Produção da picape deveria acontecer em conjunto com a nova Amarok, mas a marca alemã desistiu do projeto

Parceiras na criação de veículos comerciais, FordVolkswagen fizeram um acordo para que a marca norte-americana desenvolvesse a nova Ranger e, a partir dela, os alemães a transformassem na próxima Amarok. Embora a cooperação ainda exista em nível global, os planos para produção conjunta na Argentina acabaram descartados por uma decisão unilateral da VW. Só que a Ford diz que isso não foi um problema para o projeto da picape no país vizinho.

Martín Galdeano, presidente da Ford Argentina, concedeu uma entrevista ao jornal Clarín logo após o anúncio de que a fabricante irá investir US$ 580 milhões na fábrica de General Pacheco para produzir a nova Ranger em 2023. O executivo falou um pouco não só sobre a picape em si, mas também sobre os bastidores do Projeto Cyclone, como era conhecido o plano de produção de Ranger e Amarok na mesma linha de montagem.

Galeria: Nova geração da Ford Ranger - Imagens vazadas

O Projeto Cyclone foi anunciado com a retomada da parceria entre as duas marcas. A fábrica em General Pacheco, que foi erguida na época da Autolatina, acabou dividida entre Ford e VW quando a joint venture chegou ao fim. A ideia era acabar com esta separação e montar Amarok e Ranger juntas, já que terão a mesma plataforma e, segundo rumores, até motores em comum.

Em abril deste ano, a Volkswagen acabou com o projeto ao anunciar que a nova Amarok será feita somente na África do Sul, na mesma fábrica da Ford que faz a Ranger exportada para a Europa. Informações de bastidores publicadas na Argentina diziam que a situação financeira do país, aliada à um desacordo da VW Argentina sobre passar a Amarok para a Ford (produto que é visto como uma conquista da marca no país) e questões relacionadas à perda de uma linha de montagem levaram à VW América Latina a desistir do plano.

Galdeano explicou ao Clarín que a desistência da Volkswagen sobre a produção argentina não passou a sensação de que poderia enfraquecer o projeto da Ranger, e que a marca continuou a trabalhar normalmente. “Nós não mudamos muito o projeto nos meses que passaram, tanto antes quanto durante a pandemia” diz o executivo.

Não foi nem preciso trabalhar duro para convencer a matriz, mesmo que a ideia inicial de montar 100 mil unidades por ano das duas picapes tenha sido descartada. Tanto é que Galdeano diz que o anúncio do investimento não só aconteceu dentro da data esperada, como até um pouco antes do que chegaram a planejar em um certo momento. A pandemia atrasou apenas algumas discussões, como o design, mas nada que atrapalhasse seriamente.

O Clarín até tentou perguntar mais detalhes sobre a Ranger, mas Galdeano se esquivou e não disse muita coisa. Revelou que terá mais de 45% de peças locais, o que é mais do que os atuais 41%, e o que o investimento de US$ 580 milhões será dividido entre o desenvolvimento e localização de alguns componentes na Argentina; e a modernização da linha de montagem em Pacheco, com novas tecnologias para melhorar o processo de produção.

Uma das poucas perguntas que Galdeano respondeu foi sobre o design da nova Ranger, revelando que já viu a versão final da picape e a descreveu como “espetacular, realmente espetacular”. Em 2019, imagens da suposta nova geração foram publicadas na Austrália, adiantando um visual inspirado na F-150. É possível que tenha passado por algumas mudanças desde então.

A expectativa é de que a nova Ford Ranger seja revelada entre o final de 2021 e começo de 2022, mas sua produção na Argentina já foi confirmada para 2023. A fabricante ainda faz mistério sobre quando a picape será apresentada, dizendo que não há uma data definida ainda. O plano original da parceria entre Ford e VW era que ambas fizessem sua estreia em 2021, como modelo 2022, mas a pandemia pode ter causado um atraso neste cronograma de lançamento.