Calmon: Fiat comemora 50 anos e anuncia cinco lançamentos em cinco anos
Além do plano da Fiat, coluna mostra as mudanças entre os carros mais vendidos e as impressões ao volante do MG4 Urban
O mais “jovem” dos grandes grupos da indústria automobilística, instalada no País há 70 anos, comemora cinco décadas com um plano bem estruturado de novos produtos. A marca Fiat estreou no Brasil em 9 de julho de 1976. Primeiro modelo, o 147, tinha arquitetura baseada no 127 italiano. Acaba de completar meio século desde a inauguração do seu complexo produtivo em Betim (MG), o primeiro fora do berço paulista de produção de veículos no País.
Pequeno por fora e relativamente grande por dentro, o pioneiro 147 apresentava soluções racionais como motor transversal dianteiro, estepe no cofre do motor, ótimo porta-malas de 350 litros e muito bom espaço interno. Em razão do volante inclinado, o motorista regulava o banco um pouco mais à frente e quem sentava no banco traseiro ganhava espaço para pernas. Comprimento de apenas 3.627 mm (referência do Fusca, 4.070 mm) facilitava estacionar.
Fiat 147, primeiro carro da italiana no país
Fiat tornou-se líder de vendas no mercado brasileiro em 2004 e assim permaneceu até 2015. Passou por um período mais difícil e retomou a posição de ponta em 2021. A presença mais forte da marca italiana está no mercado de picapes. Começou com a 147 Pickup derivada do hatch e de cabine simples, em 1978. Evoluiu para Pick-up City, cabine estendida, de 1981.
A Strada, lançada em 1998, consolidou a marca como especialista neste tipo de veículo. Evoluiu para cabine estendida em 1999 e cabine dupla em 2009. Em 2020, passou por renovação completa, com quatro portas e cinco lugares. No ano seguinte, a Fiat assumiu a liderança do mercado brasileiro pela segunda vez e assim permanece até hoje.
Fiat Strada de primeira geração
A segunda unidade industrial foi inaugurada em 2016. Da fábrica de Goiana (PE), saiu a primeira picape intermediária do País, a Toro, que já vendeu 650.000 unidades. No total, mais de 19 milhões de veículos fabricados no Brasil.
Principais executivos globais do Grupo Stellantis, o presidente do conselho, John Elkann e o presidente executivo, Antonio Filosa estiveram no País esta semana para a comemoração de meio século de presença industrial Fiat no Brasil. Ambos falam português. Filosa, que viveu aqui quase 20 anos, anunciou investimento de R$ 30 bilhões até 2030 e 2.000 novos empregos. Comemoração de meio século incluiu inédito show aéreo noturno com 1.600 drones.
Projeção | Fiat Argo X 2027
Herlander Zola, presidente da Stellantis América do Sul, confirmou cinco lançamentos até 2030. O primeiro, Argo X, em setembro próximo, será a versão brasileira do italiano Grande Panda, sem retirar de linha o Argo atual. “Este continuará pelo tempo que o mercado desejar”, o executivo garantiu.
Além do motor flex de 1 litro de aspiração natural (75 cv e 10,7 kgf·m), haverá o turbo flex com potência limitada a 116 cv (para enquadramento fiscal) e 20,4 kgf·m com sistema semi-híbrido de 12 V. Alguns componentes internos, como volante e console central deverão vir do Pulse, visando a um preço competitivo, segundo a revista Quatro Rodas.
Cenário dos mais vendidos no primeiro semestre
Algumas surpresas permearam resultados das estatísticas. Marcas chinesas continuam a “invadir” o mercado com mais modelos e sempre a preços bastante atraentes. No semestre recém-encerrado, por exemplo, quatro das marcas orientais assumiram a liderança dos segmentos de hatch subcompacto, sedã grande, SUV médio-grande e SUV grande. Também dominaram, como esperado, dois subsegmentos por tipo de propulsão: híbridos e elétricos.
Também há outros destaques entre os líderes. Nos sedãs compactos, HB20s ultrapassou Onix por margem bem apertada; nos SUVs compactos, VW colocou T-Cross e Tera nas duas primeiras posições; nas picapes pequenas, Strada ampliou a liderança para 69% (eram 59%); entre os modelos esporte, 911 passou a dominar 65% do segmento (antes 56%).
Ranking da coluna apresenta critérios próprios e técnicos com classificação por silhuetas em 14 categorias, mais duas para híbridos e elétricos. Referência principal: distância entre eixos, além de outros parâmetros. Sedãs de topo (baixo volume) e monovolumes (poucas opções) ficam de fora. Base de pesquisa é o Registro Nacional de Veículos Automotores (Renavam). Citados apenas modelos de maior representatividade dentro dos segmentos. Compilação de Tião Oliveira, da consultoria ADK.
