Plano é reduzir custos e sincronizar as linhas de produtos das 14 marcas do grupo

Os rumores eram verdadeiros. A Fiat-Chrysler e o Grupo PSA, dono de Citroën, DS, Peugeot e Opel, chegaram a um acordo e farão uma fusão completa que levará a criação da 4ª maior fabricante automotiva do mundo, com 8,7 milhões de carros vendidos anualmente. O plano é que cada uma das duas empresas recebam 50% das ações, para ser divididas entre seus acionistas, e que alcancem 80% de sinergia depois de quatro anos, cortando custos em aproximadamente 2,8 bilhões de euros (cerca de R$ 12,4 bilhões).

Baseado no resultado de 2018 de ambas as empresas, a fusão levará a um lucro bruto combinado de quase 170 bilhões de euros (R$ 757 bilhões) e um lucro operacional de mais de 11 bilhões (R$ 49 bilhões). De acordo com o acordo assinado pelas duas empresas, a fusão entre o Grupo PSA e a Fiat-Chrysler será feita com a criação de uma nova empresa com sede nos Países Baixos, sendo listada em três bolsas de valores: New York Stock Exchange, Borsa Italiana (Milão) e Euronext (Paris).

Segundo as duas fabricantes, as sinergias não causarão o fechamento de nenhuma fábrica do grupo. A nova mesa de diretores terá 11 membros, cinco nomeados pela Fiat-Chrysler, cinco pelo Grupo PSA, e com Carlos Tavares como CEO - atualmente, Tavares é ocupa este cargo na PSA. O executivo comandará a empresa por cinco anos, além de ser membro da diretoria.

Esta fusão fará com que nada menos que 14 marcas de carros trabalhem em conjunto. A PSA é dona da Citroën, DS, Peugeot, Opel e Vauxhall, enquanto a Fiat-Chrysler tem Alfa Romeo, Chrysler, Dodge, Fiat, Jeep, Lancia, Maserati, Ram e SRT. Ainda existem algumas divisões, como a Fiat Professional e Abarth (que lançam veículos sob o nome da Fiat), a Mopar e a Free2Move (empresa de aluguel de carros).

Muitos detalhes ainda não foram divulgados, por exemplo como funcionará a parte administrativa de cada empresa ou algumas das sinergias já planejadas. Ainda assim, isso trará grandes mudanças para a indústria, já que o objetivo é cortar custos e otimizar a oferta de produtos para sincronizar as linhas de todas as marcas.

Antes de aceitar o acordo com o Grupo PSA, a Fiat-Chrysler quase fez um negócio com a Renault há alguns meses, mas o plano foi por água abaixo por conta de "condições políticas" não reveladas.

O novo grupo formado por PSA e Fiat-Chrysler será o 4º maior do grupo. Somando todas as marcas das duas fabricantes, elas alcançam 9 milhões de veículos vendidos em 2018, superando a General Motors (8,7 milhões). Atualmente, a maior fabricante é o Grupo Volkswagen, com 10,8 milhões de unidades, seguida pelo Grupo Toyota (10,5 milhões) e Aliança Renault-Nissan-Mitsubishi (10,3 milhões).