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Teste: Mitsubishi Outlander PHEV entrega luxo, mas cobra caro

SUV híbrido combina sete lugares, tração integral e 87 km elétricos, mas versão Signature custa R$ 364.990

Mitsubishi Outlander Signature PHEV 2027
Foto de: David Costa
Rodrigo Perini Rodrigo Perini

Vou começar com uma confissão: eu praticamente dava o Mitsubishi Outlander como morto no Brasil. Fora de linha desde 2022, sem sucessor à vista e com a marca apostando todas as fichas no Eclipse Cross e na Triton, pensei que a fabricante tivesse desistido do produto. Mas, em 2025, o SUV voltou ao mercado brasileiro com sistema híbrido plug-in, sete lugares e tração integral.

Atualmente, o Mitsubishi Outlander PHEV custa R$ 324.990 na versão HPE-S, enquanto a topo de linha Signature, avaliada neste teste, sai por R$ 364.990. O retorno me pegou de surpresa. Depois de conviver com o carro, porém, a conclusão é outra: trata-se de um SUV que parece feito sob medida para o brasileiro que ainda não decidiu se quer um híbrido, um elétrico ou um modelo grande para toda a família com o tradicional motor a diesel.

Galeria: Mitsubishi Outlander Signature PHEV 2027

Design e tamanho: presença não falta

Se você procura tamanho, o Outlander entrega. Além de oferecer bastante espaço interno, o SUV é um dos poucos híbridos plug-in à venda no Brasil com sete lugares. Os cinco ocupantes das duas primeiras fileiras viajam com conforto, enquanto os dois assentos instalados no porta-malas têm espaço limitado para pernas e cabeça. Na prática, é um legítimo 5+2, pensado para crianças, percursos curtos ou necessidades pontuais.

O espaço da terceira fileira continua sacrificado mesmo quando a segunda é deslizada para a frente. Isso acontece porque os encostos ficam muito próximos do vidro traseiro quando estão levantados — e têm um desenho um tanto peculiar —, ao mesmo tempo que a Mitsubishi tenta preservar algum volume para bagagens. O acesso também não é dos mais simples, reforçando o caráter ocasional desses dois lugares extras.

O design externo segue a atual identidade visual da Mitsubishi. A dianteira tem elementos semelhantes aos do Eclipse Cross, enquanto a grade marcada por grandes arcos cromados pode dividir opiniões. Ainda assim, ninguém confundirá o Outlander com outro SUV na rua — e isso, em um mercado cheio de modelos visualmente parecidos, é um diferencial. O conjunto óptico dividido em dois andares também reforça a imponência.

Mitsubishi Outlander Signature PHEV 2027
Foto de: David Costa

Cabine luxuosa e acabamento caprichado

Na cabine, esqueça o interior datado da geração anterior. Ao abrir a porta da versão Signature, o revestimento de couro com costuras aparentes e o contraste das cores chamam atenção. O teto solar panorâmico e o acabamento cuidadoso completam a sensação de sofisticação. Já a configuração HPE-S tem uma cabine monocromática e mais sóbria.

Os bancos são confortáveis e têm formato levemente esportivo, com abas laterais que sustentam bem o corpo sem comprometer o conforto em viagens mais longas. O isolamento acústico também é digno de um carro de categoria superior. A central multimídia de 12,3 polegadas oferece Apple CarPlay e Android Auto sem fio, enquanto o sistema de som assinado pela Bose entrega áudio equilibrado e de ótima definição.

Mitsubishi Outlander Signature PHEV 2027
Fotos de: David Costa
Mitsubishi Outlander Signature PHEV 2027
Fotos de: David Costa

A ergonomia melhorou significativamente. O multimídia flutuante tem respostas satisfatórias, o quadro de instrumentos é totalmente digital e o ar-condicionado de três zonas conta com comandos fáceis de localizar. Ponto positivo para quem ainda prefere botões físicos: a tela cuida das funções multimídia, enquanto a climatização mantém visor e controles próprios, uma solução cada vez mais rara.

O painel é completo e personalizável, embora exija alguma familiarização para a leitura das informações básicas. Os mostradores têm apresentação futurista, com grafismos que lembram rolos, mas são legíveis. Outro detalhe interessante é o botão para travar ou destravar o carro localizado junto ao comando de abertura do porta-malas. Assim, os passageiros podem entrar enquanto o motorista ainda organiza as bagagens.

Mitsubishi Outlander Signature PHEV 2027
Foto de: David Costa

Sistema híbrido une três motores

O coração do Outlander é o sistema híbrido plug-in formado por um motor 2.4 a gasolina e dois propulsores elétricos, um em cada eixo. A bateria tem 20 kWh de capacidade, enquanto o conjunto entrega 252 cv e 45,9 kgfm. A resposta imediata dos motores elétricos faz o SUV parecer mais leve do que realmente é e garante uma condução fluida.

