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Estamos velhos: Palio, Vectra, Blazer e outros 9 carros que podem ter placa preta em 2026

Palio, Blazer…Parece que foi ontem que eles chegaram, mas lá se vão 30 anos!

Fiat Palio lançamento
Foto de: Divulgação

Ainda outro dia, eram modelos recém-lançados: apresentados em eventos suntuosos, estrelaram capas de revistas e brilharam nos suplementos dos jornais. Chamaram a atenção nas ruas e fizeram muita gente se sacrificar para pagar prestações que pareciam intermináveis.

Um piscar de olhos e estamos chegando a 2026 — aqueles grandes lançamentos de 1996 já tiveram seus dias de glória, passaram pela decadência e, agora, estão aptos a receber placa preta, como carros de coleção! Se, há 30 anos, chamavam a atenção pela tecnologia e design, hoje despertam comentários saudosistas ou elogios por seu estado de conservação.

Palio placa preta? Sim… E também o Vectra B, a Blazer nacional e muitos outros… Veja conosco quais são esses novos colecionáveis. Feliz 1996!

Chevrolet Blazer
Foto de: Divulgação

Chevrolet Blazer

A trajetória da Blazer no Brasil começou em dezembro de 1995, como modelo 1996. Foi uma das pioneiras na modernização do segmento de SUVs no país. Derivada da picape S10 e fabricada em São José dos Campos (SP), rapidamente se tornou um símbolo de status e robustez, conquistando os públicos urbano e rural com seu design arredondado, derivado do modelo americano, e opções de motorização que incluíam o quatro-em-linha 2.2 a e o potente V6 4.3 (ambos a gasolina), além das versões a diesel. Ao longo dos anos 2000, a Blazer consolidou sua presença no mercado nacional por meio de diversas atualizações visuais e mecânicas. 

Devido ao seu amplo espaço interno e confiabilidade mecânica, tornou-se uma escolha padrão para frotas governamentais, sendo amplamente utilizada como viatura por forças policiais e unidades de resgate. A "farda" ajudou a imortalizar a imagem da Blazer como sucessora espiritual da Veraneio.

A produção da Blazer clássica foi encerrada em 2011, abrindo caminho para a chegada da sua sucessora, a Trailblazer, baseada na nova geração da S10.

Fiat Tipo 1_6 mpi
Foto de: Divulgação

Fiat Tipo nacional

Antes de ser fabricado em Betim, o Tipo estreou no Brasil em 1993, importado da Itália. O hatch médio foi um fenômeno absoluto: em 1994, chegou a ser o carro mais vendido no país por alguns meses, desbancando o poderoso VW Gol. Devido a esse sucesso estrondoso, às mudanças nas alíquotas de importação e ao fim do ciclo do modelo na Europa, a Fiat decidiu nacionalizar a produção.

A produção do Tipo nacional começou oficialmente em janeiro de 1996. O modelo fabricado em Minas tinha o motor 1.6 mpi, de 92 cv (com injeção multiponto), enquanto o importado trazia o 1.6 i.e. (monoponto, de 82 cv) ou 2.0 litro de 8 ou 16 válvulas. Além disso, o Tipo de Betim recebeu suspensão mais robusta e pequenas mudanças no acabamento interno. Foi o primeiro carro brasileiro a oferecer airbag de série.

O que pegava eram os seguidos relatos de incêndios, sempre com os Tipo 1.6 i.e. importados (1993-1995). A história se repetia sem grandes variações: o motorista manobrava o carro para estacionar, via fumaça saindo do capô e as chamas se alastravam.

O problema era que a mangueira da direção hidráulica não resistia quando o volante era girado até o fim. Quando se levava a direção até o batente, a pressão do sistema aumentava e fazia vazar fluido hidráulico sobre o coletor de escape quente, gerando o incêndio.

A Fiat demorou a admitir o problema (apontado na imprensa pela primeira vez por este escriba, então um jovem repórter do jornal "O Globo"). Somente depois de muitos meses é que a empresa fez o recall como deveria.

A essa altura, porém, a imagem do Tipo já estava queimada. Após cerca de 12.500 unidades fabricadas em Betim, a produção foi encerrada em maio de 1997.

Vectra de segunda geração
Foto de: Divulgação

Chevrolet Vectra B

A história do Chevrolet Vectra no Brasil começou em setembro de 1993, quando a General Motors lançou a primeira geração (Vectra A) para atuar em um degrau acima do Monza. O modelo trouxe tecnologias avançadas para a época, como a injeção eletrônica multiponto e o ABS — mas faltava-lhe sal no estilo...

