Volvo dá nova sobrevida ao XC90 e híbrido passa dos 160 km sem gasolina
SUV ganha bateria quase duas vezes maior e seguirá convivendo com o elétrico EX90 nos próximos anos; veja tudo o que muda
Contrariando quem imaginava que o EX90 marcaria o começo do fim para o XC90, a Volvo não parece disposta a aposentar tão cedo seu maior SUV a combustão. Depois da reestilização apresentada em 2024 e que chegou ao Brasil em meados de 2025, o veterano receberá outra atualização na linha 2027, desta vez concentrada principalmente no conjunto PHEV.
O movimento acompanha uma revisão semelhante preparada para o XC60 e deixa clara a mudança de estratégia da marca nos últimos anos. Em vez de simplesmente substituir seus SUVs híbridos por equivalentes elétricos, a Volvo continuará investindo nos dois enquanto houver demanda, agora com baterias bem maiores e autonomia elétrica capaz de corrigir justamente um dos pontos em que começavam a ficar para trás diante da evolução dos plug-in mais recentes.
Até 164 km de alcance elétrico
A principal mudança está escondida sob o assoalho, onde o XC90 T8 passa a usar uma bateria de 41,2 kWh, dos quais 37,9 kWh são aproveitáveis, praticamente o dobro dos 19 kWh disponíveis no conjunto anterior. É uma capacidade que já se aproxima daquela encontrada em carros compactos totalmente elétricos, caso de modelos como Geely EX2 e BYD Dolphin GS.
Com o novo conjunto, o XC90 poderá percorrer até 164 km utilizando somente eletricidade, dependendo do ciclo de homologação e da configuração escolhida. O salto é considerável para um SUV que já não era unanimidade neste quesito e vinha perdendo terreno principalmente diante dos híbridos plug-in chineses, que avançaram rapidamente em capacidade de bateria e alcance nos últimos anos.
Quando o motor a gasolina entra na conta, a autonomia total declarada chega a 1.100 km, ajudada também pelo tanque de combustível de 68 litros. Com isso, a Volvo amplia bastante a parcela de uso que pode ser feita sem gastar gasolina, mas sem abrir mão da flexibilidade para viagens longas que continua sendo um dos principais argumentos dos híbridos plug-in.
T8 chega a 461 cv e recarrega mais rápido
A atualização não ficou restrita às células da bateria. No eixo traseiro trabalha um motor elétrico otimizado de 130 kW, equivalentes a 177 cv, enquanto um gerador de partida integrado aprimorado contribui com outros 52 kW, ou 71 cv, ajudando também na entrega de potência e torque do conjunto.
O conhecido 2.0 turbo de quatro cilindros também recebeu mudanças e passa a trabalhar com ciclo Miller, utilizando o fechamento antecipado das válvulas de admissão para melhorar a eficiência. No XC90 T8 AWD Long Range Plug-in Hybrid, todo o sistema chega a 339 kW, equivalentes a 461 cv, sempre combinado ao câmbio automático de oito marchas e à tração integral.
A recarga também foi aprimorada para acompanhar o salto na capacidade da bateria. A Volvo ainda não informou se XC90 e XC60 passarão a aceitar carregamento rápido, mas afirma que, mesmo com praticamente o dobro de capacidade, uma carga completa levará menos de seis horas em um carregador de nível 2, representando aumento de apenas 14% no tempo necessário em relação ao conjunto anterior.
XC90 ainda terá alguns anos pela frente
Inicialmente, a expectativa era que o XC90 cedesse gradualmente espaço ao EX90 dentro da gama, mas a realidade do mercado e a revisão das metas de eletrificação acabaram dando novo fôlego aos híbridos plug-in. Em vez de aposentar o veterano, a Volvo optou pela convivência entre as duas propostas, mantendo o XC90 como alternativa para quem ainda busca a versatilidade do motor a combustão em viagens mais longas.
O EX90, assim, assume o papel de vitrine tecnológica da marca para o futuro, enquanto o XC90 T8 continua atendendo o cliente de alto padrão que ainda não pretende depender exclusivamente da recarga. Isso ajuda a explicar por que a Volvo voltou a investir tanto no conjunto híbrido de um modelo que, até pouco tempo atrás, parecia caminhar para os últimos anos de produção.
No visual, porém, as mudanças são bem menores. O XC90 mantém praticamente intacto o desenho apresentado na atualização que chegou ao Brasil em meados de 2025 e, mesmo com mais de uma década desde a estreia desta geração, continua longe de parecer pequeno diante dos SUVs grandes atuais. São 4.953 mm de comprimento, 1.923 mm de largura, 1.767 mm de altura e generosos 2.984 mm de distância entre-eixos.
Na Europa, a versão B5 AWD mild-hybrid continua sendo a opção de entrada por 81.490 euros, cerca de R$ 483 mil em conversão direta, enquanto o novo T8 plug-in parte de 90.990 euros, aproximadamente R$ 540 mil. O valor representa alta de 2.000 euros sobre os 88.990 euros cobrados anteriormente.
Já por aqui, onde o XC90 é vendido apenas como híbrido plug-in, a gama atual começa em R$ 699.950 na versão Plus e chega a R$ 749.950 na Ultra. A Volvo ainda não informou preços nem previsão de chegada da configuração renovada com a bateria maior ao mercado brasileiro.
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