Motor1 Italia acelera BYD Atto 2; veja os pontos fortes e fracos
Versão europeia oferece uma prévia do SUV híbrido plug-in flex que já está em pré-venda no Brasil por R$ 149.990
O BYD Atto 2 ainda não começou a ser entregue aos primeiros clientes brasileiros, mas já permite uma boa ideia do que o consumidor encontrará quando o SUV chegar às concessionárias. Enquanto a versão nacional com tecnologia DM-i Flex se prepara para iniciar as vendas, a redação do Motor1.com Italia teve a oportunidade de avaliar a configuração híbrida plug-in comercializada na Europa.
Apesar das diferenças naturais entre os dois mercados, principalmente pela adoção do motor flex desenvolvido para o Brasil, a arquitetura do veículo e a filosofia do conjunto mecânico permanecem praticamente as mesmas, tornando essa experiência uma interessante prévia do projeto que a BYD escolheu para estrear mundialmente sua tecnologia híbrida plug-in flex.
Espaço de SUV médio em dimensões de compacto
A primeira impressão deixada pelo Atto 2 é a de um SUV que aproveita muito bem suas dimensões. Com 4,33 metros de comprimento, ele ocupa praticamente o mesmo espaço de modelos como Volkswagen T-Cross, Hyundai Creta e Chevrolet Tracker, mas a carroceria de linhas mais verticais permite criar um habitáculo surpreendentemente amplo. A equipe italiana destacou o espaço disponível para quem viaja no banco traseiro, inclusive passageiros acima de 1,90 metro de altura, além do piso totalmente plano, que facilita o transporte de um quinto ocupante.
O porta-malas também recebeu elogios. São 425 litros na configuração europeia, com formas regulares e piso ajustável em dois níveis para melhorar o aproveitamento do espaço. Outro ponto destacado foi a percepção de qualidade. Segundo o Motor1.com Italia, o acabamento utiliza materiais macios nos pontos de maior contato e transmite uma sensação superior à esperada para um SUV desse porte.
Espaço interno do BYD Atto 2 DM-i
O sistema híbrido é o protagonista
Se o espaço interno surpreende, é o conjunto híbrido que realmente diferencia o Atto 2 dos concorrentes. Na versão europeia avaliada, o sistema combina um motor 1.5 a gasolina de quatro cilindros com um motor elétrico, entregando pouco mais de 210 cv de potência combinada e utilizando uma bateria de 18 kWh.
O funcionamento, porém, foge da lógica tradicional dos híbridos plug-in. Mesmo quando a bateria parece descarregada, ela nunca é utilizada integralmente. O sistema mantém aproximadamente 25% da carga como reserva, permitindo que o motor elétrico continue participando da movimentação do veículo. Em situações de menor demanda, o motor a combustão trabalha principalmente como gerador de energia; quando é necessário acelerar com mais intensidade, ambos passam a mover as rodas em conjunto.
BYD Atto 2 DM-i
Na prática, o resultado é uma condução muito próxima à de um carro elétrico durante boa parte do tempo, sem que o consumo aumente de forma significativa quando a bateria atinge seu limite mínimo de utilização.
Essa filosofia é exatamente a mesma adotada pela versão DM-i Flex apresentada pela BYD para o Brasil. A diferença é que, por aqui, o motor também poderá operar com etanol, tecnologia desenvolvida especificamente para o mercado brasileiro.
Consumo impressiona mesmo com a bateria descarregada
Os números obtidos pela redação italiana ajudam a explicar por que a BYD aposta tanto nessa arquitetura. Com a bateria totalmente carregada, o Atto 2 percorreu cerca de 90 quilômetros apenas em modo elétrico, registrando consumo médio de 15 kWh/100 km.
