Tesla mira nos robôs e tira de linha os Model S e X
As últimas unidades do SUV e do sedã saíram da linha de montagem na última semana e marcam o fim de uma era
Durante 14 anos, o Tesla Model S estabeleceu o padrão de referência para o que define um veículo elétrico de luxo. Nos últimos 11 anos, o Model X trouxe essas qualidades para um formato maior, com três fileiras de assentos. Apesar da concorrência constante e da queda nas vendas, os dois modelos continuaram sendo parte essencial da linha da Tesla.
A era do Model S chegou ao fim no sábado (9/5), quando os últimos carros saíram da linha de montagem em Fremont, Califórnia (EUA). A Tesla anunciou o fim da era por meio de uma publicação no Twitter, exibindo dois carros pintados em Ultra Red, bem como um Model S em preto adornado com as assinaturas dos trabalhadores da linha de montagem.
O Model S da Tesla, em particular, foi um carro incrivelmente importante — não apenas para a Tesla, mas para os veículos elétricos como um todo. Quando foi lançado em 2012, a missão da Tesla era um pouco diferente do que é hoje: fabricar uma variedade cada vez maior de carros elétricos cada vez mais acessíveis. O sedã provou que os veículos elétricos podiam ser atraentes e velozes, dando à empresa o prestígio necessário para seguir em frente e uma fonte de receita para desenvolver mais carros.
O Model 3 foi lançado cerca de cinco anos depois, seguido pelo Model Y. Eventualmente, o Model Y se tornou o carro mais vendido do mundo. Nada disso seria possível sem o Model S e o X. Conscientemente ou não, a Tesla formou uma linha com as letras S,3,X,Y.
Galeria: Tesla Model X 2026
O Model S também era um veículo incrível, não importa como você o analise. É verdade que ele vinha com apenas 160 milhas de autonomia (250 km), mas se os compradores estivessem dispostos a gastar um pouco mais, poderiam extrair mais de 250 milhas (400 km) de uma única carga. Essa autonomia pode parecer insignificante, mas lembre-se de que estávamos em 2012 — o único outro veículo elétrico realmente em destaque na época era o Nissan Leaf, que custava metade do preço e tinha cerca de um terço da autonomia.
Os primeiros modelos da Tesla eram estranhos de uma forma empolgante. A Tesla estava assumindo riscos enormes e testando ideias bizarras. Não apenas para ver o que dava certo, mas para mostrar ao mundo que os veículos elétricos eram uma alternativa viável aos carros a gasolina — e não apenas máquinas ecológicas dirigidas por hippies e celebridades de Hollywood. O S e o X representavam isso melhor do que qualquer outro modelo que a Tesla já tivesse construído.
Com o tempo, os modelos S e X também se tornaram vítimas do próprio sucesso da Tesla. Assim que o Model 3 e o Model Y se tornaram sucessos de vendas, as vendas dos modelos S e X passaram a ser menos prioritárias para a Tesla, transformando-os em carros emblemáticos que estavam ficando ultrapassados. Assim, o mercado seguiu em frente e a concorrência no segmento de veículos elétricos de luxo explodiu, com rivais como Porsche, Lucid e Rivian inovando à sua maneira.
E agora a Tesla está desmontando a linha de produção do Model S e do Model X para construir o que acredita ser seu próximo produto revolucionário: robôs humanóides.
O fim do Model S e do Model X pode parecer insignificante hoje, dadas as alternativas disponíveis no mercado. No entanto, se pensarmos neles não apenas como produtos, mas como os ancestrais dos veículos elétricos modernos, a perda parece um pouco mais significativa. Talvez os robôs Optimus construídos em Fremont um dia sigam as pegadas deixadas por essas duas lendas.
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