Ir para o conteúdo principal

Opinião: as marcas que a Stellantis deve manter (e quais devem acabar)?

A Stellantis está cogitando cortar algumas de suas 14 marcas de automóveis; veja as chances de cada uma

Stellantis Brands Kill or Keep
Foto de: Jeff Perez / Motor1

A Stellantis tem 14 marcas automotivas. É muita coisa, mas não é exatamente incomum para um gigantesco conglomerado do setor. O problema é que, para cada Peugeot e Jeep — duas de suas marcas mais bem-sucedidas — há também uma Abarth, uma Lancia ou uma Vauxhall. Embora a Stellantis tenha alguns nomes bastante populares, outras marcas definharam nos últimos anos.

O recém-nomeado CEO Antonio Filosa sabe que nem todas as marcas da Stellantis têm a mesma relevância em todos os mercados em que atua. É por isso que o novo chefão quer olhar mais de perto para todo o portfólio. Um relatório recente diz que Filosa e seus executivos estão avaliando a “viabilidade de longo prazo” de cada uma das marcas da Stellantis. Isso significa que algumas delas podem, potencialmente, ir para a guilhotina.

Galeria: Leapmotor no Salão do Automóvel de São Paulo 2025

A grande questão é: quais marcas da Stellantis realmente valem a pena manter? E quais marcas valem a pena vender — ou simplesmente encerrar? Não é uma tarefa fácil, com fatores como herança, fãs e empregos em jogo. Mas, se a Stellantis quiser ter sucesso na próxima década, Filosa vai precisar tomar essas decisões difíceis.

Felizmente, não estamos no lugar de Filosa. Em vez disso, podemos ficar sentados atrás dos nossos teclados e assumir o papel de executivos de sofá: estas são as marcas da Stellantis que nós manteríamos — e as que cortaríamos.

Galeria: Teste Abarth 600e Scorpionissima 2025

Abarth: Reintegrar à Fiat

Vendas em 2025: 2.000 unidades (est.)

Você sabia que a Abarth é uma marca independente na Europa? O antigo braço de performance da Fiat agora tem sua própria linha, que inclui o 500e, o 600e e alguns poucos 500 a gasolina em séries limitadas. Por aqui, batiza versões de Pulse e Fastback.

Não há motivo para a Abarth existir sozinha. A empresa vendeu pouco mais de 300 unidades do novo 600e nos primeiros seis meses de 2025, com o total de emplacamentos da Abarth pouco acima de 1.000 unidades. As vendas de 2025 devem ficar em minguadas 2.000 unidades, o que é bem fraco. A solução mais simples seria reintegrar a Abarth à Fiat e dar ao 500e e ao 600e uma marca “de verdade”.

Galeria: Alfa Romeo Junior Q4 2025

Alfa Romeo: Manter

Vendas em 2025: 60.000 unidades (est.)

A Alfa Romeo tem mais do que prestígio suficiente para continuar na linha da Stellantis. Mesmo em meio a dificuldades recentes, as vendas devem chegar a sólidos 60.000 carros globalmente. Nada de outro mundo, mas também está longe de ser irrelevante. Nos EUA, o compacto Tonale é o veículo mais popular da Alfa, com pouco mais de 2.100 unidades vendidas nos três primeiros trimestres do ano, enquanto a marca está longe do Brasil há décadas.

A empresa está em fase de transição. Originalmente, a Alfa havia prometido versões totalmente elétricas do sedã Giulia e do SUV Stelvio, mas a retração no mercado de EVs forçou a montadora italiana a repensar essa estratégia. Em vez disso, a marca promete manter vivo o motor V-6 e preservar a icônica linha Quadrifoglio — pelo menos por mais algum tempo. Enquanto isso, um novo Stelvio deve chegar ao mercado em breve.

Galeria: Os 100 anos da Chrysler

Chrysler: Manter*

Vendas em 2025: 115.000 unidades (est.)

Este caso vem com um asterisco. A Chrysler definitivamente vale a pena ser mantida, mas apenas com um investimento pesado em novos produtos. Hoje, a empresa vende só dois veículos: Pacifica e Voyager. Duas minivans. O sedã 300 foi descontinuado no início deste ano, mas há rumores de que um novo modelo está no horizonte.

Mesmo com vendas relativamente fortes de 90.733 unidades nos EUA até o terceiro trimestre, a Chrysler precisa ampliar sua linha com mais SUVs, mais sedãs de luxo e mais eletrificação. Com os produtos certos e 100 anos de história, não há motivo para matar a Chrysler. A empresa só precisa de muito carinho.

Galeria: Conceitos do Salão: Citroën Basalt Vision aposta em esportividade

Citroën: Manter

Vendas em 2025: 800.000 unidades (est.)

A Citroën é uma das marcas mais fortes e consolidadas desta lista, e a montadora francesa deve ver um crescimento de vendas em 2025. A empresa teria vendido mais de 785.000 veículos em 90 países em 2024 (embora esses números sejam um pouco nebulosos), o que significa que 800.000 unidades em 2025 não é nada descabido.

Sem ressalvas, Citroën — continue fazendo o que está fazendo.

Galeria: DS N°8 (2025) no estúdio

DS: Reintegrar à Citroën

Vendas em 2025: 40.000 unidades (est.)

Acredite se quiser, a marca DS já tem mais de uma década. A Citroën transformou a DS em sua marca de luxo própria em 2014. A empresa vendeu cerca de 40.000 veículos de luxo pela Europa no ano passado e caminha para um número parecido em 2025. Não são grandes resultados.

