vai além da quantidade de equipamentos instalados.
O painel segue um desenho horizontal e combina superfícies revestidas com elementos metálicos e iluminação ambiente. O console central é elevado, largo e concentra comandos físicos com apresentação bastante elaborada. Gosto dessa solução porque ela preserva a facilidade de utilização de funções importantes sem obrigar o motorista a recorrer constantemente à tela multimídia.
Os bancos dianteiros oferecem ajustes elétricos, ventilação, aquecimento e massagem. Na versão GS, os passageiros traseiros também contam com aquecimento e ventilação dos assentos. O espaço interno é generoso, especialmente na largura, e a posição elevada de dirigir proporciona boa visão da dianteira e das laterais do veículo.
Denza B5 tem geladeira no console central
E existe um equipamento que certamente vai chamar muita atenção: uma geladeira instalada no console central, com funções de resfriamento e aquecimento. Lembro de uma época em que o máximo de sofisticação nesse aspecto era posicionar um porta-copos próximo à saída do ar-condicionado para manter a bebida fresca. No Denza B5, temos um compartimento com controle próprio de temperatura. É um daqueles detalhes que parecem secundários até começarmos a utilizar o carro no dia a dia.
Equipamentos
A versão GS tem um pacote bastante completo. O quadro de instrumentos digital utiliza uma tela de 12,3 polegadas, enquanto a central multimídia tem 15,6 polegadas. O passageiro dianteiro dispõe de outra tela de 12,3 polegadas, e o motorista ainda conta com um head-up display que projeta informações no para-brisa.
O sistema multimídia oferece Apple CarPlay, Android Auto, navegação integrada, conectividade 4G, atualizações remotas e comandos de voz. O console também abriga dois carregadores sem fio de 50 W, além dos comandos relacionados aos modos de condução, à suspensão e às funções off-road.
Outro destaque que merece atenção especial é o sistema de som Devialet, com 18 alto-falantes e potência declarada de 800 W. Fundada em Paris, em 2007, a empresa francesa construiu sua reputação no segmento de áudio de alta fidelidade, especialmente com amplificadores e caixas acústicas de alto desempenho, como a linha Phantom.
No Denza B5, o resultado é excelente. A qualidade sonora está entre os pontos que mais me agradaram durante a convivência com o carro. O sistema oferece boa definição, graves consistentes e uma distribuição sonora muito bem trabalhada pela cabine. Há inclusive um alto-falante integrado ao encosto de cabeça do motorista. É um equipamento que combina com o nível de isolamento acústico do SUV e torna a experiência a bordo ainda mais agradável.
Em termos de segurança, a versão inclui 11 airbags, controle de cruzeiro adaptativo, frenagem automática de emergência, assistente de centralização em faixa, monitoramento de ponto cego e alertas de tráfego cruzado. O sistema de câmeras oferece visão panorâmica e recursos para acompanhar o entorno do veículo em situações de manobra ou condução fora de estrada.
Apesar de todos esses equipamentos, encontrei um ponto que merece melhoria. A visibilidade pelo retrovisor interno convencional é prejudicada pela cobertura do estepe instalado na tampa traseira. A Denza oferece um retrovisor digital, alimentado por câmera, mas o posicionamento elevado dessa câmera dificulta a percepção de objetos muito próximos da traseira. Em um SUV com quase cinco metros de comprimento, é uma limitação que merece atenção.
Como anda?
O Denza B5 combina um motor 1.5 turbo de quatro cilindros com dois motores elétricos, instalados um em cada eixo. A potência combinada é de 505 kW, equivalentes a aproximadamente 677 cv, com torque máximo de 760 Nm, ou 77,5 kgfm. A bateria Blade de 31,8 kWh permite funcionamento exclusivamente elétrico, enquanto o gerenciamento eletrônico controla a atuação dos motores e a distribuição de força entre os eixos.
