Ir para o conteúdo principal

Fiat paralisa produção do 500 com motor de Mobi (de novo)

Versão que une motor 1.0 Firefly com sistema MHEV aumentou vendas, mas marca agora sofre de falta de componentes

Fiat 500 híbrido 2026
Foto de: Fiat
Thomas Tironi Thomas Tironi

Quando lançou a atual geração do 500, a Fiat avisou que apostaria só em uma motorização elétrica, focando o subcompacto no crescente segmento de modelos de entrada elétricos da virada dessa década. O problema é que, em pouquíssimo tempo, a concorrência chinesa veio e acabou tirando muito da competitividade do pequeno hatch italiano.

Com preço elevado e uma bateria relativamente pequena diante dos novos rivais, o 500e não alcançou o volume esperado e levou a fábrica de Mirafiori, na Itália, a uma sequência de paralisações por falta de pedidos. A saída encontrada pela Fiat foi adaptar às pressas o projeto originalmente elétrico para receber também uma motorização híbrida leve, capaz de baixar o preço e ampliar consideravelmente o público do modelo.

A estratégia parece ter melhorado a situação, mas criou agora outro problema, e bem curioso:  a linha do 500 voltará a parar nos dias 2, 3 e 4 de setembro e, segundo o grupo Stellantis, desta vez não faltam clientes, mas sim componentes para produzir unidades suficientes do novo 500 Hybrid. Sindicatos italianos, porém, contestam a justificativa e dizem que a demanda continua abaixo do esperado.

Fiat 500 híbrido 2026
Foto de: Fiat

Solução da marca foi usar motor de Mobi 

Para recuperar parte do público perdido pelo elétrico, a Fiat fez um movimento que sequer estava previsto quando esta geração do 500 foi desenvolvida e adaptou sua plataforma para receber novamente um motor a combustão. A escolha recaiu justamente sobre uma mecânica bastante conhecida dos brasileiros, o 1.0 Firefly aspirado de três cilindros usado em modelos como Mobi, Argo, Cronos, C3, Basalt e 208.

A solução também ampliou o uso da eletrificação leve dentro do grupo Stellantis. Até então, o sistema híbrido leve era aplicado principalmente ao 1.0 T200, mas no 500 a marca decidiu combiná-lo ao Firefly aspirado com uma arquitetura de 12 volts. Na Europa, o conjunto trabalha sempre com gasolina e câmbio manual de seis marchas, mantendo uma proposta bastante mais simples que a de um híbrido pleno.

Teste Fiat Mobi Trekking 2026 - motor

Para equipar o 500, motor do Mobi ganhou sistema híbrido leve do Pulse

Foto de: Motor1 Brasil

O 500 Hybrid começou a ser produzido no fim de 2025 justamente para oferecer uma alternativa mais barata ao 500e, sem depender de recarga e com uma mecânica muito mais convencional para o consumidor europeu.

A estratégia até ajudou a devolver volume à fábrica de Mirafiori, mas trouxe de volta também uma cadeia de componentes de motor a combustão que não fazia parte do projeto original desta geração, justamente o que criou o novo gargalo na produção, segundo informações do portal espanhol diariomotor.com.

Fiat 500 híbrido 2026
Foto de: Fiat

Agora faltam peças para fabricar o híbrido

Poucos meses depois de o Hybrid começar a devolver algum fôlego ao 500, Mirafiori teve a produção interrompida entre os dias 2 e 4 de setembro. Segundo o grupo Stellantis, desta vez o problema não está na falta de interessados pelo carro, mas na dificuldade de conseguir componentes suficientes para acompanhar a procura pela nova versão.

O gargalo estaria na Teksid, empresa controlada pelo próprio conglomerado e responsável pela fabricação de componentes de motores em Carmagnola, também na região de Turim. O grupo não revelou qual peça está em falta, portanto não dá para falar em escassez dos motores completos, mas de componentes necessários para que eles sejam produzidos e enviados posteriormente a Mirafiori.

Fiat 500 híbrido (2025)
Foto de: Fiat

A situação ganha um ingrediente curioso justamente porque a dificuldade está dentro da própria estrutura industrial do grupo Stellantis. Também não é a primeira vez que isso acontece neste ano, já que a montagem do 500 foi interrompida nos dias 6 e 7 de julho e enfrentou outros problemas de abastecimento envolvendo componentes mecânicos, para-choques e sensores durante o verão europeu.

Mas o 500 está vendendo tanto assim? Não é o que dizem os sindicatos locais. Segundo dados do FIM-CISL, Mirafiori produziu 36.048 unidades do 500 no primeiro semestre de 2026, somando Hybrid e elétrico, alta de 135,4% sobre as 15.315 do mesmo período de 2025. O avanço é grande, mas ainda fica abaixo do ritmo necessário para alcançar as 100 mil unidades anuais projetadas pela Fiat, enquanto o próprio sindicato estima algo próximo de 80 mil carros no fechamento do ano.

Fiat 500 híbrido 2026
Foto de: Fiat
O que você pensa sobre isso?

Os números disponíveis não separam quanto dessa produção corresponde ao Hybrid, portanto não permitem descartar que a nova versão esteja realmente exigindo mais de determinados fornecedores. Ao mesmo tempo, também não comprovam a ideia de uma demanda excepcionalmente alta, deixando aberta a discussão sobre o verdadeiro motivo das paralisações. 

Por aqui, vale lembrar, a marca tecnicamente também oferece o 500 atual, mas ele também sofre com falta de demanda. No site oficial da Fiat, o modelo aparece na versão Icon, somente elétrica, ainda com ano/modelo 2022 e preço de R$ 214.990. Não há informações se a italiana planeja importar novos lotes ao país, visto que ele não aparece em eventos ou nos planos anunciados pela marca já há algum tempo.

Compartilhe este artigo
Envie seu flagra! flagra@motor1.com