A tradição da Mitsubishi em sistemas 4x4 também aparece aqui. A tração integral S-AWC é de série e trabalha com sete modos de condução: Normal, Eco, Tarmac, Gravel, Snow, Mud e Power. A seleção é feita por um comando físico no console central, de operação simples e intuitiva.

Não se trata de um veículo pensado para enfrentar trilhas pesadas, especialmente por causa dos pneus de perfil rodoviário e das rodas de 20 polegadas. Ainda assim, uma viagem até uma chácara ou fazenda por estradas de terra não deve se transformar em perrengue. O controle da tração e a distribuição de força entre os eixos fazem diferença em pisos de baixa aderência.

Mitsubishi Outlander Signature PHEV 2027
Foto de: David Costa

Silêncio e suavidade ao rodar

Na prática, o que mais impressiona é o silêncio. No modo EV, o Outlander se comporta como um carro elétrico de verdade, com aceleração linear e praticamente nenhum ruído mecânico. Quando o motor 2.4 entra em funcionamento, a transição acontece de maneira suave e bem isolada da cabine. É um dos sistemas com melhor integração entre propulsão elétrica e a combustão disponíveis no segmento.

O ruído do motor só invade a cabine de maneira mais evidente sob aceleração intensa ou quando o modo Charge é acionado para recuperar a carga da bateria por meio do propulsor a gasolina. Nesse caso, segundo a Mitsubishi, o processo pode levar cerca de 95 minutos, a depender das condições de uso.

Os 252 cv não transformam o Outlander em um SUV esportivo, mas também não deixam a desejar. A potência está bem dimensionada para o tamanho e a proposta do carro. Mais importante do que o número máximo é a entrega imediata de torque, que facilita arrancadas, ultrapassagens e retomadas mesmo com passageiros e bagagem.

Mitsubishi Outlander Signature PHEV 2027
Fotos de: David Costa
Mitsubishi Outlander Signature PHEV 2027
Fotos de: David Costa

Outlander rodou 87 km sem gasolina

No teste do Motor1.com Brasil, o Mitsubishi Outlander PHEV percorreu 87 km usando apenas eletricidade. É uma autonomia suficiente para cobrir os deslocamentos urbanos diários de boa parte dos proprietários sem acionar o motor a gasolina, desde que o carro seja recarregado regularmente.

Com a energia disponível na bateria esgotada, o SUV registrou 12,5 km/l no circuito urbano e 12,7 km/l no rodoviário. Os números são especialmente positivos para um modelo desse porte, com tração integral e mais de duas toneladas. Considerando o tanque de 56 litros e os 87 km elétricos obtidos no teste, a autonomia combinada pode se aproximar de 800 km em condições favoráveis.

No teste de aceleração, feito no modo Power, com o ar-condicionado desligado e 34% de carga na bateria, o Outlander chegou aos 60 km/h em 3,8 segundos, aos 80 km/h em 5,4 segundos e aos 100 km/h em 7,6 segundos. A retomada de 40 a 100 km/h foi cumprida em 5 segundos, enquanto a passagem de 80 a 120 km/h exigiu 4,8 segundos.

Mitsubishi Outlander Signature PHEV 2027
Foto de: David Costa

Recarga lenta exige planejamento

O ponto fraco está na recarga. O Outlander vendido no Brasil não oferece carregamento rápido em corrente contínua. A recarga externa é limitada a aproximadamente 3,5 kW em corrente alternada, o que exige cerca de seis horas e meia para levar a bateria de zero a 100%.

Na prática, o sistema funciona melhor para quem pode conectar o carro durante a noite em casa ou ao longo do expediente no trabalho. Sem essa rotina de recarga, o proprietário continuará contando com bons números de consumo, mas perderá justamente a principal vantagem de um híbrido plug-in: fazer grande parte dos deslocamentos cotidianos sem gastar gasolina.

Com a bateria carregada e trajetos urbanos de boa fluidez, o computador de bordo pode indicar médias próximas de 26 km/l. É preciso lembrar, porém, que esse número considera também a energia retirada da tomada. Como em qualquer PHEV, o resultado financeiro dependerá do custo da eletricidade, da frequência de recarga e do perfil de uso.

Mitsubishi Outlander Signature PHEV 2027
Fotos de: David Costa
Mitsubishi Outlander Signature PHEV 2027
Fotos de: David Costa

Conforto em primeiro lugar

A suspensão é um dos grandes acertos do Outlander. Ela absorve bem buracos, remendos e outras imperfeições do piso, ao mesmo tempo que mantém a carroceria controlada até em estradas de terra e cascalho. Não é um SUV esportivo e tampouco pretende ser, mas apresenta comportamento seguro e previsível.

