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Royal Enfield Bear 650 chega para fazer a diferença, finalmente

Com visual de scrambler, moto traz nova vida para a plataforma 650 da marca

Royal Enfield Bear 650 Primeiras Impressões no Brasil
Foto de: Royal Enfield

A Royal Enfield ainda não descobriu o limite de quantas motos ela pode oferecer com o motor 650 no Brasil. Depois das originais Interceptor e Continental GT, já vieram Super Meteor e Shotgun e ainda há planos para a Classic 650 estrear por aqui em 2026. Nesse cenário, a Bear 650 chegou para se livrar do fardo de ser apenas mais uma, a quinta num catálogo repleto de opções.

E como a Royal Enfield Bear 650 pretende fazer isso? Bem, amalgamando tudo o que a marca já aprendeu desde que retornou ao Brasil de forma oficial em 2017: unir o apelo de um visual clássico, uma proposta honesta e agregando tecnologias mais modernas que apareceram em outros produtos da marca por aqui. Mas como é andar na scrambler, que tem preços variando entre R$ 33.990 e R$ 34.990 dependendo da cor?

Galeria: Royal Enfield Bear 650 Primeiras Impressões no Brasil

Um pouco de tudo e mais

motor da Royal Enfield Bear 650 não muda. Segue o bicilíndrico de 648 cm³ com arrefecimento a ar e radiador de óleo com comando simples no cabeçote. No entanto, uma das principais mudanças da scrambler vocês já perceberam nas fotos: o escape 2-em-1 usado pela primeira vez nessa plataforma. Com ele e mais uma atualização no mapeamento da injeção eletrônica, entrega os mesmos 47 cv das demais a 7.150 rpm, enquanto o torque passa de 5,3 kgfm para 5,7 kgfm a 5.150 rpm. Ambos os regimes de pico são mais elevados que nas demais 650.

Enquanto o câmbio da Bear 650 permanece o mesmo mecânico de seis marchas das outras 4 650 da Royal Enfield, a marca mexeu na relação final. A coroa passa de 37 para 40 dentes, efetivamente encurtando um pouco todas as marchas. No papel, a scrambler fica mais esperta que as irmãs que usam o mesmo motor. 

Royal Enfield Bear 650 Primeiras Impressões no Brasil

Royal Enfield Bear 650 Primeiras Impressões no Brasil

Foto de: Royal Enfield

Nas medidas, a moto tem 2.216 mm de comprimento, 855 mm de largura, 1.160 mm de altura e 1.460 mm de entre-eixos. O banco, porém, é mais alto: 830 mm de altura em relação ao solo. Seu tanque de combustível acomoda até 13,7 litros e seu vão livre mínimo do solo é de 187 mm. Com um peso em ordem de marcha de 214 kg, a ideia da Bear não é a de ser aventureira nata.

Como um pai e um tio já têm cada um sua Interceptor 650, claramente perguntei para a Royal Enfield se eu poderia comprar o transado sistema de escape da Bear e fazer uma adaptação hipotética. Responderam-me que não. Para acomodar a suspensão mais parruda, as soldas do quadro foram reforçadas e o escape de uma não encaixa no da outra. O mesmo vale para os amortecedores traseiros, já que a balança passou por um pequeno alongamento. Ah, e como o abafador principal fica embaixo do chassi, não há como colocar cavalete central na Bear.

Royal Enfield Bear 650 Primeiras Impressões no Brasil

Royal Enfield Bear 650 Primeiras Impressões no Brasil

Foto de: Royal Enfield

Falando em suspensão, a Royal Enfield Bear 650 traz na dianteira garfos invertidos Showa com 43 mm de diâmetro e 130 mm de curso, 20 mm a mais que na Interceptor. Atrás, são dois amortecedores Showa com 115 mm de curso (+27 mm). Ao contrário da Interceptor, que tem rodas de 18" nas duas pontas, a Royal Enfield Bear 650 usa roda dianteira de 19", enquanto a traseira é de 17". Os pneus, sempre de uso misto, têm medidas 100/90-19 e 140/80-17 (20 mm a mais de largura no traseiro), respectivamente.

