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Volkswagen explica por que abandonou botões e controles giratórios

Marca achou que botões eram coisa do passado e apostou no touch para seus elétricos

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Foto de: Motor1 Brasil

Durante alguns anos, a Volkswagen praticamente declarou guerra aos botões. Com a chegada da família ID, comandos físicos deram lugar a superfícies capacitivas no volante, sliders para controlar volume e temperatura e telas cada vez mais responsáveis por funções antes resolvidas com um simples toque.

Agora, enquanto começa a desfazer parte dessas escolhas, a própria marca resolveu explicar como chegou até ali. A resposta passa pelo início da ofensiva dos carros elétricos: sem histórico suficiente sobre o comportamento desse novo público, a Volkswagen acreditou que uma motorização diferente também exigia uma forma completamente nova de interagir com o carro.

Elétrico precisava parecer diferente

A explicação veio de Andreas Krepp, responsável pela área de garantia da qualidade da alemã, em entrevista à publicação alemã Automobilwoche. Segundo o executivo, havia poucas informações confiáveis sobre o que os primeiros compradores de elétricos realmente esperavam desses carros.

Foi aí que a fabricante decidiu experimentar. Se o motor a combustão estava dando lugar à eletricidade, a lógica adotada naquele momento era que os comandos tradicionais também deveriam evoluir para algo considerado mais moderno.

<p>Botões do ar-condicionado do Volkswagen ID. Polo 2026</p>

Botões do ar-condicionado do Volkswagen ID. Polo 2026

Fotos de: Volkswagen
<p><em>Controles dos vidros e espelhos do Volkswagen ID.3 Neo 2026</em></p>

Controles dos vidros e espelhos do Volkswagen ID.3 Neo 2026

Fotos de: Volkswagen

“Dissemos: ‘vamos instalar sliders em vez dos tradicionais botões giratórios. Esse é o futuro’”, explicou Krepp. O problema apareceu quando os carros chegaram às ruas e o comportamento do consumidor começou a ficar mais claro.

A Volkswagen descobriu que quem comprava um elétrico estava interessado, antes de tudo, em uma nova forma de propulsão. Isso não significava necessariamente querer reaprender a aumentar o volume, mudar a temperatura do ar-condicionado ou controlar outras funções básicas.

“Eles não querem automaticamente comprar uma nave espacial”, resumiu o executivo.

<p><em>Volkswagen ID. Polo GTI 2026 com botões convencionais no volante</em></p>

Volkswagen ID. Polo GTI 2026 com botões convencionais no volante

Foto de: Volkswagen

Clientes fizeram Volkswagen voltar atrás

As reclamações não demoraram a aparecer. Entre os exemplos mais criticados estavam os sliders usados para volume e climatização em modelos da família ID, que nas primeiras versões sequer contavam com iluminação própria, dificultando ainda mais o uso durante a noite.

Os comandos capacitivos no volante também viraram alvo de críticas por permitirem acionamentos involuntários e oferecerem menos retorno ao motorista que teclas convencionais. A discussão chegou ao comando da empresa.

O CEO da Volkswagen, Thomas Schäfer, já havia reconhecido anteriormente que esse tipo de solução “causou muitos danos” à relação com os clientes. A resposta já começou a aparecer nos novos produtos, como é o caso dos novos ID. Polo e ID. Cross, que voltaram a contar com botões físicos para funções básicas.

Até um detalhe aparentemente banal mudou. Os novos compactos elétricos terão botões individuais para todos os vidros, em vez da solução usada em modelos anteriores, que obrigava o motorista a alternar entre dianteiros e traseiros para utilizar apenas dois comandos.

Botão físico não virou inimigo da tecnologia

Para Krepp, o aprendizado mudou a forma como a Volkswagen avalia novas interfaces. Em vez de substituir uma solução apenas por parecer antiga, a marca agora tenta entender onde uma nova tecnologia realmente melhora a experiência e onde um comando conhecido continua funcionando melhor.

O que você pensa sobre isso?

Isso não significa, é claro, abandonar telas ou recursos digitais. Longe disso. Os novos elétricos da fabricante continuarão concentrando boa parte de suas funções em centrais multimídia e sistemas conectados, mas os comandos mais usados no dia a dia já começaram a recuperar espaço próprio.

A mudança também não deve ficar restrita aos elétricos. Modelos a combustão como o Golf e o T-Roc de geração anterior adotaram interiores bastante dependentes de telas nas últimas atualizações, e a nova filosofia da marca abre espaço para que futuras evoluções recuperem mais teclas e seletores físicos. O ID.4 atualizado, que chega nos próximos meses, é outro candidato a seguir esse caminho.

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