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CFMoto Ibex ou Royal Enfield Himalayan: qual é a melhor 450 do momento?

Com cilindradas similares, mas entregas muito diferentes, dupla mostra como sempre é bom ter concorrência

Comparativo: CFMoto Ibex 450 e Royal Enfield Himalayan 450
Foto de: Motor1 Brasil

Contribuiu para a avaliação Rodrigo Perini - Estava a Royal Enfield em seu lugar, mas veio a CFMoto lhe incomodar. Para quem queria uma aventureira média que entregasse mais que uma Honda Sahara 300 e não custasse tanto quando uma Honda NX500, a Himalayan era uma das poucas alternativas para quem buscava gastar menos de R$ 35 mil. Era porque agora existe a Ibex 450 da rival chinesa.

E por mais que ambas tenham cilindradas praticamente idênticas, entregam experiências muito diferentes e confirmam algo que já é de conhecimento comum: ter concorrência é sempre bom. A Himalayan segue com todos os atributos sólidos que conquistaram milhares de compradores brasileiros nos últimos anos, mas a Ibex 450 mostra que sonhar com mais não custa nada.

Na verdade custa: R$ 35.990 pelo site da CFMoto que ainda está trabalhando com reservas, pois as 8 concessionárias brasileiras da marca não estão dando conta da demanda. Já a Royal Enfield está cobrando R$ 31.990 pela Himalayan 450 na configuração Hane Black, com rodas raiadas e pneus sem câmara como a moto das fotos.

O que cada uma traz

Sendo duas aventureiras de média cilindrada que competem mundialmente entre si, não há muita surpresa na lista de equipamentos de série. Ambas já contam iluminação completa por lâmpadas de LED, painel de instrumentos digital colorido com tela TFT, conectividade via Bluetooth, pareamento para mapas via aplicativo, controle de tração e ABS desligável.

Mas então começam pequenas diferenças entre as duas. A Himalayan tem uma bolha aerodinâmica esguia e fixa, enquanto a Ibex tem uma peça um pouco mais larga e ajustável por meio de uma roldana. O aplicativo da CFMoto também é mais intuitivo e, por trazer rastreador de série, oferece função de geofencing. Outra diferença está no acelerador: a Royal Enfield oferece acelerador eletrônico. Isso permite oferecer modos de condução customizáveis, mas desligar o ABS para off-road fica atrelado aos modos ou enterrado nos menus do painel.

Royal Enfield Himalayan 450

Royal Enfield Himalayan 450

Fotos de: Motor1 Brasil
CFMoto Ibex 450

CFMoto Ibex 450

Fotos de: Motor1 Brasil

A CFMoto foi pelo caminho mais simples, com acelerador a cabo, sem modos de condução e o desligamento do ABS pode ser feito por meio de um botão no guidão. A diferença mais relevante é que a Himalayan tem cavalete central, mas a Ibex não. Ela responde trazendo protetores de mão de fábrica, algo que não é oferecido na rival. No geral, os comandos de punho da CFMoto têm uma ergonomia mais bem resolvida, facilitando o uso. Um exemplo de como a Royal complica algumas coisas é o seu lampejador de farol acionado pelo botão circular do lado esquerdo, não como gatilho para o indicador da mão esquerda como é mais comum.

Vale a nota de que o painel digital da Royal, redondo, pode ser mais bonito, mas sua usabilidade não é tão fluída quanto a do painel retangular da CFMoto. Além de um software que demanda surfar por mais menus até chegar onde se quer, usa uma fraca haste de comando no punho em conjunto com um botão para voltar à página inicial à frente do punho, onde costuma aparecer um lampejador de farol. O gda Ibex tem uma interface limpa na tela, menos menus e o comando é feito por grandes botões no punho.