A consagração definitiva veio com o lançamento da segunda geração (Vectra B), em março de 1996 — apenas seis meses depois de sua apresentação na Alemanha. Este modelo é lembrado até hoje como um dos carros mais bonitos já fabricados no Brasil, destacando-se pelos espelhos retrovisores integrados às linhas do capô. Foi o auge da GM no país, oferecendo suspensão traseira multilink, controle de tração e um acabamento interno primoroso. O Vectra B logo dominou o segmento de sedãs médios, tornando-se o sonho de consumo da classe média e um símbolo de status.

Em 2005, após quase dez anos de sucesso da segunda geração, a General Motors do Brasil lançou um novo carro médio com o nome Vectra. Diferente dos anteriores, que seguiam fielmente o projeto do Opel Vectra alemão, o novo nacional foi desenvolvido sobre a plataforma do Astra europeu da época. Esse “Astrão” acabou com a magia que antes cercava o modelo.

Fiat Palio lançamento 2
Foto de: Divulgação

Fiat Palio

Marco da indústria nacional, o Fiat Palio foi desenvolvido como “projeto 178" e tinha a missão de ser um carro mundial focado em mercados emergentes. Apresentado oficialmente em abril de 1996, em Ouro Preto (MG), o Palio não chegou apenas para substituir gradualmente o lendário Uno, mas para elevar o padrão do segmento de compactos.

Com um design arredondado e moderno assinado pelo estúdio italiano I.De.A, o Palio trazia uma sensação de modernidade imediata. Melhores ainda eram as cores vivas de lançamento, como o laranja vitória, o verde campo e o azul allegro.

A primeira geração destacou-se pela versatilidade de versões e motorizações, atendendo desde o público que buscava economia até quem desejava mais desempenho. No lançamento, estavam disponíveis os motores Fiasa 1.5 e o moderno 1.6 16v de 106 cv, importado da Itália, que transformava o compacto em um dos carros mais velozes de sua categoria. Ainda em 1996, a Fiat introduziu o motor 1.0 para competir no segmento de "carros populares", garantindo que o modelo estivesse presente em todas as faixas de preço do mercado.

O Palio foi o primeiro carro do seu segmento no Brasil a oferecer equipamentos como freios ABS e airbags frontais como opcionais. Além disso, o acabamento interno era mais refinado que o de seu concorrente direto, o VW Gol, apresentando tecidos de melhor qualidade e um painel com ergonomia superior.

O sucesso da primeira geração foi tão expressivo que deu origem a uma família completa, incluindo a perua Palio Weekend, o sedã Siena e a picape Strada. Ao longo dos anos, essa fase inicial passou por atualizações visuais e mecânicas (como a introdução dos motores Fire em 2000), consolidando o Palio como um fenômeno de vendas e preparando o terreno para as décadas seguintes de liderança da Fiat no Brasil.

ford fiesta
Foto de: Divulgação

Ford Fiesta nacional

A história do Fiesta no Brasil é marcada por uma transição de estratégia da marca no país. O casamento com a Volkswagen na Autolatina vivia seus momentos finais quando a terceira geração do Fiesta começou a ser importada da Espanha, em 1994. Chegou-se a cogitar uma versão Ford do Gol "Bolinha", mas já estava claro que aquela união não iria durar muito mais…

Em 1996, o Fiesta, enfim, começou a ser fabricado pela Ford em São Bernardo do Campo (SP), estreando aqui— praticamente ao mesmo tempo que na Europa— a quarta geração mundial do compacto.

No Brasil, esse modelo do Fiesta logo ganhou o apelido de “Chorão”, por causa do formato ovalado das extremidades dos faróis, que davam ao carro um “ar tristonho“ (digamos assim…). Esse estilo seguia a linguagem visual global New Edge da Ford, que buscava romper com as linhas retas dos anos 80.

A fase inicial do Chorão foi marcada pelos motores da família Endura-E (1.0 e 1.3), que priorizavam a durabilidade e o baixo consumo em detrimento da performance. No entanto, o grande destaque tecnológico foi a versão topo de linha CLX, equipada com o motor 1.4 16v Zetec-S de 89 cv. Totalmente feito em alumínio, esse motor era um dos mais modernos do país, oferecendo um desempenho invejável. Um dos destaques era o acerto de chão, coisas dos tempos em que o saudoso Richard Parry-Jones comandava a Engenharia da marca.

O acabamento interno era coerente com a proposta da Ford de oferecer um "carro premium" em tamanho reduzido, apresentando um painel com linhas curvas que conversavam diretamente com o design exterior. A produção do "Chorão" se estendeu até o final de 1999, quando o Fiesta de quarta geração passou por um profundo facelift para a linha 2000, tornando-se o "Fiesta Gatinho".

Anos mais tarde, em 2002, a linha de produção do Fiesta deixaria São Bernardo do Campo rumo à nova fábrica de Camaçari (BA), onde seria feita uma geração inteiramente nova do compacto.

