Onda de Covid, falta de produtos, aumentos de preços e fraqueza econômica freiam recuperação

O ano começou com números negativos que expõem a fragilidade da recuperação econômica enquanto a pandemia não for debelada. O fechamento de 2020 com altas significativas nos índices de consumo e produção da indústria passaram a falsa impressão que a crise poderia ser resolvida mais rapidamente do que o esperado, o que se comprova agora ser um engano. A Covid-19 continua limitando bastante a respiração do mercado.

As vendas de veículos iniciaram 2021 em arrefecimento, com falta de produtos e de insumos para produzir, preços mais altos e novas restrições trazidas pela onda de Covid-19. Os emplacamentos de janeiro caíram 11,5% sobre o mesmo mês de 2020, o que foi explicado em grande medida pelo menor número (2) de dias úteis no primeiro mês deste ano.

Volkswagen Nivus - Exportação

O problema é que a queda seguiu persistente em fevereiro, com a continuação do nível médio de emplacamentos diários na casa de 8.600 unidades em cada um dos primeiros 7 dias úteis do mês, o que representa forte retração de 23% na comparação com a média de 11.288 por dia útil registrada no mesmo intervalo de fevereiro do ano passado.

Se o ritmo não aumentar, o primeiro bimestre tende a fechar com volume abaixo de 350 mil emplacamentos, em contração de 12% em relação aos quase 400 mil um ano antes.

Barreiras ao crescimento

O arrefecimento do mercado em relação aos últimos meses de 2020 é explicado por fatores direta ou indiretamente ligados à pandemia de coronavírus, a começar pela explosão de contágios e mortes pela doença que provocam a aplicação de restrições ao comércio e circulação de pessoas, com impacto de reduzir negócios de maneira geral.

Atrás desse fator primário vêm outros a reboque. O principal é a economia exposta aos efeitos da pandemia e enfraquecida pelo fim de estímulos, como o auxílio emergencial e programas de proteção ao emprego, levando ao aumento da pobreza e elevação sem precedentes do desemprego, que sufocam o consumo pela falta de dinheiro ou confiança, ou ambos.

Ao mesmo tempo em que cai o poder de compra de parcela significativa da população, os preços estão subindo em resposta aos aumentos substanciais de custos industriais, seja pela desvalorização cambial que encarece componentes importados ou pela alta generalizada de matérias-primas – por exemplo, industriais acusam as siderúrgicas de já terem elevado o preço do aço em cerca de 100% ao longo dos últimos 12 meses.

Isso sem esquecer o aumento de imposto no maior mercado consumidor do País, o Estado de São Paulo, que elevou a alíquota do ICMS de vários produtos, inclusive veículos novos e usados. É um movimento inflacionário que potencializa um mesmo resultado: queda nas vendas.

Para completar o quadro de barreiras ao crescimento, a pandemia também desorganizou cadeias de suprimentos no mundo todo, que após uma queda abrupta de pedidos, ficaram despreparadas para atender a demanda quando os mercados se reaqueceram a partir da metade de 2020. Com isso, além de mais caros, diversos insumos industriais estão em falta, incluindo aço e todos os componentes feitos com o metal, além de diversas outras matérias-primas. Mais recentemente, a escassez de componentes eletrônicos (semicondutores) está paralisando linhas de produção por horas e dias.

O resultado é a falta de produtos a entregar para quem ainda pode compra-los, em mais um movimento que limita a respiração do mercado. No segmento de caminhões esse cenário é mais evidente: existem filas de espera por modelos pesados que chegam a 6 meses. A expectativa é que essa situação seja normalizada até a metade do ano, o que pode até acontecer antes se o mercado seguir em rota de declínio.

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O cenário comprova que nenhuma recuperação é definitiva enquanto a pandemia continuar, o que no caso do Brasil pode levar muitos meses à frente em face do atraso e da lentidão na vacinação, aliada à ausência de políticas públicas eficazes, tanto para retardar os contágios como para acelerar a imunização.

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