Comparativo: CFMoto Ibex 450 e Royal Enfield Himalayan 450

Comparativo: CFMoto Ibex 450 e Royal Enfield Himalayan 450

Foto de: Motor1 Brasil

Visualmente, a Royal Enfield fez o que sempre faz: a Himalayan 450 aposta no clássico farol redondo e um tanque esguio que a deixa mais próxima de uma aventureira da década de 1980 do que a rival. Sem bagagem histórica, a CFMoto tinha mais liberdade para criar, mas seguiu a cartilha das aventureiras médias modernas, com faróis divididos e um grande tanque com carenagens. Nesse ponto, a iluminação provida pela Ibex é mais forte que o da Himalayan.

Mas elas se diferem na traseira. A Himalayan foi pelo caminho trilhado pela linha GS da BMW e não tem uma lanterna convencional. A função, junto com a de luzes de freio, está integrada aos piscas traseiros. Enquanto isso, a Ibex tem uma lanterna convencional com piscas separados. Alguma delas é mais bonita que a outra? Difícil dizer, dadas as abordagens muito diferentes. Fica ao gosto do freguês.

Comparativo: CFMoto Ibex 450 e Royal Enfield Himalayan 450

Comparativo: CFMoto Ibex 450 e Royal Enfield Himalayan 450

Foto de: Motor1 Brasil

Em medidas, as duas aventureiras são muito próximas, mas cada uma faz escolhas diferentes. A Royal Enfield Himalayan 450 é ligeiramente maior, com 2.285 mm de comprimento, 852 mm de largura e 1.316 mm de altura, além de 1.510 mm de entre-eixos. A CFMoto Ibex 450 mede 2.210 mm de comprimento, 870 mm de largura e 1.390 mm de altura, com 1.505 mm de entre-eixos. A chinesa te, banco ajustável entre 800 mm e 820 mm, enquanto a Himalayan oferece 825 mm, podendo chegar a 845 mm com o assento na posição alta.

A distância livre do solo favorece a Royal Enfield, com 230 mm, contra 220 mm da CFMoto. No peso, porém, a vantagem fica com a Ibex 450, que registra 185 kg, enquanto a Himalayan chega a 196 kg em ordem de marcha. Ambas contam com tanque de combustível de praticamente o mesmo tamanho: 17,5 litros na CFMoto e 17 litros na Royal Enfield.

Royal Enfield Himalayan 450

Royal Enfield Himalayan 450

Fotos de: Motor1 Brasil
CFMoto Ibex 450

CFMoto Ibex 450

Fotos de: Motor1 Brasil

Na motorização, a cilindrada é similar, mas a execução não. A CFMoto Ibex 450 aposta em um bicilíndrico paralelo de 450,6 cm³, com duplo comando (DOHC), arrefecido a líquido e que desenvolve 44 cv a 8.500 rpm e 4,3 kgfm a 6.500 rpm. Já a Royal Enfield Himalayan 450 utiliza um monocilíndrico de 451,6 cm³, também DOHC e arrefecido a líquido, entregando 40 cv a 8.000 rpm e 4,1 kgfm a 5.500 rpm. O câmbio é semelhante nas duas motocicletas, com transmissão mecânica de seis marchas e embreagem deslizante.

Em suspensões, ambas adotam soluções de perfil off-road. A CFMoto utiliza garfo invertido KYB de 41 mm de diâmetro, com regulagens de compressão e retorno, além de monoamortecedor KYB com ajuste de retorno e pré-carga. Os cursos são de 200 mm nos dois eixos. A Himalayan também emprega garfo invertido, porém de 43 mm, e monoamortecedor com bieletas (fornecidos pela Showa), mantendo igualmente 200 mm de curso na dianteira e na traseira, mas sem ajustes.

CFMoto Ibex 450

CFMoto Ibex 450

Foto de: Motor1 Brasil

Os freios seguem configurações bastante próximas, mas com pequenas diferenças. A Ibex 450 utiliza disco dianteiro de 320 mm com pinça de quatro pistões e disco traseiro de 240 mm com pinça de pistão simples. Já a Himalayan emprega disco dianteiro de 320 mm com pinça de dois pistões e disco traseiro de 270 mm com pinça de pistão simples. 