A Stellantis já tem uma marca francesa mais sofisticada: a Peugeot. Embora a DS tenha sua própria gama de produtos e uma rede dedicada de concessionárias, a marca DS não precisa realmente existir de forma independente. Ela pode ser um acabamento de luxo da atual linha Citroën (como já foi no passado).

Galeria: Novo Dodge Charger cinco portas 2025

Dodge: Manter

Vendas em 2025: 100.000 unidades (est.)

A Dodge não teve um grande 2024, já que a empresa substituiu os modelos Charger e Challenger por um muscle car alimentado por bateria. Dito isso, com Carlos Tavares fora do caminho e Tim Kuniskis assumindo o comando das marcas americanas, a Dodge está pronta para uma grande retomada.

A empresa manteve a produção dos populares Durango V-6 e V-8, lançou recentemente o Charger Sixpack com motor a combustão e ainda há rumores de um novo Charger V-8 no horizonte. A Dodge certamente não teve um ano brilhante, mas isso é apenas um pequeno tropeço para uma marca com bastante fôlego.

Galeria: Fiat 500 Hybrid 2026

Fiat: Manter, mas Sair dos EUA

Vendas em 2025: 800.000 unidades (est.)

Nos Estados Unidos, a Fiat é conhecida basicamente pelo sem-graça 500. Mas, lá fora, ainda é uma gigante, com mais de 1,2 milhão de veículos vendidos em 2024. A Fiat é forte em sua terra natal, a Itália, mas é mais relevante na América do Sul, onde nossa filial brasileira comanda o mercado.

Não há motivo para se livrar da Fiat — ela tem vendas e história suficientes para continuar sendo uma das marcas mais importantes da Stellantis. Precisamos mesmo da Fiat na América, porém? Dado nosso histórico de aversão a carros pequenos — especialmente elétricos — talvez a Stellantis devesse focar em outras marcas no mercado norte-americano.

Galeria: Jeep no Salão do Automóvel de São Paulo

Jeep: Manter

Vendas em 2025: 1,0 milhão (est.)

A Jeep deve vender mais de 1 milhão de carros globalmente em 2025, o que a torna a marca mais popular da Stellantis. Ela não vai a lugar nenhum.

Galeria: Lancia Ypsilon 2024

Lancia: Vender

Vendas em 2025: 50.000 unidades (est.)

A Stellantis não sabe o que fazer com a Lancia. Para uma marca com tamanha herança no rali, as últimas décadas da Lancia foram basicamente de carros rebatizados, sem alma. O novo Ypsilon ao menos parece promissor, e a empresa está explorando um pouco mais sua herança no rali. Mas é tarde demais e em dose muito pequena.

A Stellantis precisa tirar a Lancia de seu guarda-chuva e deixar um novo proprietário tentar resgatar esse passado nos ralis. No ano passado, a empresa vendeu apenas cerca de 32.000 carros. As vendas já parecem melhores em 2025, com o novo Ypsilon completando seu primeiro ano cheio de mercado, mas a Lancia ainda não tem volume suficiente para justificar que permaneça sob controle da Stellantis.

Galeria: Maserati Grecale Folgore

Maserati: Vender

Vendas em 2025: 9.000 unidades (est.)

Assim como a Lancia, a Maserati parece outra pedra no pé da Stellantis. Para uma empresa com tanta história e uma longa linhagem de esportivos excelentes, a linha atual da Maserati está longe de ser o que poderia. Sim, o MC20 — ou melhor, MCPura — é excelente, e o GranTurismo está melhor do que nunca.

Ainda assim, mesmo com dois bons esportivos e um SUV de luxo competente, o Grecale, a Maserati deve vender menos de 10.000 carros neste ano. Isso representará queda em relação a 2024. Se a Stellantis ainda não conseguiu descobrir o que fazer com a Maserati, talvez seja hora de vender a marca para alguém que consiga.

Galeria: Opel Astra (2026) e Opel Astra Sports Tourer (2026)

Opel / Vauxhall: Fundir

Vendas em 2025: 700.000 unidades (est.)

Opel e Vauxhall são basicamente uma única empresa operando com duas marcas diferentes, dependendo do país em que vendem. Elas oferecem exatamente os mesmos carros e somam mais de meio milhão de veículos por ano em mais de 60 países. A Stellantis diz que as duas continuam separadas por motivos de herança e necessidades específicas de imagem em cada região. Isso deveria mudar.

Na tentativa de enxugar o portfólio, fundir Opel e Vauxhall deveria ser uma das primeiras medidas da Stellantis. Fazer isso simplificaria as coisas e consolidaria duas marcas que, francamente, não precisam existir lado a lado.

Galeria: Peugeot no Salão do Automóvel

Peugeot: Manter

Vendas em 2025: 850.000 unidades (est.)

A Peugeot é uma das maiores geradoras de caixa da Stellantis, com a montadora francesa tendo vendido mais de 1 milhão de carros em 2024. Mesmo em um ano fraco, em que a empresa deve ficar entre 800.000 e 850.000 unidades, ainda é um dos nomes mais importantes e reconhecidos da França. A Stellantis tem todos os motivos para manter a Peugeot em sua linha.

Galeria: Ram no Salão do Automóvel

Ram: Manter

Vendas em 2025: 400.000 (est.)

Em 2009, a Stellantis separou a Ram como marca própria, distinta da Dodge. De todos os spinoffs desta lista, a Ram é, provavelmente, o mais bem-sucedido. A fabricante de picapes vendeu mais de 370.000 caminhonetes no ano passado e caminha para um 2025 ainda melhor, em parte graças ao retorno do V-8 Hemi. A Ram até estuda lançar um SUV para expandir sua gama de produtos. A Ram não vai a lugar algum — nem deveria.

Envie seu flagra! flagra@motor1.com