A primeira característica que impressiona ao volante é a solidez. O B5 transmite a sensação de um veículo muito bem construído, com uma estrutura firme e uma suspensão capaz de absorver irregularidades sem deixar a carroceria excessivamente solta. Na cidade, o silêncio é outro destaque. O isolamento acústico funciona muito bem e, quando o carro utiliza apenas os motores elétricos, a experiência se aproxima bastante daquela encontrada em um SUV puramente elétrico de luxo.
Esse funcionamento elétrico é um dos diferenciais no uso diário. Durante nosso teste instrumentado, o B5 percorreu 77 quilômetros sem acionar o motor a combustão, que entrou em funcionamento quando a bateria atingiu 25% de carga. Dependendo da rotina e da possibilidade de recarregar o veículo em casa ou no trabalho, é perfeitamente possível realizar grande parte dos deslocamentos urbanos utilizando apenas eletricidade.
O conjunto híbrido também merece elogios pela entrega equilibrada de potência. Mesmo com 677 cv disponíveis, o B5 não exige que o motorista se adapte a reações bruscas no trânsito. A resposta do acelerador é progressiva nos modos mais confortáveis, e a força dos motores elétricos aparece naturalmente quando precisamos ganhar velocidade.
A suspensão é um dos elementos fundamentais para esse comportamento. O B5 GS utiliza braços duplos sobrepostos nos dois eixos e o sistema hidráulico adaptativo DiSUS-P, que permite ajustar a altura da carroceria em até 140 mm. O gerenciamento eletrônico adapta o funcionamento da suspensão conforme as condições de rodagem e os modos selecionados.
Na prática, o resultado aparece no controle dos movimentos da carroceria. Mesmo considerando o porte e o peso do veículo, não existe aquela sensação constante de a dianteira afundar nas frenagens ou levantar excessivamente durante as acelerações. O conjunto consegue controlar bem essas transferências de peso, transmitindo segurança e tornando a condução mais confortável.
Na estrada, tive oportunidade de explorar melhor o desempenho do B5. O SUV alcança "velocidades germânicas" com uma facilidade impressionante, o que faz muita diferença nas ultrapassagens. A entrega imediata de torque dos motores elétricos faz com que as retomadas aconteçam rapidamente, sem a demora normalmente associada a veículos grandes e pesados.
Essa capacidade fica ainda mais evidente quando lembramos que estamos conduzindo um SUV de mais de 3 toneladas. É um peso elevado, mas que parece menor durante as acelerações e retomadas. A suspensão mantém a carroceria controlada, e a direção transmite confiança nas mudanças de trajetória.
Naturalmente, é preciso respeitar os limites da física. Por mais sofisticada que seja a suspensão e por mais eficiente que seja o gerenciamento eletrônico, estamos falando de um utilitário esportivo alto. Em frenagens fortes, curvas mais exigentes ou mudanças bruscas de direção, essa massa continua presente. O B5 oferece recursos para controlar seus movimentos, mas isso não elimina a necessidade de dirigir considerando suas dimensões e seu peso.
Para atender diversas condições de uso, o Denza B5 possui 16 modos de condução, incluindo Eco, Comfort, Sport e Sport+, além de configurações específicas para lama, areia, neve, rochas, montanhas e travessias de água. O veículo também dispõe de tração integral com gerenciamento eletrônico, bloqueios de diferencial dianteiro e traseiro e recursos como o modo U-Turn, desenvolvido para reduzir o espaço necessário em determinadas manobras.
A arquitetura DMO permite que o B5 reúna características de um utilitário off-road tradicional com a resposta imediata dos motores elétricos. A capacidade de reboque chega a 2.500 kg com freio, enquanto a suspensão ajustável pode elevar a distância livre do solo para enfrentar obstáculos mais exigentes.
Desempenho e consumo
Os números obtidos pelo Motor1.com confirmam a impressão ao volante. Mesmo com a bateria em aproximadamente 32% de carga, o Denza B5 GS acelerou de 0 a 100 km/h em 5,1 segundos, resultado próximo dos 4,8 segundos declarados pela fabricante. Sim, estamos falando de um SUV de 3 toneladas que acelera de 0 a 100 km/h na casa dos 5 segundos.
