Fabricantes abandonaram o evento deste ano após questionar custos e formato da feira

Após a debandada da maioria das fabricantes de carros do Salão do Automóvel de São Paulo deste ano, anunciando que não iriam participar da feira, a Anfavea (Associação Nacional das Fabricantes de Veículos Automotores) revela que a edição 2020 foi cancelada. A associação diz que ele foi adiado para 2021, mas que a data ainda não foi resolvida pois é necessário discutir com a OICA (organização internacional das fabricantes), que cuida do calendário global de eventos.

"A decisão de adiar é consenso entre as montadoras. A melhor solução é o adiamento para 2021, pois dependemos do formato e datas para saber quando será realizado", explica Luiz Carlos Moraes, presidente da Anfavea. O executivo revela que tudo sobre o evento será discutido, incluindo o local e até mesmo a cidade onde acontece. Os custos para participar, uma das maiores reclamações das fabricantes, também será um dos temas a serem renegociados. Moraes comentou que a associação estuda o formato usado por outros Salões ao redor do mundo e feiras como a CES.

Algumas marcas ainda insistiam no evento, por ter interesse em apresentar novidades para os próximos anos. A Fiat-Chrysler preparava a estreia dos Jeep Compass e Renegade híbridos plug-in e do Fiat 500 elétrico; a Nissan mostraria o Kicks reestilizado e com motor híbrido e-Power; e a Volkswagen revelaria a versão final do Projeto Tarek, um SUV feito para entrar no segmento do Jeep Compass. Mas, sem a maior parte das fabricantes do país, não fazia sentido participar da feira.

A Reed tentou reverter o quadro por todo este tempo, negociando com as fabricantes para oferecer condições melhores para que as empresas pudessem ter um retorno financeiro com o Salão do Automóvel. Há algumas semanas, um comunicado enviado à imprensa dizia que seria criado um aplicativo para os visitantes, que iria escanear os QR Codes de cada estande para obter o conteúdo apresentado. E, ao fazer isso, a fabricante receberia os dados do visitante para oferecer condições especiais na compra de algum carro. A Reed dizia que seriam gerados mais de 500 mil leads desta forma.

No entanto, as propostas não foram suficientes para animar as fabricantes, que ainda reclamavam de outros problemas. O custo para participar do evento é extremamente alto, com valores entre R$ 4 milhões e R$ 20 milhões. Outra reclamação é que o São Paulo Expo, local do Salão do Automóvel desde a edição 2016, tem um bom espaço, mas seu acesso é muito ruim. Muitas das empresas acreditaram que é melhor investir em eventos próprios para clientes, como a BMW com o M Power Tour e a Mercedes-Benz com o AMG Experience.

Apesar da Anfavea falar que o Salão do Automóvel acontecerá em 2021, ainda há muito o que ser discutido e não há garantias de que ele aconteça. A associação terá que se reunir com a Reed para conseguir resolver as críticas das fabricantes quanto a custos e o formato do evento. Caso isso não aconteça, é possível que vejamos uma repetição dos últimos meses, com as marcas anunciando que não estarão na feira.

“A Reed possui o grande desafio de propor um novo Salão do Automóvel alinhado com as expectativas do público visitante e com a nova realidade das montadoras. Estamos focados na solução deste desafio e comprometidos com a entrega da melhor edição do Salão do Automóvel em 2021”, afirma Cláudio Della Nina, presidente da organizadora, em comunicado.