Mercedes-Benz revela até quando pretende manter seus motores V8
Marca vê espaço para oito cilindros por mais uma década, embora custo possa impedir retorno do V8 ao Mercedes-AMG C63
Depois de anos em que a eletrificação parecia destinada a aposentar rapidamente os grandes motores a combustão, a Mercedes-Benz começa a desenhar um futuro bem diferente para seus V8. Pelo menos na visão de um de seus principais executivos de produto, ainda haverá demanda suficiente para manter os oito cilindros vivos por bastante tempo, especialmente fora da Europa.
Em entrevista ao CarExpert, Klaus Rehkugler, responsável pela gestão de produtos e treinamento global da marca, afirmou que existe procura suficiente para sustentar os V8 por pelo menos mais dez anos. Isso, porém, não significa que o Mercedes-AMG C 63 recuperará tão cedo o motor que ajudou a construir sua fama.
O V8 presente no Mercedes-AMG GLE 63 S 4MATIC+ Coupé
V8 ainda tem pelo menos uma década pela frente
Segundo Rehkugler, mercados como América do Norte e Oriente Médio continuam particularmente receptivos aos motores de oito cilindros. O executivo chegou a lembrar de sua passagem pelos Estados Unidos, onde dizia com orgulho que dirigia um carro equipado com V8.
“No geral, acredito que exista demanda global suficiente para manter o V8 vivo por pelo menos mais dez anos”, afirmou Rehkugler ao CarExpert.
A situação deve ser diferente na Europa. Segundo o executivo, as regulamentações de emissões de CO2 no Velho Mundo estão cada vez mais restritivas e tornam mais difícil justificar comercialmente automóveis equipados com motores de grande cilindrada e sem algum tipo de eletrificação.
Além das metas de emissões, fabricantes como a Mercedes-Benz também precisam atender a normas europeias cada vez mais rígidas de ruído e a uma série de sistemas obrigatórios de segurança, incluindo alertas de limite de velocidade. Ainda assim, enquanto outros mercados continuarem comprando carros equipados com V8 em volume suficiente, na visão de Rehkugler, os oito cilindros continuarão fazendo parte do portfólio.
Mas e o Mercedes-AMG C 63?
É justamente aí que aparece a parte menos animadora da história. Mesmo com o V8 longe da aposentadoria, o Mercedes-AMG C 63 pode não recuperar o motor nesta geração. O esportivo abandonou os tradicionais oito cilindros na geração atual e passou a utilizar um complexo sistema híbrido plug-in baseado em um motor 2.0 turbo de quatro cilindros. A mudança provocou forte reação entre clientes e fãs do modelo, e a própria Mercedes-Benz já reconheceu que a receita não teve o resultado esperado.
O problema agora é financeiro. Rehkugler admitiu ao CarExpert que, neste estágio do ciclo de vida do atual Classe C, desenvolver uma nova configuração com V8 poderia exigir um investimento difícil de recuperar antes da chegada da próxima geração. Ou seja, mesmo que exista demanda pelo produto, adaptar novamente o C 63 para receber um motor de oito cilindros talvez simplesmente não faça sentido economicamente.
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