Teste CARPLACE: Lifan 530 coloca JAC J3 Turin contra a parede

Teste CARPLACE: Lifan 530 coloca JAC J3 Turin contra a parede
Se teve alguma marca de carro no Brasil que pôde comemorar o ano de 2014, esta foi a Lifan. Com uma política de reinício "pé no chão" sob as rédeas da própria matriz, após o mal começo com o 320 (cópia do MINI Cooper) e o 620 (cópia do antigo Corolla) nas mãos dos antigos importadores, a marca emplacou 5.355 unidades e registrou um aumento de 136,5% nas vendas em relação a 2013. Mais do que isso, fez do jipinho X60 o modelo chinês mais vendido do Brasil no ano passado, superando inclusive os carros da JAC, que fez muito mais barulho (lembra do Faustão?) e hoje aguarda a chegada da futura linha a ser produzida na nova fábrica de Camaçari (BA).
Teste CARPLACE: Lifan 530 coloca JAC J3 Turin contra a parede
Mais confiante após o jipinho X60 ter caído no gosto do consumidor, a Lifan aposta agora no seu segundo carro de passeio ao país. Trata-se do 530, um sedã compacto com premissa bem semelhante à do X60: desenho atraente e pacote recheado de equipamentos a um preço agressivo. A partir de R$ 38.990, o modelo tem motor 1.5 16V e traz ar-condicionado, direção elétrica, rodas de alumínio aro 15", sensor de estacionamento traseiro e conjunto elétrico de travas, vidros e retrovisores, além dos obrigatórios freios com ABS e airbags frontais. A versão testada por CARPLACE, a Talent, acrescenta central multimídia com GPS e câmera de ré, a R$ 40.990. Por mais R$ 1.500, leva-se bancos revestidos de couro e luz diurna de LED's, compondo um valor final de R$ 42.490. Para efeito de comparação, rivais nacionais como Ford Ka+ 1.5 SEL e Chevrolet Prisma LTZ 1.4 custam na faixa dos R$ 50 mil.
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Como já falamos anteriormente sobre modelos chineses, ainda falta algum caminho para o 530 percorrer se quiser fazer frente aos rivais ocidentais. Há falhas grotescas na montagem e acabamento, com plástico de baixa qualidade por toda a parte e diversas rebarbas aparentes, além de peças mal-encaixadas - como estavam as coberturas plásticas das colunas dianteiras e as borrachas da porta do motorista. O que não deixa de ser uma pena, pois no geral o sedanzinho não merece a pecha de "bonitinho, mas ordinário" que cheguei a ouvir por aí... Fiz uma brincadeira e coloquei uma foto do quadro de instrumentos do 530 na página do CARPLACE no Facebook, desafiando os leitores a dizer de qual carro se tratava. As respostas variaram de Veloster Turbo a HB20 reestilizado, o que só comprova a inspiração da Lifan na Hyundai para desenvolver o desenho da peça. Velocímetro e conta-giros são envolvidos por molduras com desenho estiloso, além de os ponteiros ficarem virados para baixo - como nos Alfa Romeo! No centro, o visor digital é quase igual ao do HB20, incluindo as informações do computador de bordo.
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O painel segue o bonito design do lado externo, com linhas suaves e volumosas, dando ênfase à central multimídia com tela sensível ao toque. Aliás, o sistema vem com GPS (um pouco lento na navegação) e tem uma câmera de ré com uma resolução surpreendentemente boa. Curiosidade: o comando de gravar a estação de rádio é a figura de um disquete! Saudosismo à parte, a central até que funciona legal e serve como argumento contra alguns rivais, como o JAC J3 Turin S que escalamos para recepcionar o 530. O modelo da JAC tem como última novidade o motor 1.5 16V JetFlex com 127 cv, além do visual recentemente renovado.
