A primeira picape Ford Maverick é carioca e teve só uma unidade
Em 1978, uma oficina pôs caçamba no modelo clássico cupê da Ford
A grande novidade da Ford é a picape Maverick, que teve suas primeiras fotos divulgadas em junho. Produzida no México, com motorizações 2.5 híbrida ou 2.0 EcoBoost turbo, essa cabine dupla com estrutura monobloco deverá chegar ao Brasil no ano que vem para brigar com a Fiat Toro nacional. Mas você sabia que já houve uma picape Ford Maverick produzida no Brasil? Ou quase isso...
Os anos 70 foram férteis em indústrias fora-de-série e automóveis modificados artesanalmente. Foi o caso de um curioso Maverick com caçamba feito em 1978 pelo mecânico João Luiz Woerdenbag, dono da oficina Motorfix, na Rua Assunção 260, em Botafogo, Rio de Janeiro.
Construída em chapa a partir de um Maverick quatro portas, ano 1975, a “picape de luxo” levou dez meses para ficar pronta. Segundo a reportagem, o carro perdeu 200 de seus 1.370 quilos originais. A capacidade de carga era de 400 quilos. Parecia uma miniatura da Ford Ranchero americana. Na época, o Brasil ainda não produzia picapes derivadas de carros de passeio (a pioneira Fiat 147 Pick-up seria apresentada no Salão de 78).
Um belo jogo de rodas palito Italmagnésio, além de retrovisor externo do Maverick GT e detalhes pretos na pintura ajudavam a dar esportividade ao conjunto. As lanternas traseiras foram "atualizadas" para o modelo pós-1977 e a picape trazia os olhos de gato retangulares (da versão LDO) nos para-lamas traseiros. Os frisos laterais eram do Maverick Super Luxo. Os textos da época não dizem se o exemplar das fotos tinha motor de quatro, seis ou oito cilindros.
Com o agravamento da crise do petróleo, a partir de 1978, os Maverick rapidamente foram rebaixados do luxo ao lixo. Uns tantos foram cortados, ganharam caçamba e acabaram como veículos de carga (o mesmo destino de muitos Galaxie e Dodge Dart na década de 80). Mas nenhum ficou tão caprichado quanto a picape Maverick Woerdenbag.
Sobrenome veloz
A família Woerdenbag teve grande tradição automobilística no Rio. O pioneiro foi o engenheiro holandês Johanes Gerardus Woerdendag, mais conhecido como João Geraldo ou “João Alemão”. Em sua oficina na Rua do Senado, centro da cidade, ele construiu o monoposto que venceu o Circuito da Gávea de 1940, pilotado por Rubem Abrunhosa. Afora a mecânica Studebaker, de oito cilindros em linha, e a suspensão de Alfa Romeo, quase tudo era nacional.
Os dois filhos de Johanes - Thomas e João Luiz (pai do cantor Lobão) - deram continuidade aos trabalhos. De suas oficinas saíram carros como um conversível com motor Packard que venceu concursos de elegância nos anos 50. Esse carro, aliás, hoje está na garagem de um colecionador paulista e aguarda restauração.
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