Lamborghini Diablo reencarna em restomod conversível de 550 cv
Eccentrica V12 Roadster traz formas bem conhecidas, mas agora em fibra de carbono
A Monterey Car Week, na Califórnia, está chegando e começam a brotar supercarros excêntricos. Ou, no caso, da Eccentrica, uma empresa de San Marino especializada em automóveis fuoriserie.
Em 2024, a pequena fabricante já havia apresentado o Eccentrica V12, sua interpretação moderna do Lamborghini Diablo cupê. Agora, decidiu fazer o mesmo com uma das versões mais desejadas do supercarro italiano.
O Eccentrica V12 Roadster parte de um Diablo Roadster original (1995-2000) ou mesmo de um cupê, mas passa por uma reconstrução profunda que envolve mais de 3.500 componentes feitos sob medida. O conversível será apresentado oficialmente nesta sexta-feira, 14 de agosto, no The Quail, a mais concorrida vitrine de hipercarros em Monterey.
Igual, mas diferente
Cada Diablo doador é completamente desmontado antes de ser reconstruído. O chassi tubular de aço original recebe reforços estruturais de fibra de carbono, algo importante considerando a eliminação do teto. O mesmo material é usado em todos os painéis externos da carroceria.
O estilo ficou a cargo do estúdio milanês BorromeodeSilva (escrito assim mesmo, tudo junto). As proporções do Diablo original, obra de Marcello Gandini e Tom Gale, foram mantidas. O roadster da Eccentrica poderia perfeitamente estar no pôster do quarto de um adolescente nos anos 1990. Suas formas, contudo, foram refinadas e ganharam harmonia, além de alterações em detalhes funcionais.
A bitola foi alargada, tanto para melhorar o comportamento dinâmico quanto por questões estéticas. As rodas são igualmente novas e mais leves, reduzindo a massa não suspensa. Calçam pneus Pirelli Trofeo R 255/30 R19 na dianteira e 325/30 R20 na traseira.
Transformar o Eccentrica V12 em roadster exigiu atenção especial à aerodinâmica. O coeficiente de arrasto continua a ser de 0,31, mas, segundo a empresa san-marinense, o fluxo de ar foi trabalhado para desviar a turbulência ao redor da cabine aberta, reduzindo o vento que atinge diretamente motorista e passageiro.
Na dianteira, há um novo splitter (aquela lâmina na extremidade inferior do para-choque). Na traseira, o downforce é garantido por um pequeno aerofólio.
V12 aspirado continua sendo a estrela
O espírito do Diablo ainda ruge bem no ouvido de seus ocupantes: é o tradicional V12 central, de 5,7 litros, que continua aspirado. A Eccentrica alterou seu gerenciamento eletrônico, aperfeiçoou o gerenciamento térmico e trabalhou na eficiência dos fluxos internos.
A intenção não foi perseguir números elevados de potência, mas tornar as respostas mais rápidas, com ganhos em elasticidade. De toda forma, são 550 cv (a 7.000 rpm) e 61,2 kgfm de torque (a 6.500 rpm). Nos Diablo Roadster originais, a potência ia de 492 cv a 537 cv.
Toda a força é enviada às rodas traseiras (nada de versão AWD) por uma caixa manual. A alavanca corre numa grelha metálica (o tradicional “cambio a griglia”), mantendo uma das características mais valorizadas dos supercarros italianos de outras épocas.
Aqui temos uma transformação importante: em vez das cinco marchas à frente do Diablo, agora são seis, encurtando o intervalo entre as relações. Feita sob medida, essa transmissão também tem engates mais leves. E, como a grelha mantém o visual de antes, a ré passou a ser engatada eletricamente, por meio de um botão.
Pesando 1.540 kg, o V12 Roadster acelera de 0 a 100 km/h em 3,8 segundos e chega aos 335 km/h. É a mesma velocidade máxima anunciada para o Eccentrica V12 fechado, apesar da ausência do teto.
Já os Diablo Roadster do passado pesavam 1.625 kg (ou 1.576 kg na versão VT).
Aprimorado por nome histórico da Lamborghini
A geometria das suspensões foi completamente revista e emprega componentes usinados a partir de blocos maciços de metal. Há ainda amortecedores semiativos desenvolvidos especificamente para o carro, com três modos de funcionamento. Os freios também foram melhorados e são fornecidos pela Brembo.
Esse trabalho de desenvolvimento foi comandado por Maurizio Reggiani, ninguém menos que ex-diretor técnico da Lamborghini e um dos profissionais mais influentes da história recente da marca de Sant'Agata Bolognese.
Entre 1995 e 2022, Reggiani participou diretamente do desenvolvimento de modelos como Gallardo e Murciélago e, posteriormente, foi responsável técnico por projetos como Huracán e Aventador. Ou seja, embora o V12 Roadster não seja um Lamborghini oficial, sua transformação foi conduzida por alguém profundamente ligado aos supercarros que sucederam o Diablo.
A proposta da Eccentrica é, portanto, imaginar como o Diablo original poderia ter evoluído com três décadas adicionais de conhecimento em engenharia e evolução de materiais.
Painel digital com estética retrô
Couro Connolly, Alcantara, alumínio anodizado e fibra de carbono revestem o interior. Apesar de toda a defesa da experiência analógica, os instrumentos são digitais. Para evitar que o painel pareça retirado de um carro atual, as telas mostram gráficos pixelizados inspirados na estética eletrônica dos anos 1990.
E, como cada um dos 19 carros será configurado a gosto de seu comprador, materiais, cores e acabamentos poderão variar bastante entre os exemplares.
A Eccentrica ainda não revelou oficialmente o preço do V12 Roadster. A expectativa é de que ultrapasse € 1,1 milhão (R$ 6,5 milhões na conversão direta), sem contar o automóvel doador. Na Europa, um Diablo cupê custa na faixa de € 270 mil (R$ 1,6 milhão), enquanto um Diablo Roadster original sai por aproximadamente € 550 mil (R$ 3,3 milhões). Nostalgia custa caro.
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