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GAC explica como pretende crescer no Brasil além dos carros elétricos

Diretor de Marketing da GAC Brasil detalha estratégia para produção nacional, novos lançamentos e expansão da marca

Luiz Fernando Guidorzi - CMO da GAC Brasil
15:19

A chegada das montadoras chinesas ao Brasil costuma ser medida pelo número de carros vendidos. Mas, para a GAC, esse é apenas um dos indicadores. Durante o Podcast do E-Days 2026, Luiz Fernando Guidorzi, Diretor de Marketing e Comunicação da GAC Brasil, explicou que a estratégia da fabricante passa por uma construção muito mais ampla, envolvendo produção nacional, desenvolvimento de novos produtos, infraestrutura de recarga e adaptação ao perfil do consumidor brasileiro.

Em conversa com Leonardo Fortunatti, Editor-Chefe do Motor1.com Brasil, o executivo detalhou como a empresa pretende transformar uma operação recém-chegada em uma marca consolidada no mercado nacional.

O momento da GAC é significativo. Poucas semanas após iniciar oficialmente suas operações, a fabricante já comemora os primeiros resultados do Aion UT, hatch elétrico que rapidamente se tornou o principal cartão de visitas da empresa no país. Segundo Guidorzi, o modelo superou a marca de 1.300 reservas, desempenho que confirma o interesse do consumidor brasileiro por veículos eletrificados quando produto, preço e tecnologia conseguem conversar na mesma linguagem.

"O Aion UT superou 1.300 reservas em poucas semanas e cerca de 70% dos clientes optaram pela versão mais completa."
GAC Aion UT no Brasil fotos ao vivo

GAC Aion UT

Foto de: Motor1 Brasil

O executivo explicou que esse comportamento ajuda a desmontar um antigo paradigma do mercado nacional. Se durante muitos anos o consumidor priorizava apenas preço, hoje tecnologia embarcada, equipamentos de segurança, conectividade e experiência de uso passaram a ter peso semelhante na decisão de compra. Não por acaso, a configuração mais equipada concentra aproximadamente 70% da demanda do hatch elétrico, indicando uma disposição crescente em investir por mais conteúdo.

A estratégia da GAC, entretanto, vai muito além de um único produto. Guidorzi confirmou que a fabricante prepara uma sequência de lançamentos para ampliar rapidamente seu portfólio no Brasil, ocupando diferentes segmentos e oferecendo alternativas para perfis variados de consumidores. A ideia é repetir um movimento observado em outros fabricantes chineses: construir presença de mercado por meio de uma linha diversificada, sem depender exclusivamente dos veículos elétricos puros.

"Não queremos ser apenas uma marca de elétricos. Vamos oferecer soluções diferentes para diferentes consumidores."

Essa visão explica também os investimentos industriais anunciados pela empresa. A fábrica de Catalão (GO), prevista para iniciar operações em 2027, será um dos pilares da estratégia brasileira. Mais do que reduzir custos logísticos ou minimizar os impactos do imposto de importação, a produção nacional permitirá adaptar produtos às características do mercado local, além de atender aos requisitos do programa Mover e preparar a empresa para uma operação de longo prazo.

GAC Aion UT Elite

GAC Aion UT Elite

Foto de: GAC

Durante a entrevista, Guidorzi também abordou um dos principais gargalos da eletrificação: a infraestrutura de recarga. Na avaliação do executivo, a expansão da rede pública precisa acompanhar o crescimento da frota de veículos elétricos. Por isso, a GAC trabalha em parceria com empresas como GreenV e 99 para ampliar a disponibilidade de carregadores rápidos e tornar a experiência de uso mais simples para quem pretende migrar da combustão.

Outro ponto importante foi a visão da marca sobre a convivência entre diferentes tecnologias. Embora os elétricos sejam protagonistas da estratégia global da GAC, o executivo deixou claro que a empresa acompanha atentamente as particularidades do mercado brasileiro. Isso inclui o desenvolvimento de modelos híbridos, híbridos flex e até veículos com extensor de autonomia (EREV), tecnologias que devem coexistir durante muitos anos antes de uma eletrificação completa da frota nacional.

GAC GS3 2027 - Fotos oficiais (BR)

GAC GS3 2027

Foto de: GAC
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Essa flexibilidade ajuda a explicar por que as fabricantes chinesas vêm ganhando espaço tão rapidamente. Em vez de apostar em uma única solução, elas conseguem responder com velocidade às mudanças de comportamento do consumidor e às particularidades de cada mercado. O Brasil, onde convivem infraestrutura desigual, matriz energética favorável e ampla utilização do etanol, exige justamente esse tipo de adaptação.

Ao longo da conversa, Guidorzi deixou claro que a GAC não pretende disputar espaço apenas com preço competitivo. A empresa busca construir uma operação sólida, baseada em produção local, ampliação do portfólio e investimentos em tecnologia, conectividade e infraestrutura. É uma estratégia menos imediatista e mais próxima do que outras montadoras chinesas já demonstraram nos últimos anos.

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