Fusca Série Ouro
Foto de: Divulgação

Fusca Série Ouro

Este é, talvez, o mais valioso da lista. Em 1996, a produção do Fusca (o "Itamar") foi encerrada definitivamente no Brasil. Para marcar o adeus, a Volkswagen lançou a Série Ouro, limitada a 1.368 unidades produzidas entre maio e junho daquele ano.

Tapeçaria diferenciada (do Pointer GTI), painel com fundo branco, faróis de milha e cores exclusivas vermelho Dakar e verde Nice,nalém de prata e branco). Encontrar um Fusca desses em bom estado e ainda por preço acessível é o "Santo Graal" dos colecionadores de VW em 2026.

Os importados

Não podemos esquecer dos importados que chegaram aqui em 1996, mesmo que tenham sido lançados lá fora em 1995 ou antes.

Alfa Romeo Spider 916
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A Alfa Romeo Spider (série 916), lançada em 1994 no Salão de Paris, marcou uma revolução para o modelo ao adotar tração dianteira e um design em cunha assinado por Enrico Fumia, do estúdio Pininfarina. Substituindo a clássica Spider que estava no mercado há quase 30 anos, a nova geração usava a plataforma do sedã 155, destacando-se pelos faróis redondos duplos embutidos e pela suspensão traseira multilink, que garantia uma dirigibilidade afiada.

No Brasil, o modelo chegou oficialmente em 1996, sendo apresentado com destaque durante o Grande Prêmio de Fórmula 1 em Interlagos; por aqui, foi comercializada principalmente com o lendário motor 3.0 V6 "Busso" de 192 cv, tornando-se um símbolo de exclusividade com pouco mais de 200 unidades importadas até 1998.

Renault Clio
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O Renault Clio de primeira geração foi lançado originalmente na Europa em 1990 para substituir o icônico Renault 5. Sua trajetória no Brasil começou oficialmente em 1996, importado da fábrica de Santa Isabel, na Argentina. Na época, o compacto já estava em sua terceira atualização visual (Fase 3), caracterizada pelos faróis maiores e de curvas suaves. Oferecido inicialmente nas versões RL (básica), RN (intermediária) e a luxuosa RT (com motor 1.8 e acabamento superior), o Clio argentino serviu para a consolidação da Renault no Brasil antes da chegada de uma nova geração (Clio II), produzida no Paraná, a partir de 1999.

BMW Z3
Foto de: Divulgação

O BMW Z3 foi o primeiro modelo da marca produzido fora da Alemanha, especificamente na fábrica de Spartanburg, nos EUA. Com design assinado por Joji Nagashima e apelo nostálgico, o roadster ganhou fama mundial imediata como o carro de James Bond no filme 007 Contra GoldenEye. Construído sobre uma base que misturava elementos da Série 3 E36 (dianteira) e E30 (traseira), oferecia uma experiência de condução purista com tração traseira e o charme do capô longo. O Z3 chegou ao Brasil no início de 1996, inicialmente com o motor 1.9 de quatro cilindros, mas consolidou-se no mercado nacional com as versões de seis cilindros (2.8 e 3.0) e a brutal versão M Roadster. Foi produzido até 2002, quando deu lugar ao Z4.

Dodge Neon
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O Dodge Neon (vendido no Brasil como Chrysler Neon) foi lançado nos Estados Unidos em 1994 com a proposta ousada de competir com os japoneses. O sedã compacto chegou oficialmente ao Brasil em 1996, importado dos EUA, com seus amigáveis faróis redondos e o conceito de "cab-forward", que privilegiava o espaço interno. Teve ainda uma segunda geração lançada por aqui em 2000, mas saiu de linha pouco depois, em 2001, com a reestruturação da marca.

Hyundai Coupe
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O Hyundai Coupe, também conhecido mundialmente como Tiburon, foi lançado em 1996 provando que os sul-coreanos estavam aprendendo rapidamente a fabricar automóveis. Baseado na plataforma do Elantra, o modelo de primeira geração (RD) destacava-se pelo estilo "bio-design" e pela dirigibilidade desenvolvida com consultoria da Porsche. O modelo chegou oficialmente ao Brasil no segundo semestre de 1996, inicialmente na versão FX, equipada com o motor 2.0 Beta de 140 cv. Durou até o início dos anos 2000.

Polo Classic 6N
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O Volkswagen Polo Classic foi um sedã desenvolvido sobre a plataforma do Seat Córdoba e lançado originalmente na Europa em 1995. O modelo chegou oficialmente ao Brasil no final de 1996, importado da Argentina, para ocupar o vácuo deixado pelo encerramento da produção do Voyage (da linha BX). Equipado inicialmente com o motor AP 1.8 de 97 cv, o Polo Classic se destacava pela robustez mecânica. Nunca conseguiu, porém, repetir o sucesso do Voyage, sendo substituído em 2002 pela nova geração do Polo Sedan, produzida em São Bernardo do Campo.

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