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Nas ruas, o Lifan atrai não só por ser novidade, mas também pelo design bem resolvido. Mesmo entre os sedãs compactos nacionais, o 530 faz boa figura, mostrando linhas harmônicas, com grade bem destacada, faróis de formato irregular e vincos bem definidos, sem exageros. Atrás, as lanternas colocadas nas pontas da carroceria e com desenho espichado para cima "empinam" o bumbum do modelo, dando um toque esportivo. Ao lado dele, o JAC mostra suas rugas mesmo nesta versão recém-reestilizada, enquanto o 530 exibe conceitos de modelos mais novos, como setas nos retrovisores, refletores na parte inferior do para-choque traseiro e luzes diurnas de LED's. Internamente, ambos copiam escolas mais tradicionais. O Lifan é uma tentativa de Hyundai, enquanto o JAC tem inspiração nos Volkswagen. A posição de dirigir é apenas regular em qualquer um deles, com volante que só ajusta em altura, mas no 530 o motorista fica em posição elevada e no J3, afundada. Os bancos do Lifan são melhores, com espuma mais densa e abas laterais mais pronunciadas, ao passo que no J3 o corpo fica "solto" nas curvas. Melhor no JAC é o acabamento, já um passo à frente do conterrâneo, com peças mais bem encaixadas e plásticos de tato e aparência melhores. Isso sem falar no isolamento acústico, vantagem clara do J3 que aparece principalmente na estrada. No Lifan, parece que o motor está dentro da cabine em altos giros, tamanho berro dele na sua orelha.
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O JAC também dá as cartas quando o assunto é motor, sem falar no fato de ser flex - o que não deixa de ser um alívio em tempos de gasolina nas alturas. Com a mesma cilindrada, 1.5 litro, e cabeçote 16 válvulas com comandos variáveis, o J3 dispõe de 127 cv de potência e 15,7 kgfm de torque, enquanto o 530 estaciona nos 103 cv e 13,6 kgfm, respectivamente - números um tanto tímidos para um propulsor 1.5 de concepção moderna. Na prática, porém, nem o J3 anda tanto assim, nem o 530 deixa a desejar. Ambos precisam de giros mais altos para render bem, tendo respostas lentas abaixo de 2,5 mil rpm, especialmente o Lifan. Mas nada que desabone no uso urbano, com uma tocada agradável nos dois casos. Acelerando mais fundo o J3 abre distância, literalmente: ele cravou 11,2 segundos na prova de 0 a 100 km/h, deixando o 530 bem para trás, com 13,5 s. Na medição que simula uma ultrapassagem na estrada, a retomada de 80 a 120 km/h em quarta marcha, a vantagem do JAC foi ainda maior, com 12,4 s contra 16 s. Ou seja, se a ideia é viajar com a família e o porta-malas abarrotado, o Turin é mais indicado.
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Mas desempenho não é tudo, e a surpresa é que o 530 exibe melhor acerto dinâmico. A direção é firme (até um pouco pesada para um sistema elétrico) e a suspensão concilia bem conforto com estabilidade. Além disso, seus pneus da marca Fate argentina são bem mais aderentes que os Champiro chineses do JAC, que cantam à toa. Excetuando-se a embreagem muito alta, o 530 é mais agradável de dirigir que o J3: direção mais precisa, supensão que não deixa a carroceria balançar tanto e câmbio de engates mais macios são alguns dos argumentos do Lifan. Já o JAC não tem um chassi à altura da força do motor 1.5, mostrando uma direção leve demais (boba na estrada) e uma suspensão molenga que não transmite segurança em curvas mais rápidas, além do câmbio de engates duros.
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No papel, era também para o Lifan se sair melhor que o JAC nas frenagens. Mas, apesar dos freios a disco nas quatro rodas, o 530 nos deu um susto no teste: logo na segunda passagem de 100 km/h a 0, o sistema apresentou fadiga, o pedal afundou e a distância de parada subiu de 45,7 metros para 54,8 m. O J3, por sua vez, mostrou regularidade nas quatro passagens mesmo usando tambores na traseira (menos resistentes ao fading do que os discos), e cumpriu a mesma prova com 43,9 metros. Em uso normal, no entanto, o sistema de freios do 530 não apresentou problemas. Em oposição aos freios, o consumo do Lifan foi destaque. Bebendo apenas gasolina, ele conseguiu média de 12 km/l na cidade e muito bons 16,0 km/l na estrada. O J3 tem o benefício de ser flex e, avaliado com etanol, ficou dentro da média de carros com motorização semelhante, alcançando 7,8 km/l no circuito urbano e 11 km/l no rodoviário. Para compensar o maior gasto do etanol, o JAC vem com tanque de capacidade superior: 48 l contra 42 litros.