Nas rodas e pneus, as duas seguem a receita tradicional das aventureiras médias, com 21" na dianteira. Na Himalayan, a roda traseira é de 17", contra 18" na Ibex. A CFMoto utiliza pneus 90/90 R21 e 140/70 R18, enquanto a Himalayan adota medidas 90/90-21 e 140/80 R17. Em comum, ambas contam com rodas raiadas compatíveis com pneus sem câmara (tubeless).

Comparativo: CFMoto Ibex 450 e Royal Enfield Himalayan 450
Foto de: Motor1 Brasil

Como uma anda e a outra corre

Para a surpresa de um total de zero pessoas, a Royal Enfield Himalayan não é moto dada a andar rápido. Mais pesada e longa, ela privilegia estabilidade na estrada e controle fora dela. A 120 km/h, mantém o motor em cerca de 6.000 rpm e trabalha mais o torque. É moto para andar tranquilo, como qualquer Royal, até porque a Himalayan é mais lenta e exige mais esforço para mudar de direção do que a rival. E como estamos falando de um monocilíndrico, o motor passa vibração perceptível, especialmente nas pedaleiras. É um efeito bem comedido para o um big single, mas não se compara a um bicilíndrico.

Se a Himalayan recompensa a tocada tranquila, a CFMoto Ibex 450 é o diabinho no seu ombro sempre pedindo mais. Abaixo de 3.000 rpm, não tem ninguém em casa, mas o bicilíndrico ganha giro rápido e gosta de deixar o ponteiro lá em cima mesmo. É um temperamento mais explosivo que o da Royal, imposto também pela relação final mais curta. A 120 km/h a Ibex está a 7.500 rpm, sendo que ela corta pouco depois de 9.000 rpm.

Comparativo: CFMoto Ibex 450 e Royal Enfield Himalayan 450

Comparativo: CFMoto Ibex 450 e Royal Enfield Himalayan 450

Foto de: Motor1 Brasil

E o motor realmente não liga: vai empurrar a moto até a velocidade máxima de 160 km/h de sexta marcha cortando o giro sem dó. A Himalayan até chega nessa velocidade, mas com disposição menor e precisa de mais espaço para atingir tal marco. Na transmissão, nenhuma das duas é propensa a relatar um "falso neutro", a CFMoto tem engates mais curtos e firmes, ao passo que a Royal tem uma alavanca mais leve e que pede mais curso para efetuar as trocas.

Precisamos também falar dos aceleradores. Na Ibex, acionado por cabo, não tem segredo: qualquer toque na manopla representa uma rápida resposta do motor. A Himalayan e seu acelerador eletrônico já parece não responder tão bem ao que o condutor quer. Também precisa-se contabilizar que o mapa do acelerador parece mudar dependendo da marcha, com a primeira tendo respostas beirando o letárgico e privilegiando o controle em baixas velocidades, e ficando mais arisco nas demais. Demorou para nos acostumarmos.

Comparativo: CFMoto Ibex 450 e Royal Enfield Himalayan 450
Comparativo: CFMoto Ibex 450 e Royal Enfield Himalayan 450

A ergonomia da Himalayan é um pouco mais fechada, deixando os joelhos do condutor mais dobrados. Por ser mais pesada, também é mais difícil de tirar do descanso lateral, ainda mais porque é um descanso lateral que deixa a moto inclinar muito. No demais, uma aventureira convencional, com o guidão largo deixando os braços bem aberto e numa altura que deixa os braços numa posição relaxada. A bolha também funciona bem, apesar de parecer muito estreita, protegendo o peito do condutor e passando pouca turbulência para o capacete.

Já a bolha da CFMoto funciona tão bem quanto, mas com a vantagem de você poder regular sua altura. A mesma postura relaxada e com braços abertos é encontrada na Ibex 450, mas as pedaleiras são mais baixas, deixando os joelhos menos dobrados.

CFMoto Ibex 450

CFMoto Ibex 450

Foto de: Motor1 Brasil

Para andar nos corredores da vida, ambas tem pontos positivos e negativos. A Himalayan, mais longa e estreita, tem mais estabilidade para andar em linha reta a baixas velocidades e o tanque mais estreito passa mais confiança na hora de dividir os espaços, mas é exatamente seu tamanho que a deixa menos ágil para sair de um corredor e entrar em outro. A Ibex é o inverso: mais fácil e leve para quebrar de um lado para o outro, mas o tanque largo vai te deixar empacado num corredor mais estreito.

