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Dirigimos o C3 XTR e o Aircross 7 XTR, os suaves aventureiros da Citroën

Novas versões têm em comum o acabamento melhorado e a tranquilidade nas lombadas

Citroën Aicross XTR 7 Turbo 200 - Credito - Pedro Bicudo
Foto de: Citroën

A semana que passou foi educativa em matéria de afinação dos automóveis da Stellantis. Comparamos os híbridos-leves Peugeot 208 GT e Fiat Pulse Impetus e, de quebra, guiamos os Citroën C3 XTR, Aircross XTR e Basalt Dark Edition em seu lançamento.

Dos cinco carros citados, quatro compartilham o motor GSE T200 1.0 turbo de 125/130 cv e o câmbio CVT Aisin K313 — até mesmo o escalonamento de suas sete marchas virtuais é idêntico. A exceção é o C3 XTR, que traz o Firefly 1.0 aspirado (71/75 cv) e câmbio manual de cinco marchas.

Galeria: Primeiras impressões Citroën C3 XTR 2026

Todos os projetos seguem a receita básica da indústria nacional: suspensão McPherson na dianteira, eixo de torção na traseira, direção com assistência elétrica e freios a disco na frente, com tambores atrás (os diâmetros variam de acordo com o modelo).

Quatro deles (o Peugeot e os três Citroën) usam a plataforma CMP, projetada ainda nos tempos da PSA. As distâncias entre-eixos, contudo, são diferentes — e ainda mais variado é o acerto dinâmico de cada um.

Aqui chegamos ao ponto principal: mesmo compartilhando tantos componentes, cada marca consegue conservar uma identidade própria. Enquanto o Peugeot 208 GT é firme como um esportivo e o Fiat Pulse é um carro confortável no ponto certo para o dia a dia na cidade, os Citroën oferecem um acerto ultra macio — que a Stellantis chama de tapete mágico.

E toda essa longa introdução é para falar da experiência de guiar os recém-lançados C3 XTR e Aircross XTR, versões aventureiras da família C-Cubed da Citroën, fabricada em Porto Real (RJ).

Galeria: Primeiras impressões Citroën Aircross XTR

Aircross XTR

A versão XTR do Citroën Aircross é a mais cara da gama (R$ 130 mil), posicionada acima da Shine (R$ 127 mil). Entre as novidades, o nome “Aircross 7” aparece centralizado na tampa traseira, sem o “C3” de antes. Agora, todas as versões (exceto a Feel 5, voltada para vendas a PcD) têm sete lugares de série.

As linhas da dianteira não mudaram — ainda não foi desta vez que o modelo nacional ganhou a aparência mais moderna da versão europeia. Até os faróis continuam a ser halógenos. O visual aposta em adesivos que combinam verde pistache e cinza (no capô e nas colunas), double chevrons escurecidos, borrachões laterais e plástico preto brilhante na grade e nos retrovisores.

As rodas têm acabamento grafite acetinado e calçam pneus Pirelli Scorpion 215/60 R17 AT. É a  alteração que mais chama atenção no visual, já que os pneus de uso misto dão ao Citroën um apelo mais “SUV”. Em diâmetro externo, contudo, nada muda em relação aos pneus da versão Shine. A suspensão também não sofreu alterações.

Citroën Aicross XTR 7 Turbo 200 - Credito - Pedro Bicudo (26)

Citroën Aicross XTR 7 Turbo 200 - Credito - Pedro Bicudo (26)

Foto de: Citroën

Se antes o Aircross era criticado pelo acabamento interno simplório — que deixava clara a atual condição da Citroën como marca de entrada do grupo Stellantis — agora há sinais de mais cuidado. São toques simples, mas que fazem muita diferença. 

A faixa central do painel ganhou revestimento macio. Os bancos e as laterais de portas agora usam materiais mais agradáveis ao olhar e ao toque. O volante traz costuras verdes, cor-tema da versão XTR. Já as saídas de ar e parte do tablier receberam acabamento em black piano. O pacote inclui ainda ar-condicionado digital automático. Como antes, há quatro airbags.

Citroën Aicross XTR 7 Turbo 200 - Credito - Pedro Bicudo

Citroën Aicross XTR 7 Turbo 200 - Credito - Pedro Bicudo

Foto de: Citroën

O motorista, finalmente, passa a ter os comandos elétricos de todos os vidros bem à mão, na porta. As antigas teclas do console central, antes usadas para abrir as janelas traseiras, foram aposentadas no Aircross e no Basalt, dando lugar a botões nas laterais — bem mais cômodos para os passageiros.

Mas nem tudo é capricho. Ao levantar o capô, o motorista encontra um cofre pintado apenas com primer (ironicamente, verde pistache…) e salpicado de tinta da carroceria. Um cliente de oficina de bairro mandaria o carro de volta ao pintor descuidado.

Citroën Aircross XTR - Crédito - Jason Vogel

Citroën Aircross XTR - Crédito - Jason Vogel

Foto de: Citroën

Em ação

A sigla XTR já havia sido usada numa versão aventureira do primeiro C3 nacional, entre 2006 e 2012. Teoricamente, significava “eXTReme” — mas no caso do Aircross poderia bem ser “eXTRamacio”.

Rodar com o Aircross XTR é como atravessar a cidade num colchão inflável. Quebra-molas, valetas e buracos praticamente somem sob as rodas. A direção, por sua vez, é superassistida. O objetivo parece ter sido dar um feeling de Citroën DS (1955-1975) ou 2CV (1948-1990) a um modelo de entrada equipado com molas e amortecedores convencionais. 