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No restante das dimensões, porém, o 530 não dá chance ao rival e vence em comprimento, largura, altura e, principalmente, na distância entre-eixos. São 2,55 metros contra apenas 2,40 m do J3. Essa vantagem fica clara no espaço interno mais amplo do Lifan, tanto na distância entre os bancos quanto na largura entre as portas. No banco de trás, além do maior espaço para as pernas, o 530 inova na categoria por ter o assoalho totalmente plano (como no Honda Civic), aumentando o conforto dos ocupantes. Já em termos de porta-malas eles se equivalem, com pequena margem para o Turin: 490 l contra 475 litros, sendo que ambos agradam por terem a parte interna da tampa com forração de tecido.
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A conclusão é que, salvo pelo motor mais potente e bicombustível, o J3 ficou em posição delicada frente ao novo rival. Claro que a Lifan ainda vai precisar conquistar a confiança do consumidor, mas ao menos ela parece ter iniciado bem a nova fase e, o melhor, está sendo mais chinesa onde deve ser, no preço. O J3 Turin S não sai por menos de R$ 43.690, e o 530 com equipamentos semelhantes custa R$ 38.990. Enquanto os chineses não alcançam o padrão de qualidade de japoneses ou coreanos, tende a se dar bem quem cobrar menos... Por Daniel Messeder Fotos: autor e Rafael Munhoz
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Lifan 530 Motor: dianteiro, transversal, quatro cilindros em linha, 16 válvulas, comando variável de válvulas, 1.498 cm³, gasolina; Potência: 103 cv a 6.000 rpm; Torque: 13,6 kgfm a 3.500 rpm; Transmissão: câmbio manual de cinco marchas, tração dianteira; Direção: elétrica; Suspensão: independente McPherson na dianteira e eixo de torção; Freios: discos ventilados na dianteira e sólidos na traseira, com ABS; Rodas: alumínio aro 15 com pneus 185/60 R15; Peso: 1.140 kg ; Capacidades: porta-malas 475 litros, tanque 42 litros; Dimensões: comprimento 4.300 m, largura 1.690 m, altura 1.490 m, entreeixos 2.550 m. JAC J3 Turin S Motor: dianteiro, transversal, quatro cilindros em linha, 16 válvulas, comando variável de válvulas, 1.499 cm³, flex; Potência: 125/127 cv a 6.000 rpm; Torque: 15,5/15,7 kgfm a 4.000 rpm; Transmissão: câmbio manual de cinco marchas, tração dianteira; Direção: hidráulica;Suspensão: independente McPherson na dianteira e independente com braços duplos na traseira; Freios: discos ventilados na dianteira e tambores na traseira, com ABS; Rodas: liga leve aro 15 com pneus 185/60 R15; Peso: 1.100 kg ; Capacidades: porta-malas 490 litros, tanque 48 litros; Dimensões: comprimento 4.155 m, largura 1.650 m, altura 1.465 m, entreeixos 2.400 m.
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Lifan 530

Aceleração 0 a 60 km/h: 5,6 s 0 a 80 km/h: 8,6 s 0 a 100 km/h: 13,5 s Retomada 40 a 100 km/h em 3a marcha: 13,6 s 80 a 120 km/h em 4a marcha: 16,0 s Frenagem 100 km/h a 0: 45,7 m 80 km/h a 0: 28,3 m 60 km/h a 0: 15,1 m Consumo Ciclo cidade: 12,0 km/l Ciclo estrada: 16,0 km/l

JAC J3S

Aceleração 0 a 60 km/h: 5,1 s 0 a 80 km/h: 7,4 s 0 a 100 km/h: 11,2 s Retomada 40 a 100 km/h em 3a marcha: 11,3 s 80 a 120 km/h em 4a marcha: 12,4 s Frenagem 100 km/h a 0: 43,9 m 80 km/h a 0: 26,5 m 60 km/h a 0: 14,8 m Consumo Ciclo cidade: 7,8 km/l Ciclo estrada: 11,0 km/l

Galeria de fotos:

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Foto de: Daniel Messeder