Golf, Focus, Golf Variant, DS3, Fiesta... Carros legais de dirigir estão saindo de linha para dar lugar aos superestimados utilitários esportivos

Nesta semana mais um hatch bom de dirigir deu adeus ao mercado brasileiro. Estou falando do Fiesta, o compacto que tinha a melhor dinâmica do mercado - e isso vem de gerações. Quem já andou no novo Fiesta europeu garante que ele está ainda mais gostoso de guiar, mas, por aqui, teremos de nos contentar com o Ka. Focus? O hatch médio da Ford era outra referência em termos de dirigibilidade. Tive o prazer de possuir um exemplar de cada geração (do Fiesta só não tive a primeira vendida aqui, importada da Espanha), mas agora fui obrigado a mudar de carro - ou melhor, de segmento, porque os hatches médios como um todo também estão morrendo. 

Ford Fiesta SE Style EcoBoost 2018

A Volkswagen até que insistiu no Golf no Brasil, mas a chegada do T-Cross praticamente encerrou a carreira do modelo por aqui, restando apenas o esportivo GTI. A bela perua Golf Variant também ficou apenas nas fotos das férias passadas... Na Ford, o Fiesta do ABC paulista e o Focus argentino não terão sucessores diretos, de modo a acompanhar o plano da matriz norte-americana de investir em SUVs e picapes em detrimento de hatches e sedãs. O Fusion será o próximo da lista a desaparecer, pois teve seu fim decretado para 2020 no México, de onde vem o modelo importado para cá. 

Passeando pelo portfólio de outras marcas, vemos outras perdas sentidas. Na DS, marca de luxo da Citroën, o invocado hatch DS3 virou o crossover DS3 Crossback, sem metade do apelo visual e tocada divertida do antecessor. O Fiat 500 Abarth deixou de ser importado. O Punto T-Jet deu lugar ao esportivado Argo HGT. A Suzuki desistiu de trazer o Swift Sport, enquanto a VW enterrou de vez o Fusca, que na última geração era quase um Golf GTI com desenho nostálgico. 

Volkswagen Fusca e Citroën DS3
Fiat Abarth

Enquanto isso, prolifera o lançamento de SUVs. Aqui na garagem do Motor1.com há quatro carros de teste no momento em que escrevo esse texto, e os quatro são utilitários-esportivos ou crossovers! Todas as marcas querem morder uma parte da fatia mais saborosa do bolo do mercado nacional - além de venderem bem, SUVs têm a margem de lucro mais alta para as montadoras. Mas espero que não chegue o dia em que carros sejam sinônimos de SUVs.  

Felizmente, no entanto, ainda há gasolina correndo nas veias de alguns marketeiros da indústria. A VW com o Jetta GLI é um exemplo disso, mostrando que na faixa de R$ 150 mil você não precisa comprar obrigatoriamente um SUV para ser feliz. E a marca alemã ainda prepara a estreia das versões GTS do Polo e do Virtus, que prometem resgatar a aura dos antigos Gol GT e GTi. Palmas também para a Honda, por trazer o Civic Si (esse ainda com câmbio manual!), e para a Renault por seguir com o Sandero RS, que é o carro com a melhor relação custo-diversão do mercado nacional. Tomara que a Peugeot faça o mesmo e mantenha a versão GT do 208 na próxima geração feita aqui (ou na Argentina).

Até lá, dá-lhe SUVs. Nesta próxima sexta (12) e na terça da semana que vem (18) já tem lançamento de mais dois modelos do tipo...

Fotos: arquivo Motor1.com e divulgação