Royal Enfield Bear 650 Primeiras Impressões no Brasil

Royal Enfield Bear 650 Primeiras Impressões no Brasil

Foto de: Royal Enfield

Ainda que a Royal aposte forte no visual clássico, ficar apenas nesse caminho pode ser uma armadilha. A marca sabe e já equipou Himalayan e Guerrilla 450 com painel de instrumentos digital. A Bear 650 segue essa nova trilha, trocando os mostradores analógicos pela tela TFT de 4" que tem até espelhamento para Google Maps. Na parte de equipamentos de série, a nova Bear 650 ainda traz discos de freio nas duas rodas com ABS (o traseiro pode ser desligado), tomada USB-C e iluminação completa por lâmpadas de LED.

Royal Enfield Bear 650 Primeiras Impressões no Brasil

Royal Enfield Bear 650 Primeiras Impressões no Brasil

Foto de: Royal Enfield

Não é perfeita, mas você também não é

Aqui, acho que vale um pouco de aula de história. As scramblers não são um movimento visual ou artístico. Elas nascem nas décadas de 1950 e 1960 da vontade dos donos de motos da época de sair do asfalto, seja lá qual for a moto. Pegavam uma qualquer, punham rodas maiores, pneus mais preparados, erguiam a suspensão e subiam o escape tanto para passar em áreas alagadas quanto para evitar que a peça raspasse nos obstáculos. Faziam o que dava com as motos que tinham.

E a Bear parece ter saído diretamente dessa filosofia. Por baixo, é uma Interceptor, tanto que as tampas laterais trazem os dizeres "Interceptor Bear 650". Só que é uma Interceptor com roda maior na frente, escape único e suspensão visivelmente mais preparada. No visual e nas alterações, é mais Scrambler que muita moto mais cara que traz o nome estampado no tanque.

Royal Enfield Bear 650 Primeiras Impressões no Brasil

Royal Enfield Bear 650 Primeiras Impressões no Brasil

Foto de: Royal Enfield

Não tem muito como contornar: a Bear é linda. Traz simplicidade e senso de propósito, ao mesmo tempo em que tem a tecnologia das motos mais recentes da Royal Enfield. Mas, assim como todos nós, não é perfeita.

Começando pelo ronco do escape 2-em-1, que muda pouco em relação aos escapes duplos das demais 650, esperava mais. O banco é mais alto e confortável que o da Interceptor, só que também é mais largo, então meus 1,72 m de altura só me permitiram ficar nas pontas dos pés de uma moto que não é necessariamente leve. Meus braços também não são muito longos e o guidão consideravelmente mais largo da Bear fez com que eu andasse com a sensação de ficar esticado na moto. Mas isso ainda pode ser resolvido com uma regulagem da peça.

Royal Enfield Bear 650 Primeiras Impressões no Brasil

Royal Enfield Bear 650 Primeiras Impressões no Brasil

Foto de: Royal Enfield

E onde acerta? Primeiro nas respostas. Mais torque e relação mais curta resultam na 650 mais esperta que a Royal já vendeu no Brasil. Nada daquela sensação de trem das demais, esperando o torque chegar. A Bear responde, e responde rápido. E mesmo que tenha uma roda maior na frente e uma menor atrás, o que poderia deslocar a distribuição de peso mais para trás, o guidão mais largo te dá mais alavanca e facilita as mudanças rápidas de direção, algo que uma Super Meteor pode apenas sonhar.

Preciso trazer também como é prazerosa a sensação de pilotar de peito aberto contra o vento, mesmo que eu nunca tenha "me vestido bem" na moto e o trajeto tenha sido truncado por trânsito e chuva intermitente. Se por nada, fiquei na vontade de pegar a estrada por mais tempo, quanto mais curvas melhor. E a Bear não é muito comportada. Se você quer algo que simplesmente te obedeça, melhor pegar uma japonesa. Essa Royal pede consentimento primeiro, chegar junto, pedir no pé do ouvido. Você tem que entender o que ela quer antes de pedir, pois ela não é leve e está mais arisca que as demais 650.

Eu nunca entendi muito a separação da Inteceptor e da Continental GT, ou da Shotgun e da Super Meteor. Pra mim, são efetivamente as mesmas motos e que você poderia transformar uma na outra com alguns acessórios. Agora a Bear é realmente algo único. Em tempos de motos feitas para vender em primeiro lugar e passar em emissões em segundo, estão rareando as opções que me deixam com vontade de andar mais. Definitivamente não é o caso da Bear.

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