Associação destaca que em nenhum mercado do mundo houve aumento de impostos na pandemia

Os números da indústria automotiva divulgados na última sexta-feira (8) pela Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) mostram que a pandemia interrompeu um ciclo de 3 anos de recuperação após a crise de 2015/2016. A entidade também divulgou as projeções para 2021 com expectativa de crescimento, que pode ser impactada caso o governo de São Paulo decida manter o aumento da alíquota de ICMS. 

Olhando pelo lado positivo, dezembro foi o melhor em vendas de veículos no ano, com 243.967 unidades. No entanto, ainda ficou abaixo dos resultados do mesmo mês de 2019 (262.558). Outro dado positivo foram as 209.296 unidades produzidas em dezembro, que superou os diversos entraves logísticos, os necessários protocolos sanitários e as limitações de materiais e componentes.

"A indústria fez um grande esforço para atender a demanda, trabalhando aos finais de semana e suspendendo parte das férias coletivas, mas entra em 2021 com os estoques mais baixos de sua história, suficientes apenas para 12 dias de vendas", ressaltou o presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes.

Volkswagen Gol na Fábrica de Taubaté

O resultado consolidado de 2020, embora tenha sido negativo, não foi tão desolador como se previa no início da pandemia. Os recursos emergenciais na economia e a força do agronegócio contribuíram para mitigar perdas do segundo trimestre, quando boa parte das fábricas e lojas permaneceram fechadas. No total, foram vendidos 2.058.437 veículos em 2020, queda de 26,2% em relação a 2019. Este montante faz a indústria recuar ao patamar de 2016. Em relação a produção, a queda foi maior. Com 2.014.055 veículos fabricados, a redução foi de 31,6%. 

Com a pandemia afetando todos os mercados, as exportações também sofreram. As 324.330 unidades enviadas a outros mercados foram o pior resultado desde 2002, um retrocesso de quase 2 décadas. 

Projeções de crescimento com cautela para 2021

Com a retomada gradual e chegada da imunização, a Anfavea projeta crescimento de 25% para a produção de veículos neste ano. Isso significa volume total de cerca de 2,5 milhões de unidades, número que representa apenas 50% da capacidade técnica produtiva instalada no Brasil. Em relação ao número de licenciamentos, a previsão é de crescimento de 14%, enquanto são esperados aumento de 9% no volume de exportações.

Fábrica de Gravataí - 4 milhões de unidades

“Nunca foi tão difícil projetar os resultados de um ano, pois temos uma neblina à nossa frente desde março, quando começou a pandemia”, explica Luiz Carlos Moraes. "Infelizmente, observamos uma segunda onda de Covid-19 em países do hemisfério norte, que parece ter chegado também ao Brasil. E sabemos que uma imunização pela vacina será um processo demorado, que tomará quase todo o ano, impedindo uma retomada mais rápida da nossa economia. Some-se a isso a pressão de custos, as necessidades urgentes de reformas e surpresas desagradáveis como o aumento do ICMS paulista, e temos diante de nós um quadro que ainda inspira muita cautela nas nossas previsões”, resume o presidente da associação.

Anfavea critica Governo SP por aumentar impostos na pandemia

Eis que no último dia de 2020 foi sancionado pelo Governo do Estado de São Paulo um aumento no Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), que passará de 1,8% para 5,53% a partir de 15 de janeiro, incialmente para veículos usados. O veículo novo também pagará mais imposto no estado, passando dos 12% para 13,3% na mesma data.

O reajuste consta do Decreto nº 65.255/2020 publicado em outubro e faz parte do Pacote de Ajuste Fiscal, afetando diversos outros segmentos. Este reajuste foi fortemente criticado pela Anfavea. "Nenhum país do mundo aumentou impostos na pandemia. Pelo contrário, neste momento estão dando incentivos para toda a indústria, não só automotiva, para se recuperarem", afirmou o Presidente da Anfavea.

O executivo também destacou que a situação não é um problema local, mas mundial. Todos os países estão enfrentando a mesma dificuldade, também estão com produção reduzida, capacidade ociosa de suas fábricas, mas nenhum deles promoveu algum tipo de aumento de impostos. "Não é o momento adequado", conclui Moraes.

A torcida agora é para que governador de São Paulo, João Doria, retroceda nessa questão. Nesta semana, após pressão de alguns setores, o governo anunciou o cancelamento do aumento do ICMS sobre alimentos, insumos agrícolas e medicamentos genéricos.