Considerado o homem por trás da Dacia, executivo lutava contra um câncer

Considerado o grande mentor por trás do sucesso da marca Dacia no portfólio da Renault, Gerard Detourbet morreu na última sexta-feira, aos 73 anos, em decorrência de complicações causadas por um câncer. Presente nos quadros da gigante francesa desde 1971, começou a carreira nas áreas de ciência da computação, chapas e mecânica, até se tornar diretor em 1997. Era Ph.D. em matemática e, embora desconhecido de grande parte do público, cultivava enorme respeito e admiração nos bastidores. Entre outras coisas, era conhecido como homem de projetos malucos considerados inviáveis, fama que o levou a abraçar em 2004 o desenvolvimento de um veículo de baixo custo para mercados emergentes. Foi daí que nasceu o Logan, na Romênia.

Galeria: Dacia Logan

“Quando você estuda a estratégia da Dacia, você define um preço de venda, e é assim que se constrói o carro. Se um recurso é muito caro, você o retira. Cada peça tem que ser pensada centavo por centavo", costumava explicar sempre que questionado. "Para ter sucesso, é preciso pensar e se organizar de maneira diferente, com uma verdadeira ruptura gerencial". Foi dessa filosofia que posteriormente saíram o Sandero e o Duster - todos irrefutáveis sucessos comerciais tanto em mercados desenvolvidos como a Europa quanto em países emergentes como Brasil e Índia.

Renault Kwid Zen 1.0 Motor1 BR
Novo Renault Duster

Já em 2011, perto da aposentadoria, Detourbet recebeu do então chefão Carlos Ghosn a missão de desenvolver algo ainda mais desafiador: o Kwid. Assumiu o desafio e se mudou para Chennai, na Índia, onde morou durante todos os anos de desenvolvimento do projeto em um quarto de hotel. Comandou uma equipe formada por 350 pessoas, a maioria jovens felizes em exercer sua liberdade criativa sem as restrições hierárquicas de outros centros de desenvolvimento do grupo Renault-Nissan, como Billancourt, na França, e Yokohama, no Japão.

Apesar disso, o ritmo de trabalho imposto era por vezes considerado infernal. "Para o Kwid e seus derivados, o investimento de 420 milhões de euros foi metade do que um projeto normal", se orgulhava, ao dizer que fazia muito com pouco. O último trabalho de Detourbet foi supervisionar o desenvolvimento do K-ZE, versão elétrica do Kwid vendida na China desde abril.

Fotos: Divulgação