No asfalto bom, o Aircross XTR se mantém estável o suficiente para viagens tranquilas, sem transmitir insegurança. É perfeito para regiões cheias de lombadas e buracos, como o bucólico bairro de Ilha de Guaratiba, na Zona Oeste do Rio, onde guiamos o carro. Por distração, passamos por duas lombadas sem reduzir a velocidade — e o carro nem sentiu. Uma mãe levando os filhos para a escola provavelmente acharia um espetáculo toda essa suavidade.

Citroën Aicross XTR 7 Turbo 200 - Credito - Pedro Bicudo

Citroën Aicross XTR 7 Turbo 200 - Credito - Pedro Bicudo

Foto de: Citroën

Os 130 cv do motor T200 (sem qualquer sistema híbrido) até animam, mas o acerto flutuante da suspensão e os comandos leves não convidam a uma tocada mais esportiva. Em uma serra sinuosa, como a que vai de Guaratiba à praia de Grumari, passageiros podem enjoar. O isolamento acústico também poderia ser melhor.

Chegando ao Grumari, pegamos um caminho de terra batida entre o mar e a montanha.  Foi o ambiente em que o Aircross se mostrou mais à vontade: leve, alto (23,3 cm de vão livre) e com pneus de uso misto, encarou o terreno sem drama. É daqueles carros que parecem se divertir em estradinhas de sítio.

O Citroën Aircross XTR não é SUV para quem gosta de curvas ou acelerações empolgantes. É o carro ideal para rodar sem pressa, absorvendo irregularidades como poucos. Quem transita por ruas e estradas cheias de buracos vai se sentir em casa — e ainda com sete lugares para levar a criançada, graças ao entre-eixos de 2,67 m.

Por fim, os números da ficha técnica: 0 a 100 km/h em 10 s e máxima de 195 km/h. O consumo é de 10,9 km/l na cidade e 12,4 km/l na estrada, sempre com gasolina. Nada excepcional para os padrões atuais.

Citroën C3 XTR - Credito - Pedro Bicudo

Citroën C3 XTR - Credito - Pedro Bicudo

Foto de: Citroën

C3 XTR

O hatch C3 também ganhou versão XTR em sua linha 2026. Custa R$ 89 mil e é o novo topo entre os C3 com motor 1.0 Firefly aspirado (71/75 cv) e câmbio manual. Na gama, posiciona-se acima do C3 Feel (R$ 86 mil) e abaixo do C3 You! (R$ 104 mil), que traz motor 1.0 turbo e câmbio CVT.

O visual repete a receita do Aircross, com adesivos verde pistache no capô, laterais e colunas C, além de acabamentos pretos. No interior, acaba aquela sensação de puro plástico duro: no painel e nas laterais há materiais mais agradáveis ao toque, costuras aparentes e muito black piano. Para o preço que custa o C3 XTR, nota-se um capricho bem acima da média.

Citroën C3 XTR - Credito - Divulgação

Citroën C3 XTR - Credito - Divulgação

Foto de: Citroën

A principal novidade é a adoção do quadro de instrumentos colorido de 7” com conta-giros, o mesmo dos Aircross e Basalt. Nada daquele cluster preto e branco simplório. A central multimídia, de 10,25”, é mais fininha que antes e com moldura em black piano. 

O carro vem de série com ar-condicionado digital automático. Outra evolução: o motorista finalmente tem os comandos dos quatro vidros na porta. Quem vai atrás, no entanto, continua dependente das teclinhas no console central. Em um ponto, não houve melhora: o C3 ainda traz apenas os dois airbags obrigatórios por lei.

A posição de dirigir é curiosa: você está num hatch, mas sentado tão alto quanto num SUV compacto. Isso combina bem com a proposta aventureira do XTR (e nem um pouco com a versão turbinada You!).

Citroën C3 XTR - Credito - Pedro Bicudo

Citroën C3 XTR - Credito - Pedro Bicudo

Foto de: Citroën

 Os Pirelli Scorpion ATR 205/60 R15 também casam melhor com o visual. Além de terem biscoitos mais pronunciados, são mais largos que os 195/65 R15 usados nas outras versões. Nem por isso são ruidosos.

O C3 XTR é curtinho (entre-eixos de 2,54 m), alto (18 cm de vão livre) e montado em uma suspensão de gelatina Royal, nada esportiva, mas ótima para encarar lombadas. Em subidas íngremes, exige reduzir marchas e acelerar forte. Os ruídos do motor aspirado e da transmissão se fazem mais presentes na cabine do que no Aircross.

No trecho de terra, mantendo 40 a 55 km/h, percebe-se como a suspensão trabalha bem no piso irregular. Nada de raspar o fundo ou “dar batente” nos buracos.

Com aceleração de 0 a 100 km/h em 15 s e máxima de 160 km/h, o C3 XTR passa muito longe de ser um carro extremo. Em compensação, o consumo segundo o ciclo do Inmetro é de 13 km/l na cidade e 14,2 km/l na estrada (sempre com gasolina).

Citroën C3 XTR - Credito - Pedro Bicudo

Citroën C3 XTR - Credito - Pedro Bicudo

Foto de: Citroën

O que você pensa sobre isso?

O conjunto Firefly 1.0 e câmbio manual de cinco marchas  C513, ambos de origem Fiat, garante manutenção simples e barata — eliminando o fantasma de custos que sempre rondou a Citroën no Brasil.  É isso: o C3 XTR é um bom sucessor espiritual do Mille Way. 

Mas, quer saber? Dos três Citroën da linha 2026 que guiamos, o mais interessante foi o Basalt Dark Edition — mas isso já é assunto para outra matéria.

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