Mini 1965 Victory Edition (2026): com as emoções do Rali de Monte Carlo
Série especial homenageia épica luta de Davi contra Golias nos Alpes nevados
No automobilismo, raros são os cenários tão associados a uma única prova quanto Monte Carlo ao seu tradicional rali, realizado desde 1911. E, para a Mini, esse distrito do Principado de Mônaco tem peso histórico particular.
Um dos êxitos mais memoráveis da marca ocorreu na edição de 1965, quando um Mini Cooper S, pilotado por Timo Mäkinen e navegado por Paul Easter, conquistou a vitória geral. Foi um resultado notável, já que o subcompacto, concebido originalmente para uso urbano, superou rivais muito mais potentes em um inverno particularmente rigoroso. Os fatores decisivos foram o baixo peso, a boa tração e o comportamento dinâmico preciso sobre neve e gelo.
É a esse episódio histórico que se conecta (com algum atraso) o novo “Mini 1965 Victory Edition”. A série especial presta homenagem estética aos 60 anos do triunfo no rali, incorporando referências visuais históricas à atual gama da marca. A edição será oferecida para o Mini John Cooper Works, o Mini John Cooper Works Electric e o Mini Cooper S.
O Mini Cooper S é equipado com motor 2.0 de quatro cilindros a gasolina, com tecnologia TwinPower Turbo. A potência é de 204 cv, com torque máximo de 30,6 kgfm. A aceleração de 0 a 100 km/h é feita em 6,6 segundos. Acima está o Mini John Cooper Works, com 231 cv e 38,7 kgfm, reduzindo o tempo de 0 a 100 km/h para 6,1 segundos.
A gama é complementada pelo Mini John Cooper Works Electric, com 258 cv. São 5,9 s para ir da imobilidade aos 100 km/h.
Visualmente, a edição se inspira em características do automobilismo dos anos 1960. A pintura Chili Red (“vermelho pimenta”) é atravessada por uma faixa branca que se estende do capô à traseira. Em ambos os lados da carroceria aparece o número de largada “52”, o mesmo usado pelo carro vencedor em 1965. E, como no Mini do rali, o teto é branco (mas agora pode ser panorâmico, como opcional).
Nas colunas C, há a inscrição “1965” em um adesivo que imita uma placa de rali. Dependendo da versão, são utilizadas rodas de 18” com diferentes desenhos JCW. Até as válvulas dos pneus seguem o conceito da edição, trazendo o número 52.
No interior, o tema histórico também está presente. As soleiras trazem a inscrição “1965”, complementada por uma etiqueta colada na parte interna das portas — o adesivo faz referência à 34ª edição do rali, bem como aos nomes do piloto Mäkinen e do navegador Easter e até à placa do carro original, AJB 44B. Essa numeração também aparece, de forma muito sutil, na faixa branca do capô.
O ambiente interno adota a configuração típica da linha JCW, em preto e vermelho. Detalhes específicos da série aparecem no volante esportivo e no console central, onde outras marcações “1965” foram integradas. A capa da chave também exibe o número “52”.
A Mini 1965 Victory Edition deverá estar disponível a partir de março de 2026 em mercados selecionados (a fabricante não informou quais). Para a Europa, o lançamento está previsto para julho de 2026. Para o Brasil, nada foi confirmado oficialmente, mas a Mini costuma trazer suas versões especiais, ainda que em número bastante limitado.
Pilotagem técnica - e o Mini venceu carros bem maiores
Tri que valeu como tetra
As três vitórias do Mini no Rali de Monte Carlo (1964, 1965 e 1967) representaram o maior “Davi contra Golias” da história do automobilismo.
Nascido em 1959 como modelo popular da British Motor Corporation (BMC), o Mini não demorou a ser adotado por John Cooper (1923-2000), dono da Cooper Car Company — construtora que já havia revolucionado o automobilismo ao tirar o motor da dianteira dos Fórmula 1 e transferir todo o conjunto mecânico para a posição central, atrás do piloto, onde permanece até hoje.