Essa característica chamou atenção da redação italiana também pelos resultados obtidos durante a avaliação. Com a bateria carregada, o Atto 2 percorreu aproximadamente 90 quilômetros em modo exclusivamente elétrico. Depois disso, mesmo operando no modo híbrido, continuou registrando consumos bastante baixos, alcançando cerca de 25 km/l em uso urbano, 23 km/l em trechos rodoviários e pouco menos de 13 km/l em autoestradas.
BYD Atto 2 DM-i
Evidentemente, esses números não podem ser transportados diretamente para o Brasil. A versão nacional utilizará um conjunto flex calibrado para gasolina e etanol, além de seguir os critérios de medição do Inmetro. Ainda assim, os testes mostram que a arquitetura desenvolvida pela BYD consegue preservar boa eficiência mesmo quando a bateria deixa de ser a principal fonte de energia.
Nem tudo é perfeito
A avaliação italiana também identificou alguns pontos que ainda podem evoluir. O principal deles é a calibração da direção. Muito leve nas manobras urbanas, ela facilita o uso diário, mas transmite pouca precisão em velocidades mais altas, exigindo pequenas correções constantes de trajetória.
O sistema de freios também recebeu ressalvas. A transição entre a frenagem regenerativa e a mecânica ainda poderia ser mais natural, reduzindo a sensação de mudança de comportamento no pedal.
BYD Atto 2 DM-i
Por fim, a suspensão privilegia claramente o conforto. Ela absorve bem as irregularidades e contribui para uma condução bastante agradável, mas permite movimentos mais perceptíveis da carroceria em curvas, especialmente quando o ritmo aumenta.
Nem tudo, porém, foi perfeito. O Motor1 Italia apontou que a direção prioriza claramente o conforto nas manobras urbanas, mas transmite pouca precisão em velocidades mais elevadas. O sistema de freios também poderia apresentar uma transição mais natural entre a regeneração e a frenagem convencional, enquanto a suspensão, bastante confortável para absorver irregularidades, permite movimentos de carroceria um pouco mais evidentes em curvas feitas em ritmo mais alto. Nenhuma dessas características compromete o projeto, mas ajudam a definir a personalidade do SUV, claramente voltada ao conforto e ao uso cotidiano, muito mais do que à esportividade.
O que esperar do BYD Atto 2 Flex brasileiro
As impressões italianas ajudam a entender por que a BYD demonstra tanta confiança no Atto 2 antes mesmo do início da produção nacional. No Brasil, o SUV chega por R$ 149.990 na versão GL e R$ 169.990 na GS, posicionando-se diretamente entre os principais SUVs compactos do mercado e, ao mesmo tempo, tornando-se um dos híbridos plug-in mais acessíveis do país. A estratégia também explica a abertura antecipada das reservas. Antes mesmo das primeiras entregas, a fabricante já iniciou a comercialização para medir a demanda e ocupar espaço em um segmento dominado por modelos como Volkswagen T-Cross, Hyundai Creta, Honda HR-V e Chevrolet Tracker.
A expectativa da BYD é que o Atto 2 se torne um de seus principais produtos no Brasil, repetindo parte do sucesso obtido anteriormente pelo Dolphin e, mais recentemente, pelo Song Pro. Curiosamente, será justamente o Song Pro DM-i Flex o primeiro híbrido flex da marca a efetivamente chegar às lojas, abrindo caminho para que o Atto 2 amplie a presença da fabricante em uma das categorias mais importantes do mercado brasileiro.
BYD Atto 2 Híbrido Plug-in Flex 2027
Claro, ainda será necessário dirigir a versão produzida para o Brasil para entender como a calibração desenvolvida para gasolina e etanol influencia desempenho, consumo e comportamento dinâmico. Mesmo assim, a experiência do Motor1.com Italia indica que o Atto 2 tem potencial para competir não apenas pela tecnologia embarcada, mas principalmente pelo equilíbrio do conjunto. Em um segmento onde conforto, espaço interno e eficiência costumam pesar mais do que desempenho absoluto, essa talvez seja exatamente a combinação que a BYD procura oferecer.
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