Ambas têm suspensões de longo curso, mas a Ibex permite ajustar como você quer a resposta dos amorteceres. Junto ao temperamento mais apimentado do motor, é uma moto que te faz ignorar lombadas e valetas se quiser. A Himalayan também pode fazer isso, mas não te atiça para tal. Para quem realmente for pro off-road, a CFMoto é mais fácil para pilotar de pé, com o largo tanque provendo bom apoio para os joelhos. A Royal não é ruim nesse quesito, mas o tanque estreito te faz andar com as pernas muito fechadas ao se pilotar de pé.

Uma escolha nem tão óbvia

Moto por moto, a Ibex 450 leva. A CFMoto chega com um pacote muito atrativo, equilibrando desempenho, equipamentos e um bom preço. Mas é uma marca engatinhando no Brasil, com poucas lojas, e a Ibex já chamou atenção demais nas ruas. Entenda isso como quiser. Resta à Himalayan o preço um pouco menor, mas que pode ajudar a pagar licenciamento e seguro, e uma rede concessionárias da Royal Enfield mais robusta e estabelecida no País.

O que você pensa sobre isso?

Se a estrutura das duas marcas estivesse em pé de igualdade, a Ibex levaria sem ressalvas. Também resta à Himalayan o público que não está procurando uma moto que instiga sempre a andar rápido - independente do terreno - como a CFMoto.

Fichas técnicas

  Royal Enfield Himalayan 450 CFMoto Ibex 450
MOTOR monocilíndrico, 4 válvulas, 451,6 cm³, duplo comando (DOHC), arrefecido a líquido, injeção eletrônica, gasolina bicilíndrico paralelo, 8 válvulas, 450,6 cm³, duplo comando (DOHC), arrefecido a líquido, injeção eletrônica, gasolina
POTÊNCIA/TORQUE 40 cv a 8.000 rpm; 4,1 kgfm a 5.500 rpm 44 cv a 8.500 rpm; 4,3 kgfm a 6.500 rpm
TRANSMISSÃO câmbio manual de 6 marchas, embreagem deslizante; transmissão por corrente câmbio manual de 6 marchas, embreagem deslizante; transmissão por corrente
SUSPENSÃO/RODAS E PNEUS garfo Showa invertido de 43 mm na dianteira (200 mm de curso), monoamortecedor Showa com bieletas na traseira (200 mm de curso); rodas raiadas de 21" na dianteira e 17" na traseira com pneus 90/90-21 e 140/80 R17 (tubeless) garfo invertido KYB de 41 mm com regulagem de compressão e retorno na dianteira (200 mm de curso), monoamortecedor KYB com ajuste de retorno e pré-carga na traseira (200 mm de curso); rodas raiadas de 21" na dianteira e 18" na traseira com pneus 90/90 R21 e 140/70 R18 (tubeless)
FREIOS disco ventilado de 320 mm na dianteira com pinça de dois pistões, disco de 270 mm na traseira com pinça de pistão simples; sistema ABS de dois canais (desligável) disco ventilado de 320 mm na dianteira com pinça de quatro pistões, disco de 240 mm na traseira com pinça de pistão simples; sistema ABS Bosch de dois canais (ajustável na traseira)
PESO 196 kg em ordem de marcha 185 kg em ordem de marcha
DIMENSÕES comprimento 2.285 mm, largura 852 mm, altura 1.316 mm, entre-eixos 1.510 mm, altura do assento 825/845 mm, altura livre do solo 230 mm comprimento 2.210 mm, largura 870 mm, altura 1.390 mm, entre-eixos 1.505 mm, altura do assento 800/820 mm, altura livre do solo 220 mm
CAPACIDADES tanque 17 litros tanque 17,5 litros

Fotos: Mario Villaescusa e Redação Motor1.com Brasil

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