Agora com 245 cv e mais tecnológico, ele tem até um modo de condução de que favorece escorregadas de traseira

O novo Golf GTI é provavelmente o mais importante esportivo de 2020. Não porque ele seja o mais potente, rápido ou o mais desejado da indústria automotiva, mas sim porque poucos carros esporte vendem tanto quanto ele mundo afora. Diga olá ao novo VW Golf GTI de oitava geração. 

O GTI também fez sua fama porque ele é um esportivo perfeitamente utilizável no dia a dia - ainda que seu antecessor tenha cuidado muito desta parte e deixado de lado um pouco da emoção. Era muito agradável e rápido, no entanto, não empolgava tanto quanto um GTI deveria. Será que esta nova geração resolve esta questão? Nada melhor que acelerá-la para responder.  

Volkswagen Golf 8 GTI (2020) em teste

Tudo começa pelo acerto dinâmico. A VW sabe que um Golf GTI não precisa ser um carro de track day como um Honda Civic Type R, mas precisa emocionar de alguma forma. Neste aspecto, entra em cena o "Driving Dynamics Manager", um gestor eletrônico que coordena o funcionamento da suspensão adaptativa DCC e o do diferencial eletrônico XDS, para se comunicarem mais rapidamente com os freios, direção e controle de estabilidade (ESP), entre outros sistemas. 

Os novos amortecedores se adaptam à superfície da estrada 200 vezes por segundo, de forma individual (em cada roda). Assim, fica mais fácil apontar forte numa curva e cuidar para que a traseira não perca a compostura. De acordo com a VW, o DCC oferece um range maior de ajuste entre os modos Comfort e Sport, sendo este último mais firme, e, acreditem, com favorecimento para as escapadas de traseiras. Sim, a marca alemã providenciou um surpreendente modo mais divertido de condução. 

As outras mudanças na suspensão são, digamos, mais tradicionais. No eixo dianteiro, temos molas mais firmes (5%) e o subchassi vindo do Golf GTI Clubsport S, feito de alumínio, que reduz em 3 kg o peso do conjunto. Na parte traseira, também estreiam molas mais firmes, neste caso 15% a mais que no Golf tradicional. O ESP e a direção elétrica, de relação variável, também foram reajustados. O volante ganhou respostas mais diretas, ainda que sem ficar abrupto.

Na prática

Devido à crise sanitária (Covid-19) que estamos vivendo, este primeiro contato com o novo Golf GTI 2021 ficou restrito aos arredores da fábrica da VW em Wolfsburg, na Alemanha. O problema é que se trata de um trajeto um tanto reto - qualquer um que encontre mais de cinco curvas nos 150 km que rodamos está de parabéns. 

Volkswagen Golf GTI 2020

Desta forma, seremos muito cautelosos nesta avaliação inicial, mas já podemos dizer que o GTI de oitava geração aponta mais rápido e de forma mais efetiva que antes. Ele se sente mais atlético e o eixo dianteiro mostra um caráter mais esportivo. O carro mergulha menos nas entradas de curva e tem um grip imenso, fazendo com que as saídas de frente (ponto fraco do anterior) sejam praticamente inexistentes. 

É mais emocionante que antes? Não muito. Para ter um hot hatch mais extremo, o cliente deve optar por algo como Hyundai i30N, Renault Mégane RS ou Honda Civic Type R - carros que não necessariamente passam pela cabeça de quem deseja o novo GTI, justamente pela maior versatilidade do VW. 

Volkswagen Golf 8 GTI (2020) em teste
Volkswagen Golf 8 GTI (2020) em teste

O novo Golf GTI 2021 tem uma suspensão de altíssima qualidade, a ponto de, mesmo forçando o carro nas curvas, a carroceria permanece equilibrada. Não é o hot hatch mais excitante do mercado, mas poucos se comportam tão bem quanto ele em situações diversas - não só para estradinhas de montanha, mas também para uso cotidiano. 

E o motor?

