Citroën Basalt Dark Edition: carro simples em traje esporte fino
Nova versão topo de linha custa menos que os Fiat Fastback e VW Nivus básicos
Já trouxemos aqui nossas impressões ao dirigir os novos C3 XTR e Aircross XTR, vestidos para aventuras. Para o Basalt, porém, a Citroën preparou o traje esporte fino Dark Edition. Apesar do “Edition” no nome, não se trata de uma série limitada, mas de uma nova versão topo de linha. Com preço de lançamento de R$ 115 mil, ele se posiciona acima do Basalt Feel aspirado (R$ 94 mil), do Feel Turbo 200 (R$ 109 mil) e do Shine Turbo 200 (R$ 114 mil).
Enquanto nos XTR a cor verde pistache dá o tom em detalhes espalhados pela carroceria e interior, no Basalt Dark Edition a cor de assinatura é um vermelho vivo, ou melhor, André Red, em homenagem ao fundador André Citroën (1878-1935).
Galeria: Citroën Basalt Dark Edition - Primeiras impressões
Os toques de vermelho começam por elementos verticais no para-choque dianteiro (já vimos isso no Mini JCW Countryman ALL4…), passam sutilmente pelos escudinhos “Dark Edition” nas portas, ganham volume nas colunas C e tomam vulto numa faixa que vai de ponta a ponta do aerofólio.
Aerofólio? Sim… O Basalt tem um no alto da tampa traseira. Assentou bem, especialmente por disfarçar os dois calombos que abrigam as dobradiças na parte de trás do teto – algo que não estava no desenho original da equipe de Pierre Leclercq. Gosto não se discute, mas a traseira do Basalt é bem melhor resolvida que a do “primo” Fiat Fastback, não?
As rodas de liga leve são pintadas de preto (com pneus 205/60 R16) e os logotipos foram escurecidos, com o double chevron em preto brilhante. O resultado é um Basalt com apelo requintado, urbano e, ao mesmo tempo, moderno. As três (não) cores disponíveis são preta, cinza grafite e o tom de lançamento “sting gray”, um cinza durepoxi. Os Basalt cinzentos saem de fábrica com teto preto.
Citroën Basalt Dark Edition Turbo 200 - Pedro Bicudo
A bordo
Por dentro, o tema escuro predomina. As forrações de material sintético preto trazem costuras vermelhas tanto nos bancos quanto no volante e na coifa do seletor do câmbio. Também há material suave, com pespontos vermelhos, na faixa central do painel. A central multimídia de 10,25” e as saídas do ar-condicionado vêm emolduradas por detalhes em black piano, como já vimos na linha XTR.
O assento do motorista inclui apoio de braço e há acabamento preto brilhante no console. A pedaleira é esportiva e até a soleira das portas é diferente, com o nome Dark Edition.
O forro do teto é preto, enquanto os bancos têm debruns vermelhos e até umas faixinhas imitando alcântara. Materiais suaves ao toque e apoios laterais forrados fizeram um milagre no acabamento interior, desde sempre o ponto mais criticado da família Citroën C-Cubed.
Citroën Basalt Dark Edition Turbo 200 - Pedro Bicudo
Tanto no Basalt Dark quanto nos C3 e Aircross XTR, nota-se o esforço para dar mais dignidade à cabine. Ainda é possível perceber que são carros de baixo custo – e este é o papel que o grupo Stellantis conferiu à outrora revolucionária Citroën –, mas o ambiente dessas versões mais caprichadas já não é puro plástico duro. E importante: os comandos de abertura dos vidros traseiros enfim deixaram de ser vizinhos da alavanca de freio de mão e passaram para as portas.
O espaço interno é generoso, graças ao entre-eixos de 2,64 m, num ponto intermediário entre o C3 (2,54 m) e o Aircross (2,67 m). Talvez o maior destaque do Basalt seja seu porta-malas de 490 litros.
Mesmo sendo a versão topo de linha, o Dark Edition traz apenas 4 airbags e faróis halógenos. Foi graças a economias desse tipo que se conseguiu manter o preço final em R$ 115 mil. Trata-se de um valor mais em conta que os R$ 120 mil cobrados pelo Fiat Fastback básico (que usa os mesmos motor e câmbio do Basalt, mas com 11 cm a menos de entre-eixos). O mais simples dos VW Nivus também sai por R$ 120 mil.
Citroën Basalt Dark Edition Turbo 200 - Jason Vogel
Em ação
Há um amplo ajuste de altura da coluna de direção, mas nenhum de profundidade. O cinto de segurança também não tem regulagem de altura. Por mais que o novo acabamento tente disfarçar, itens assim lembram que estamos em um carro projetado (na Índia) para ser barato. Temos ar-condicionado digital e uma central multimídia de operação simples, mas nada de saídas de ar para o banco de trás.
Em ação, é o Basalt de sempre, com aquela direção exageradamente leve. A suspensão também é extramacia, mas não a sentimos tão flutuante quanto nos C3 XTR e Aircross XTR avaliados no mesmo dia. No Basalt, os movimentos parecem mais contidos – talvez por sua distribuição de massas, talvez pelas molas e amortecedores escolhidos.
Citroën Basalt Dark Edition Turbo 200 - Pedro Bicudo
O centro de gravidade certamente influi: dos três modelos da família C-Cubed, o Basalt é o de menor altura total (1,58 m) e o mais longo de ponta a ponta (4,34 m). E, com um vão livre de 20,8 cm, esse liftback (ou SUV cupê, como gostam os marqueteiros) encara quebra-molas sem medo e mantendo o maior conforto.
Com o 0 a 100 em 9,6 s e máxima de 199 km/h, o Basalt não é um carro esportivo. Mas, no uso normal em cidade e estrada, seu motor T200 (tricilíndrico 1.0 turbo, de origem Fiat) se mostra sempre disposto. Durante o test-drive, em um aclive puxado e sinuoso, provou ter muita força mesmo em baixas rotações.
Citroën Basalt Dark Edition Turbo 200 - Pedro Bicudo
O motorista não passa raiva e sente que está guiando um carro leve – afinal, são 130 cv para levar 1.191 kg. O câmbio CVT Aisin, com sete marchas pré-definidas, transmite a percepção de um bom automático convencional. Segundo a ficha, o consumo fica em 12,1 km/l na cidade e 13,7 km/l na estrada, com gasolina.
Pelo que se vê nas ruas, essa combinação de mecânica Fiat, suspensão alta, preços baixos, bom espaço interno e amplo porta-malas está vencendo a imagem de “carros de manutenção cara” que prejudicava a Citroën no Brasil. Dos três C-Cubed, o Basalt é o que mais vende, disparado. Em cidades como o Rio, o modelo está ganhando o mercado de táxis, prova de sua boa aceitação. Sinal de que, às vezes, ser descomplicado é o verdadeiro luxo.
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