Na estrada, a facilidade em ultrapassar pode ser traduzida pelos números de retomadas. Tanto de 40 a 100 km/h quanto de 80 a 120 km/h, o B5 precisou de apenas 3,5 segundos. No consumo, nosso teste registrou 9,2 km/l na cidade e 9,3 km/l na estrada, utilizando gasolina, ar-condicionado ligado, modo Eco e frenagem regenerativa na configuração padrão. As medições foram realizadas com a bateria em modo de preservação de carga a 25%.
É importante separar os dois cenários de utilização. Com a bateria carregada, o B5 permite realizar deslocamentos urbanos sem consumo de gasolina, aproveitando o silêncio e a suavidade da propulsão elétrica. Quando a carga chega ao nível mínimo de preservação, o motor a combustão passa a participar com maior frequência, e o consumo reflete o tamanho, o peso e a potência do conjunto.
A fabricante informa autonomia elétrica de 100 km e alcance combinado de 920 km, ambos conforme o ciclo NEDC apresentado no catálogo brasileiro. São números obtidos em condições padronizadas de homologação e que não devem ser confundidos com os resultados de nossa avaliação.
Quanto custa?
O Denza B5 GS custa R$ 449.000 no Brasil e entra em uma faixa ocupada por SUVs tradicionais de grande porte, incluindo o Toyota SW4, além de alternativas de marcas premium. Seu posicionamento comercial leva vantagem por oferecer uma arquitetura híbrida mas que também está preparada para uso fora de estrada com um pacote de conforto, acabamento e tecnologia.
O Toyota SW4 é uma referência inevitável. O utilitário esportivo japonês construiu sua reputação com base na robustez mecânica, na confiabilidade, na ampla rede de concessionárias e no valor de revenda. São atributos que continuam tendo peso importante na decisão de compra, principalmente entre consumidores que utilizam o veículo em viagens longas ou regiões afastadas dos grandes centros.
Mas, depois de dirigir o Denza B5, considero difícil imaginar um comprador que esteja avaliando um Toyota SW4 topo de linha experimentar os dois veículos e não perceber uma diferença muito grande em acabamento, conforto, tecnologia e desempenho. O Denza oferece uma cabine mais sofisticada, materiais de qualidade superior, um conjunto de equipamentos mais completo e uma experiência de condução que se beneficia diretamente da eletrificação.
Isso não significa que o B5 tenha resolvido todos os desafios de uma marca nova. A Denza ainda precisa consolidar sua rede de concessionárias, demonstrar a qualidade do atendimento no pós-venda e construir uma reputação de confiabilidade de longo prazo. Também será necessário observar o comportamento do mercado de usados, um aspecto em que marcas tradicionais continuam levando vantagem.
A trajetória comercial, porém, mostra que o consumidor brasileiro está disposto a experimentar essa nova proposta. Em agosto, o B5 registrou 677 emplacamentos e liderou o mercado premium pelo terceiro mês consecutivo.
Depois de conviver com o B5, esse desempenho comercial se torna mais fácil de compreender. O SUV surpreende pelo acabamento, pela qualidade do couro, pelos detalhes de apresentação, pelo sistema de som Devialet e pelo conforto proporcionado pela suspensão. A possibilidade de utilizá-lo como um veículo elétrico na rotina urbana acrescenta uma vantagem importante, enquanto os 677 cv garantem desempenho de sobra quando necessário.
O ponto que mais me impressionou foi perceber quanto a Denza conseguiu reunir em um único produto por R$ 449 mil. É um valor elevado, naturalmente, mas que ganha outra perspectiva quando observamos o que os concorrentes oferecem nessa mesma faixa. O B5 ainda precisa provar sua qualidade ao longo dos anos, mas já conseguiu algo importante: conquistar consumidores em um segmento tradicionalmente dominado por marcas europeias e japonesas. E, depois de dirigir o carro, consigo entender por quê.
Fotos: Mario Villaescusa (para o Motor1.com)/Teste: David Costa
Denza B5 PHEV
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