A direção é mais precisa e ligeiramente mais pesada do que a média do segmento, sem se tornar desconfortável. Essa diferença fica evidente na comparação com modelos como BYD Song Plus e GWM Haval H6, que apostam em comandos mais leves e em uma condução menos comunicativa.

Mitsubishi Outlander Signature PHEV 2027
Foto de: David Costa

Ao volante, o Outlander inicialmente parece maior do que realmente é. Depois de alguns minutos, porém, o motorista se acostuma com as dimensões e com a posição de dirigir elevada. São 4,71 metros de comprimento, 1,86 metro de largura, 1,74 metro de altura e 2,70 metros de distância entre os eixos.

A combinação entre suspensão firme, direção bem calibrada e entrega imediata dos motores elétricos deixa a condução refinada. A eletrificação não ajuda apenas no consumo e na autonomia: o torque instantâneo torna o SUV mais leve nas saídas e agradável no trânsito. Seja pelo tamanho ou pelo desenho, o Outlander também chama atenção por onde passa.

Mitsubishi Outlander Signature PHEV 2027
Foto de: David Costa

Preço elevado, mas dentro do segmento

Os R$ 364.990 cobrados pela versão Signature testada estão longe de representar uma pechincha, embora o valor esteja dentro da faixa praticada por SUVs híbridos e elétricos de proposta semelhante. O argumento do Outlander está no conjunto: sistema híbrido plug-in, tração integral, sete lugares e o histórico da Mitsubishi em veículos 4x4.

A marca oferece cinco anos de garantia para o veículo e oito anos para a bateria do sistema híbrido. A versão Signature ainda adiciona acabamento mais sofisticado, sistema de som Bose, bancos dianteiros com massagem, persianas nos vidros traseiros e Heap-Up display colorido, itens que ajudam a sustentar sua posição como a configuração mais luxuosa da gama.

Mitsubishi Outlander Signature PHEV 2027
Foto de: David Costa
O que você pensa sobre isso?

O novo Mitsubishi Outlander PHEV não é o SUV híbrido plug-in mais barato, esportivo ou tecnológico do mercado. Ainda assim, é uma opção interessante para quem precisa de espaço e procura um PHEV com tração integral e sete lugares — combinação ainda rara no Brasil.

Ele não emociona nas curvas ou pela potência, mas pode agradar bastante quando chega a hora de abastecer. Sua tradição não aparece apenas no logotipo ou no sistema de tração: está também nos botões físicos bem definidos e no equilíbrio entre modernidade, sobriedade e funcionalidade. O Outlander cobra caro por esse pacote, mas entrega uma personalidade que muitos rivais já perderam.

   

Prós

  • Autonomia elétrica de 87 km no teste
  • Conforto, acabamento e isolamento acústico
  • Sete lugares e tração integral S-AWC
   

Contras

  • Preço elevado na versão Signature
  • Terceira fileira apertada e de difícil acesso
  • Recarga lenta e sem carregamento rápido DC

Mitsubishi Outlander PHEV

Motor dianteiro, transversal, 4 cilindros, 2.360 cm³, 16 válvulas, duplo comando de válvulas; injeção eletrônica, aspiração natural, gasolina
Motor elétrico um dianteiro e um traseiro, síncronos de ímãs permanentes
Potência e torque 137 cv e 20,9 kgfm (combustão) e 252 cv e 45,9 kgfm (combinados)
Transmissão automática de uma marcha; tração integral elétrica S-AWC
Bateria íons de lítio, 20 kWh
Tempo de recarga corrente alternada de 3,5 kW
Suspensão McPherson na dianteira; multilink na traseira; rodas de 20" com pneus 255/45
Comprimento e entre-eixos 4.710 mm; 2.705 mm
Altura 1.745 mm
Largura 1.862 mm
Peso 2.100 kg em ordem de marcha
Capacidades tanque: 56 litros; porta-malas: 637 litros (5L), 284 litros (7L)
Preço como testado R$ 364.990
Aceleração 0 a 60 km/h: 3,8 s; 0 a 80 km/h: 5,4 s; 0 a 100 km/h: 7,6 s em 120,06 m; 201 metros: 10,07 s a 112,52 km/h
Retomada 40 a 100 km/h: 5,0 s em 101,96 m; 80 a 120 km/h: 4,8 s em 135,31 m
Autonomia elétrica 87 km
Consumo de combustível cidade: 12,5 km/l; estrada: 12,7 km/l, com gasolina
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