Hatch subcompacto: Dolphin Mini, 35%; Mobi, 33%; Kwid, 31%. Novo líder surpreende.
Hatch compacto: Polo, 27%; Argo, 23%; Onix, 22%; HB20, 19%; C3, 3,3%; City, 3%, 208, 1,4%. Polo ainda firme.
Sedã compacto: HB20S, 25,5%; Onix Plus, 24,8%; Virtus, 20%; Cronos, 15%; City, 9%; Versa, 5%. Liderança apertada.
Sedã médio-compacto: Corolla, 56%; King, 35%; Jetta, 4%. Corolla resiste.
Sedã médio-grande: BMW Série 3/4, 65%; Mercedes Classe C, 19%; Audi A5/RS5, 14%. BMW invencível.
Sedã grande: Seal, 73%; Panamera, 14%; Classe E, 6%. Preço do líder explica.
Esportivo: Mustang, 44%; BMW M3/M4, 28%; BMW M2, 24%. Mustang resiste.
Esporte: 911, 65%; Corvette, 11%; Boxster/Cayman, 10%. 911 ampliou seu domínio.
SUV compacto: T-Cross, 11%; Tera, 10%; Creta, 8%; Tracker, 6,8%; Nivus, 6,7%; Pulse, 6%; Fastback, 5,8%; HR-V, 5,3%; Renegade, 5%; WR-V, 4%; Kicks, 3,9%; Tiggo 5X,3,7%; Yaris Cross, 3,6%. Dois VW comandam.
SUV médio-compacto: Compass, 24%; Corolla Cross, 16,3%; Song Pro, 15,6%. Compass mantém a ponta.
SUV médio-grande: H6, 21%; Song Plus, 14%; Commander, 9%. Ampliada vantagem do H6.
SUV grande: Wey 7, 19%; Atto 8, 13%; Cayenne, 11%. Triunfo chinês.
Picape pequena: Strada, 69%; Saveiro, 19%; Montana, 7%. Strada avançou ainda mais.
Picape média (carga 1.000 kg): Toro, 23 %; Hilux, 21%; Ranger, 15%; S10, 13%. Toro defende posição.
Híbridos: Jaecoo 7, 4%; H9, 3,7%; Renegade, 3,6%. Disputa apertada
Elétricos: Dolphin Mini, 38%; Dolphin, 19%; EX2, 16%. BYD prevalece.
MG4 Urban: grande espaço no hatch médio elétrico
Hatches médios no mercado brasileiro representam oferta restrita e se restringem às marcas chinesas. O Urban destaca-se pela distância entre-eixos de nada menos que 2.750 mm (20 mm a mais que um Omega, sucessor do Opala, sedã de porte grande no seu lançamento em 1992). Apenas outro modelo chinês, Aion UT, tem o mesmo entre-eixos.
MG, marca de origem inglesa e hoje integrante do Grupo Saic, vai montar o Urban e o SUV MG5 em 2027 na Pace (Planta Automotiva do Ceará), em Horizonte, a partir de kits semidesmontados e depois, desmontados. Também cogita uma futura fábrica própria, onde poderia estampar, soldar e pintar, além de adquirir autopeças de fornecedores brasileiros.
O hatch impressiona pelo amplo espaço interno, assoalho traseiro plano, porta-malas de 417 litros e volume extra de 98 litros. Ali caberia um estepe do tipo provisório, contudo agora existe a limitação de kit de reparo (compressor e selante). A frente apresenta forte inclinação do para-brisa como destaque. Todavia há um rack de teto de “enfeite” e a traseira agrada pelo inusitado desenho das lanternas. No interior, volante bem desenhado, tela multimídia de 12,3 pol. com organização algo confusa e conexão Android Auto e Apple CarPlay sem fio. Há sete airbags, além do bom pacote de 15 itens de segurança ativa.
Motor elétrico dianteiro entrega 150 cv (160 cv, no topo de linha) e 25,5 kgf·m. Fabricante informa aceleração de 0 a 100 km/h em 9,6 s, desempenho bom para sua massa de 1.422 kg. Alcance (Inmetro) de 299 km com bateria de 42,8 kW⋅h. Tempo de recarga em correntes contínua de 10% a 80%: 28 minutos.
No primeiro contato na pista de testes Haras Tuiuti (SP), o MG4 Urban destacou-se pela direção bem calibrada, freios com boas respostas apesar de muito exigidos e comportamento quase neutro (leve subesterço). Ao acelerar a fundo em saídas de curvas, passa sensação de segurança com discreto destracionamento dos pneus.
Preços: R$ 129.990 a R$ 149.990.
As opiniões expressas nesta coluna são de inteira responsabilidade de seu autor e não refletem, necessariamente, a opinião do Motor1.com Brasil

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