Cerca de dois terços de toda a produção estará concentrada em apenas duas arquiteturas

Depois de finalmente formalizado o acordo de fusão, os grupos FCA e PSA começam a traçar estratégias de curto, médio e longo prazos para elevar ao máximo os níveis de cooperação e sinergia entre todas as marcas do novo conglomerado. Prova disso vem de reportagem da agência de notícias Automotive News Europa, que adianta quais caminhos serão tomados no setor de plataformas.

Segundo a publicação, a FCA abandonará praticamente todas as suas atuais arquiteturas e migrará seus modelos unicamente para bases de origem PSA. A meta é concentrar cerca de dois terços de toda a produção em apenas duas plataformas: a CMP, desenvolvida para sustentar modelos compactos, e EMP2, criada para abrigar modelos maiores.

Galeria: PSA - Plataforma CMP

Além de mais modernas, as plataformas da PSA oferecem uma série de vantagens tecnológicas, principalmente por já terem nascido prontas para receber sistemas eletrificados de propulsão, assim como diferentes tipos de transmissão e motores gasolina ou diesel. A base CMP, por exemplo, nasceu com o crossover DS 3 Crossback e já sustenta também modelos como Peugeot 208 e 2008, além do Opel/Vauxhall Corsa. Os próximos lançamentos a adotá-la serão o sucessor do Citroën C4 Cactus e, provavelmente, o inédito crossover de entrada da Alfa Romeo. A migração deverá aumentar rapidamente os índices de economia de escala da nova empresa, exatamente como a PSA fez após a aquisição da Opel em 2017.

Opel Grandland X
Compass 2019

Por sua vez, a plataforma EMP2 cobre desde a parte superior do segmento compactos até os modelos de médio porte, tendo sido usada pela primeira vez em 2017 na nova geração do Peugeot 3008. Atualmente, sustenta também o 5008, o novo 508 (sedã e perua), o DS 7 Crossback, o Citroen C5 Aircross e o Opel Grandland X. É indicada tanto para veículos híbridos a gasolina, diesel e plug-in a gasolina, quanto para projetos 100% elétricos. No futuro, não se espante se a base for adotada pelas novas gerações de Jeep Compass e Cherokee, por exemplo, ou ainda Chrysler Pacifica. Alinhar famílias de plataformas e powertrains irá reduzir substancialmente a complexidade de desenvolvimento e produção, permitindo efeitos de escala e sinergias maiores. O reflexo será visto na rentabilidade.

Por outro lado, há casos em que não será possível fazer a migração, como nas picapes da família RAM, alguns veículos da Dodge e nos modelos maiores da Jeep. Dessa forma, Wrangler, Gladiator, Grand Cherokee, 1500, 2500, Charger, Durango e Challenger continuarão adotando plataformas da própria FCA. Outros casos são o Fiat 500 elétrico, cujo projeto já está praticamente pronto para chegar ao mercado, e as vans comerciais de Citroën, Fiat e Peugeot.