Novo Hyundai Tucson muda tudo e segue receita polêmica do i20
SUV abandona os vincos da geração atual, fica mais quadrado e cresce em tamanho; interior também é completamente novo
A coreana Hyundai parece decidida a abandonar qualquer ideia de evolução conservadora em sua nova linha de modelos. Depois de mostrar por aqui o i20, há pouco mais de um mês, revela agora a nova geração do Tucson, que muda quase tudo no visual e leva ainda mais longe a aposta da marca em linhas retas, superfícies planas e soluções pouco convencionais - para não dizer polêmicas.
Ao menos inicialmente, a apresentação é quase inteiramente dedicada ao design. A Hyundai revelou as novas dimensões, mostrou a cabine e confirmou algumas soluções do interior, mas deixou motorização, versões e boa parte dos equipamentos para um segundo momento. As vendas começam primeiro em sua terra natal, a Coreia do Sul, enquanto outros mercados devem começar a receber o SUV ao longo de 2027.
Se a geração atual ficou conhecida pela carroceria cheia de vincos e pelos faróis praticamente escondidos na grade, a Hyundai resolveu jogar essa receita fora. O novo Tucson ficou muito mais quadrado, com capô alto, linhas horizontais e uma dianteira quase vertical, seguindo uma direção parecida com aquela apresentada recentemente pelo novo i20 e que já aparece também no SUV Kona.
Na frente, uma fina faixa de LED atravessa boa parte da carroceria e desce pelas extremidades, formando uma assinatura que remete à letra H. Os faróis principais ficam integrados às áreas escuras nas pontas, enquanto a grade perde o protagonismo e passa a ocupar uma posição mais baixa no para-choque.
Versão tradicional e a aventureira XTR terão dianteiras diferentes
A lateral talvez seja o ponto que mais mudou. Nela, as caixas de roda são grandes e praticamente quadradas - e, com algum esforço, lembram até as da primeira geração - os para-lamas recebem vincos bastante marcados e a linha de cintura é quase reta. A coluna C também chama atenção pela grande peça metálica, que ajuda a separar visualmente o teto preto do restante da carroceria.
Atrás, a Hyundai repete a lógica da dianteira, inserindo uma faixa luminosa que atravessa toda a tampa e encontra elementos verticais nas extremidades, criando novamente uma espécie de H. A região superior é praticamente toda preta, integrando vidro, colunas e parte da tampa, enquanto o nome Tucson aparece espaçado logo abaixo do logotipo da marca. Tal como acontece com o atual, o limpador fica escondido na extremidade superior, junto do aerofólio.
Também ficou maior
A aparência mais parruda não é apenas efeito do desenho. O novo Tucson cresceu 60 mm no comprimento e agora chega aos 4,70 metros. Metade desse ganho foi para a distância entre os eixos, que passou a 2.785 mm.
A largura, por sua vez, aumentou 40 mm, chegando a 1,905 m, enquanto a altura cresceu 20 mm e agora é de 1,685 m. A Hyundai afirma ainda que o espaço para a cabeça dos passageiros traseiros aumentou 29 mm.
Outra mudança curiosa está nas próprias portas traseiras. O ângulo de abertura foi ampliado em 10 graus e agora chega a 83°, facilitando o acesso à segunda fileira. O vidro lateral fixo atrás das portas também cresceu bastante, ajudando a reforçar visualmente o aumento nas dimensões. Não será desta vez, ao menos inicialmente, que o SUV adotará configuração de sete lugares.
Tela enorme, mas ainda com botões
Por dentro, o Tucson também muda completamente, mas segue uma direção bem menos exagerada que a carroceria. O painel é bastante horizontal e recebe o novo sistema multimídia Pleos em uma enorme tela central, acompanhada por um quadro de instrumentos bem fino instalado no alto do painel e diretamente na linha de visão do motorista.
A Hyundai ainda não revelou oficialmente o tamanho da multimídia, mas, pelas imagens, ela claramente passa a ser o elemento dominante da cabine. Mesmo assim, a marca fez a lição de casa e não caiu na tentação de concentrar praticamente todas as funções na tela, solução cada vez mais comum entre carros novos, especialmente os chineses.
Logo abaixo da multimídia permanece uma fileira de botões físicos para funções de uso frequente, com o pisca-alerta ao centro e dois comandos giratórios nas extremidades. É uma solução que mantém a aparência moderna sem obrigar o motorista a navegar por menus para realizar tarefas simples durante a condução.
O console central também ficou mais limpo, já que o seletor de marchas migrou para uma haste à direita do volante. Nas imagens divulgadas pela Hyundai aparecem dois porta-copos, nichos para objetos e uma área maior entre motorista e passageiro, enquanto a cabine combina iluminação ambiente, tons claros e acabamentos que imitam madeira.
E o Brasil?
Por aqui, a história do Tucson sempre foi um tanto curiosa. O modelo vendido no Brasil parou na terceira geração, produzida pela CAOA em Anápolis (GO), enquanto o SUV continuou avançando normalmente no exterior.
Esse capítulo terminou de vez no fim de outubro de 2024, quando Hyundai e CAOA encerraram o acordo que mantinha parte da produção e comercialização de modelos da marca nas mãos do grupo brasileiro. Com isso, o Tucson também acabou deixando o catálogo nacional sem que sua quarta geração fosse oferecida oficialmente por aqui.
Mesmo com o fim do Tucson, a marca ainda tem opções mais refinadas acima do Creta, caso do SUV híbrido Kona, do grandalhão Palisade e também do elétrico Ioniq 5, mostrando que a Hyundai enxerga que há, sim, espaço para mais SUVs por aqui, não necessariamente fabricados no país. Resta saber se a nova geração do Tucson também entrará nessa estratégia.
Fonte: Hyundai
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