Louco por máquinas, o marido de Elizabeth II tentava passar despercebido em um Metrocab

Ele era casado com a rainha mais famosa do mundo, tinha à disposição uma frota de carros nobres, mas gostava mesmo era de circular por Londres, despercebido, em seu próprio "táxi". O príncipe Philip, duque de Edimburgo e, principalmente, marido da Rainha Elizabeth II, morreu nesta sexta-feira, aos 99 anos, encerrando uma longa história de paixão por automóveis.

Em 1948, apenas um ano depois de se casar com Elizabeth (então princesa), Philip encomendou o primeiro Rolls-Royce a ganhar uma vaga em Royal Mews, o estábulo-garagem do Palácio de Buckingham. Era um Phantom IV, usado até hoje em grandes eventos. Antes da chegada do consorte, os carros oficiais da família real britânica eram da Daimler Company.

Rolls-Royce Phantom IV 1948
Encomendado por Philip em 1948, o Phantom IV foi o primeiro Rolls-Royce da família real britânica. Está em uso até hoje.
Lagonda 3-Litre Drophead Coupe
O pequeno príncipe Charles entre Phillip e Elizabeth, em um elegante Lagonda 3-Litre Drophead Coupe
Em 1966, com o carro-conceito Triplex Scimitar GTS, dotado de teto de vidro
Em 1966, com o carro-conceito Triplex Scimitar GTS, dotado de teto de vidro

Ao longo das décadas seguintes, o príncipe mostraria grande entusiasmo ao comando de barcos, aviões e carros. Gostava de dirigir rápido e teve esportivos como um MG-TC, um Lagonda 3-litre e um Alvis TD21 e até um carro-conceito: o envidraçado Triplex Scimitar GTS. Na maturidade, vieram incontáveis Land Rover. Em um deles, o príncipe Philip em pessoa serviu de chofer a Barack Obama, então presidente dos EUA, numa visita ao Castelo de Windsor. Era 2016, e o nobre britânico a essa altura já estava com 94 anos.

Após o acidente com o Freelander, em 2019, o príncipe que amava dirigir relutou, mas acabou
Após o acidente com o Freelander, em 2019, o príncipe que amava dirigir relutou, mas acabou "pendurando" a habilitação
Em 2016, aos 94 anos, conduzindo Obama
Em 2016, aos 94 anos, conduzindo Obama

Ele ainda se manteria como um ativo motorista até os 97 anos e só "pendurou" a habilitação, a contragosto, após um acidente: em janeiro de 2019, ofuscado pelo sol, o príncipe deu bobeira em um cruzamento e chocou seu Freelander contra um Kia Carens (quebrando o pulso de uma das ocupantes do veículo plebeu sul-coreano). Mesmo assim, o príncipe Philip não deu o braço a torcer e continuou a dirigir dentro das extensas propriedades reais, além de conduzir carruagens e um carrinho de golfe!

Em 1999, no Metrocab novo em folha
Em 1999, no Metrocab novo em folha

Mas vamos ao discreto, porém famoso, táxi do príncipe: um Metrocab verde-escuro (ok... british racing green, para ficar no clima), ano 1999. Desconhecida no Brasil, a Metrocab foi uma marca britânica especializada em táxis, cuja aventura na praça durou de 1987 a 2006.

A ambição da Metrocab era concorrer com a LTI Carbodies - esta sim, famosa por seus black cabs FX4, de design tão anacrônico e longevo que tornou-se parte da paisagem de Londres. A Metrocab, por sua vez, propunha um visual, digamos, "mais moderno" em seus táxis. Eram linhas retas, bem típicas de carros das décadas de 70 e 80 (enquanto o rival parecia saído diretamente dos anos 50).  

O Metrocab real tem sete lugares, no total
O Metrocab real tem sete lugares, no total

A carroceria do Metrocab era de fibra de vidro, produzida pela Reliant - aquela mesma dos carrinhos de três rodas. Era leve, o que ajudava a economizar combustível, não enferrujava e ia montada sobre um chassi de aço galvanizado. Havia espaço interno de sobra mesmo para cadeirantes - o modelo foi o primeiro táxi britânico a oferecer esse tipo de acesso. A versão usada pelo príncipe era a de sete lugares, com banquinhos basculantes na parte traseira da cabine.

A maioria dos táxis Metrocab era movida por um trepidante e pouco potente motor Ford 2.5 a diesel, o mesmo dos furgões Transit. Por questões de conforto e desempenho, o exemplar do príncipe Philip tinha motor Toyota 2.4 a gasolina (dos sedãs Crown). Pouco depois da entrega, com um argumento ecológico, o carro foi convertido para queimar GLP. Isso mesmo: o gás liquefeito de petróleo dos botijões domésticos, e muito usado na Europa como carburante em motores.

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O "táxi" é verde-escuro e tem motor Toyota a gasolina, convertido para GLP

Apesar de muito prático na batalha das ruas, o Metrocab não emplacou, saindo de cena antes do black cabs tradicionais da LTI. Talvez o problema tenha sido o estilo sem sal, que misturava grade e faróis do Ford Granada Mark II, lanternas traseiras do Escort conversível e partes do painel do Austin Maestro. Resultado: os primeiros modelos lembravam, vagamente, uma Belina II grávida. Em 1999, quando foi produzido o táxi do príncipe Philip, a frente já lembrava a dos Opala 1980-1987. Houve uma tentativa de relançar a marca Metrocab, em 2014, com capital chinês e motor elétrico, mas o projeto não deu em nada.

Galeria: Os carros do Príncipe Philip da Inglaterra

Fato é que o velho Metrocab era muito conveniente e bastante discreto para que o príncipe consorte do Reino Unido da Grã-Bretanha desse suas escapadas do Palácio de Buckingham, como motorista ou passageiro. Tanto que o "táxi de Sua Alteza" foi usado até 2017. À época, com 18 anos de uso intenso, o carro já precisava de uma boa reforma e acabou por ser aposentado. Hoje está em exibição no Museu de Sandringham, a 150km de Londres, juntamente com outros antigos automóveis da família real.

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