O mundo automotivo vive um momento de decisões. Enquanto mercados mais desenvolvidos rumam para a eletrificação total. Montadoras como Audi, Mercedes-Benz, General Motors e Ford já anunciaram que terão apenas veículos eletrificados num futuro não muito distante. A Europa caminha para a aprovação de leis que visam a venda de veículos de emissão zero a partir de 2035. E o Brasil? O que vai acontecer com o nosso mercado?

Para dar uma visão dos caminhos possíveis para o Brasil, um estudo liderado pela Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) em conjunto com o Boston Consulting Group (BCG), indica os resultados de 3 possíveis cenários. Dependendo da rota a ser seguida, os veículos leves eletrificados poderão responder por até 62% do total vendas em 2035.

Renault Zoe 2020

No seminário “Anfavea: O Caminho da Descarbonização do Setor Automotivo” que aconteceu na última terça-feira (10), três grandes cenários para o futuro da motorização veicular, considerando a realidade brasileira, foram apresentados com uma perspectiva dos próximos 15 anos.

"Enfrentar as mudanças climáticas é o maior desafio da nossa geração. Na indústria automotiva, tecnologias de eletrificação e maior uso de combustíveis sustentáveis já se mostram um caminho sem volta. As empresas precisam se preparar para o desafio e mirar as novas oportunidades, investindo em produção, infraestrutura, distribuição, novos modelos de mobilidade e serviços, além da capacitação dos seus profissionais”, disse Masao Ukon, sócio sênior do BCG Brasil e líder do setor Automotivo na América do Sul.

Comparativo: Jeep Compass S vs. Toyota Corolla Cross XRX Hybrid vs. VW Taos Launch Edition

Dentro do estudo, o primeiro cenário chamado de “Inercial” indica o que pode acontecer se o Brasil seguir no ritmo atual, sem metas estabelecidas para o transporte e na geração de energia, e sem uma política de Estado que incentive a eletrificação. Mesmo neste cenário mais conservador, a previsão é de que em 2030 os carros eletrificados representem cerca 12% a 22% e atinja 32% em 2035. Ou seja, o mercado brasileiro vai demandar milhões de unidades de veículos eletrificados até a metade da próxima década. Seriam 432 mil veículos leves/ano em 2030, subindo para 1,3 milhão/ano em 2035.

O segundo, batizado de “Convergência Global”, é uma visão alinhada às mudanças em curso nos países mais desenvolvidos. Nele, a projeção é de que quase 2,5 milhões veículos eletrificados sejam vendidos em 2035, ou seja, 65% dos novos carros vendidos em nosso mercado.

Bomba de combustível - Etanol

O terceiro é o “Protagonismo de Biocombustíveis”, um caminho que privilegiaria combustíveis “verdes”, mas com um grau de eletrificação semelhante ao do cenário “Inercial”. Neste cenário, etanol ganha mais protagonismo como caminho para descarbonização, viabilizado por regulação favorável, frota flex e ampla infra-estrutura de produção e distribuição. Uma das premissas, no entanto, seria o crescimento de 15 pontos percentuais do etanol no mix de combustíveis.

Produção de cana-de-açúcar - Cortesia UNICA - Foto Tadeu Fessel
Produção de cana-de-açúcar também demandará aumento

Seja qual for o caminho que o Brasil escolher, a Anfavea destaca que em todos há a necessidade de se estabelecer políticas públicas, seja para privilegiar os biocombustíveis ou a eletrificação em massa, para que desta forma o setor privado consiga estabelecer as suas estratégias.

Com uma política industrial de Estado adequada e bem planejada, o estudo indica que o Brasil poderá promover um novo ciclo de investimentos nos próximos 15 anos superior a R$ 150 bilhões.

Energias Limpas - Biocombustíveis

"Outros países já definiram suas metas de descarbonização, bem como os caminhos para se chegar a elas. O Brasil, em seu papel de um dos principais mercados para o setor de transporte no mundo, não pode mais perder tempo”, acredita Luiz Carlos Moraes.

Só com essas definições de metas é que os investimentos corretos poderão ser feitos, colocando o Brasil em um caminho global que não tem mais volta, que é o da redução das emissões dos gases de efeito estufa. Temos essa obrigação para com as futuras gerações”, concluiu o Presidente da Anfavea.

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