Estamos falando do EA-888 da VW, o conhecido 2.0 turbo com injeção direta que na atual geração é chamado internamente de "evo4". Ele traz novos bicos injetores de alta pressão e um filtro de partículas adicional, além de um catalisador maior - tudo para aliviar as emissões. Entrega 245 cv de potência e 37,7 kgfm de torque, as mesmas cifras que o GTI anterior na versão Performance. 

É o suficiente para uma aceleração de 0 a 100 km/h em 6,3 segundos e velocidade máxima de 250 km/h, de acordo com a VW. O 2.0 litros entrega força de maneira uniforme e se mantém enérgico até 6.500 rpm, parecendo até ter mais potência que o declarado em médias e altas rotações. Mas suas respostas em baixos giros não impressionam da mesma forma.  

Volkswagen Golf GTI 2020, primera prueba

Na Europa, o cliente poderá escolher entre um câmbio manual de 6 marchas e a transmissão automatizada de dupla embreagem DSG, de 7 posições, que tem trocas mais rápidas no modo Sport e uma nova atração: puxe e segure a borboleta da esquerda que a caixa reduzirá para a menor marcha possível naquele momento, seja para uma entrada de curva ou ultrapassagem. Isso deixa a condução do GTI mais conveniente, mas também menos interativa. Para quem deseja a experiência completa, o manual com seus engates curtinhos continua brilhante. 

Por fim, uma palavra sobre o ronco do motor: se você quiser, ele fica praticamente mudo, só surgindo claramente no modo Sport - quase como no Polo GTS brasileiro. 

Do interior só posso corroborar com as boas opiniões que viemos publicando ultimamente. O quadro de instrumentos digital e a central multimídia exibem gráficos muito intuitivos e com excelente visualização. Temos de nos acostumar, no entanto, com a digitalização, porque os comandos táteis nem sempre dão a sensação de terem sidos ativados. Além disso, as superfícies para controle do ar-condicionado e volume do som não são iluminadas, gerando uma "investigação" à noite...

Volkswagen Golf 8 GTI (2020) em teste

Outro ponto de crítica é a dificuldade para ativar (ou desativar) algum comando. Por exemplo, o ESP: antes bastava pressionar um botão; agora é preciso entrar em diferentes menus para encontrar o comando desejado. Bem-vindo a digitalização! 

Já os novos bancos esportivos com os encostos de cabeça integrados causam uma impressão absolutamente fantástica: excelente postura ao volante, bom apoio lateral e muito cômodos para uso diário. Os materiais da cabine também conferem uma aparência melhor ao GTI 2021 frente a seu antecessor. A exceção fica para as borboletas da transmissão DSG no volante, que são muito pequenas para meu gosto. 

No fim, a conclusão é que o novo Golf GTI 2021 se tornou um modelo mais ágil, mais estável e com uma capacidade fantástica de tração, quando comparado com o de sétima geração. Dito isso, saiba que não se trata de um esportivo radical - e nem é essa a intenção da VW. Aos brasileiros, resta torcer para que a filial local decida trazê-lo junto do GTE híbrido a partir de 2021. Afinal, se ainda tem um Golf com mercado no Brasil, este é o GTI. 

Fotos: Motor1.com e divulgação 

Galeria: Volkswagen Golf 8 GTI (2021)

Volkswagen Golf GTI

Motor Gasolina, 4 cilindros em linha, turbo e injeção direta, 1.984 cm³
Potência 245 cv entre 5.000 e 6.500 rpm
Torque máximo 37,7 kgfm entre 1.600 e 4.300 rpm
Transmissão Manual, 6 velocidades (DSG com 7 marchas, opcional)
0 a 100 km/h 6,3 s
Velocidade Máxima 250 km/h
Tipo de direção Dianteira
Consumo de combustível N.D.
Comprimento N.D.
Largura N.D.
Altura N.D.
Peso 1.460 kg
Número de assentos 5
Volume do porta-malas 380 litros
Preço de entrada 35.500 euros (Alemanha)