Foi Cooper quem percebeu o potencial esportivo do diminuto Mini, com suas rodinhas de 10”, e desenvolveu kits de preparação para o modelo da BMC, que passou a dominar os ralis da época, superando carros muito maiores e mais potentes.
Os competidores enfrentaram um inverno rigoroso em 1965
A glória começou com Paddy Hopkirk. O norte-irlandês e seu navegador Henry Liddon levaram o Mini Cooper S à vitória geral em 1964. Foi um choque cultural. Enquanto os Ford Falcon americanos rugiam com seus V8 Windsor de 4,7 litros, Hopkirk usava a agilidade do Mini para ziguezaguear pelas curvas fechadas dos Alpes. Quando venceu, tornou-se celebridade instantânea.
Mas foram os finlandeses que consolidaram o domínio técnico do Mini. Para compensar a tendência natural ao subesterço desses carrinhos de tração dianteira, aperfeiçoaram a técnica do left-foot braking (“pé esquerdo no freio”) e revolucionaram a forma de guiar sobre gelo e neve.
A manobra consistia em aplicar leve pressão no freio com o pé esquerdo enquanto o direito permanecia no acelerador. Esse gesto não apenas promovia transferência dinâmica de carga para o eixo dianteiro, como também reduzia momentaneamente o torque nas rodas da frente, ajudando o carro a apontar melhor para o interior da curva.
Mais do que simplesmente ganhar aderência na dianteira, a técnica gerava “momento de guinada”: a leve desaceleração criava um desequilíbrio controlado no conjunto, induzindo a rotação da traseira — especialmente em pisos de baixa aderência, como neve ou terra. O carro passava a contornar a curva mais alinhado à tangência, enquanto o motor permanecia em regime elevado, pronto para entregar potência imediata na saída.
Essa combinação de leveza, tração dianteira e controle refinado da transferência de carga transformou a aparente desvantagem técnica do Mini em um trunfo nas montanhas do principado.
Timo Mäkinen e Paul Easter- os vencedores de 1965 (2)
O finlandês Timo Mäkinen venceu em 1965, um dos anos mais difíceis da história do rali, enfrentando nevascas severas que forçaram a maioria dos competidores a desistir. Ele fez parecer fácil. Para se ter uma ideia, o pequenino Mini, com seu motor de 1.071 cm³, superou um Porsche 904 (1.966 cm³), que ficou em segundo lugar.
Em 1967, foi a vez do compatriota Rauno Aaltonen. Conhecido como “O Professor”, Aaltonen era um mestre da técnica. Depois de ter perdido por pouco em anos anteriores (incluindo um acidente grave em 1962), finalmente conquistou o topo do pódio com seu Mini, à frente de puros-sangues como Lancia Fulvia 1200 HF e Porsche 911S.
Paul Easter e Timo Mäkinen- os vencedores de 1965
Em 1966, garfados no tapetão
Não se pode falar de Monte Carlo sem mencionar 1966. Os Minis cruzaram a linha de chegada em 1º, 2º e 3º lugares, ganhando de lavada.
Era para Timo Mäkinen, Rauno Aaltonen e Paddy Hopkirk terem ocupado os três degraus do pódio, mas, numa das decisões mais polêmicas da história do esporte, os organizadores franceses desclassificaram os Minis (e o Lotus Cortina, que ficou em 4º) por causa de... lâmpadas dos faróis.
Os cartolas alegaram que o sistema de regulagem de intensidade não estava de acordo com as normas francesas. A vitória foi dada ao Citroën DS do também finlandês Pauli Toivonen, mas o público e a imprensa mundial viram aquilo como um tapetão descarado para beneficiar a Citroën.
A polêmica acabou gerando mais publicidade para o Mini do que uma vitória oficial. O mundo inteiro sabia quem eram os verdadeiros reis da neve.
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