BYD Song Pro GS x Corolla Cross XRX HEV: qual SUV híbrido vale mais?
SUV da BYD custa R$ 26 mil menos e entrega mais espaço; veja o comparativo de motorização, equipamentos e ficha técnica
Renovado para 2027 e debutando a tecnologia biocombustível da BYD no país, o Song Pro quer entrar de vez para a briga com os SUVs médios mais tradicionais e, em especial, com o Toyota Corolla Cross, hoje o segundo colocado no segmento e um dos híbridos flex mais baratos da categoria.
Mas, afinal, como se sai a novidade diante do rival japonês? Para responder, conferimos as fichas técnicas das versões de topo de ambos, caso da GS do Song Pro (tabelada em R$ 199.990) e a XRX Hybrid do Corolla Cross, de R$ 226.120, comparando dimensões, motorização, consumo, equipamentos e preço para te contar onde cada um leva vantagem.
Dimensões: Song Pro leva vantagem em espaço
Começando pelas medidas, o BYD Song Pro é consideravelmente maior. A reestilização promovida na linha 2027, focada principalmente no novo visual frontal, não alterou muito as dimensões, com o SUV ficando na casa dos 4.740 mm de comprimento, 1.860 mm de largura, 1.710 mm de altura e 2.710 mm de distância entre-eixos. O porta-malas comporta 520 litros, enquanto o vão livre do solo é de 182 mm.
Já o Corolla Cross está entre os menores do segmento, ao lado do Jeep Compass. O japonês mede 4.460 mm de comprimento, 1.825 mm de largura, 1.620 mm de altura e tem 2.640 mm de entre-eixos. Seu porta-malas recebe 440 litros, e a distância mínima do solo é de 161 mm. Portanto, o BYD é 280 mm mais comprido, 70 mm maior entre os eixos e oferece 80 litros extras para bagagens.
| Dimensões | BYD Song Pro GS 2027 | Toyota Corolla Cross XRX Hybrid 2027 |
| Comprimento | 4.740 mm | 4.460 mm |
| Largura | 1.860 mm | 1.825 mm |
| Altura | 1.710 mm | 1.620 mm |
| Entre-eixos | 2.710 mm | 2.640 mm |
| Porta-malas | 520 litros | 440 litros |
| Vão livre do solo | 182 mm | 161 mm |
O fato é que a vantagem do Song Pro aparece em todas as medidas. O BYD é 280 mm mais comprido, tem 70 mm adicionais entre os eixos e oferece 80 litros extras para bagagens, características que favorecem tanto o espaço para os ocupantes da segunda fileira quanto o uso familiar.
Para quem busca algo um tanto mais prático para estacionar e rodar nos grandes centros, o Corolla Cross responde com uma carroceria mais compacta. Ainda assim, considerando apenas espaço interno e capacidade de carga, a vantagem fica com o Song Pro.
Motorização: BYD aposta em desempenho; Toyota, em eficiência
Debaixo do capô, os dois seguem conceitos bem diferentes quando o assunto é eletrificação. O Song Pro GS, tal como todo BYD híbrido, é do tipo plug-in, ou seja, precisa ter a bateria carregada externamente, mas pode rodar por períodos mais longos sem ligar o motor a combustão. Já o Corolla Cross utiliza um sistema híbrido convencional com bateria menor e que recupera energia durante as desacelerações, dispensando a necessidade de ter que procurar uma tomada.
No BYD, o conjunto entrega 235 cv de potência combinada e 40,8 kgfm de torque, suficientes para levá-lo de 0 a 100 km/h em 7,9 segundos. A versão GS utiliza uma bateria Blade de 18,3 kWh e pode percorrer até 62 km apenas com eletricidade, segundo o padrão do Inmetro. Já na transmissão, é equipado com um câmbio do tipo e-CVT (transmissão dedicada a híbridos) de marcha única.
O Corolla Cross XRX Hybrid combina um motor 1.8 flex de 101 cv e 14,5 kgfm, quando abastecido com etanol, a um propulsor elétrico de 72 cv e 16,6 kgfm. Como as potências não podem ser simplesmente somadas, a Toyota declara 122 cv combinados para o sistema, sempre ligados a uma transmissão transaxle do tipo CVT. Já na aceleração, por ser um motor menos potente, não faz milagres: são 13 segundos para ir de 0 a 100 km.
| Especificação | BYD Song Pro GS 2027 | Toyota Corolla Cross XRX Hybrid |
| Tipo de híbrido | Plug-in flex | Convencional flex |
| Potência combinada | 235 cv | 122 cv |
| Torque | 40,8 kgfm | 14,5 kgfm (combustão) e 16,6 kgfm (elétrico) |
| Bateria | 18,3 kWh | 1,3 kWh |
| Autonomia elétrica | 62 km | Não se aplica |
| Transmissão | e-CVT de marcha única | Transaxle CVT |
| Tração | Dianteira | Dianteira |
| 0 a 100 km/h | 7,9 segundos | 13 segundos |
Para quem busca potência, a escolha acaba recaindo novamente no modelo chinês. Além de ter 113 cv a mais, o BYD pode percorrer mais de 60 km só em modo elétrico, independente da velocidade ou do modo de direção, desde que a bateria seja carregada com frequência.
O Corolla Cross, tendo uma motorização mais comedida e herdada do Prius da década passada, acaba sofrendo na relação peso/potência, mas sai na frente para quem não quer ter que carregar o carro na tomada. Seu sistema alterna automaticamente entre os motores e recupera energia durante o uso, sem exigir mudanças na rotina do motorista, algo que pode fazer diferença para quem ainda não quer ou não pode se adaptar à recarga em casa ou na rua.
Equipamentos: BYD aposta em tecnologia; Toyota, em conforto
A disputa fica mais equilibrada quando chegamos à lista de equipamentos. O Song Pro GS traz central multimídia de 12,8" (que não gira mais), com Google nativo, painel digital de 8,8", câmera com visão de 360°, carregador de celular por indução, ar-condicionado automático de duas zonas e bancos do motorista e do passageiro com regulagem elétrica. Há ainda conexão com a internet, GPS integrado, comandos de voz e atualizações remotas do sistema.
O BYD também oferece chave digital por NFC, que permite destravar e ligar o carro por meio de um celular compatível, além da função V2L. Com ela, a energia armazenada na bateria pode alimentar aparelhos externos por meio de um adaptador. Já o pacote ADAS reúne controle de cruzeiro adaptativo, assistente de permanência em faixa, frenagem autônoma de emergência e alerta de ponto cego. São seis airbags ao todo.
O interior muda bastante para uma reestilização. O Song Pro fica mais próximo do estilo que encontramos, por exemplo, no Atto 8. O seletor de marchas passa para a coluna de direção e abre espaço para um novo console central, ainda com alguns comandos físicos, mas mais limpo e com espaços maiores para objetos e carregador por indução.
Para abrir espaço também para o Atto 2, que chega até o fim do ano, a marca fez melhorias na qualidade do acabamento. Assim, a linha 2027 ganhou novos bancos, maiores e mais confortáveis, bem como maior precisão de montagem nos plásticos.
O Corolla Cross XRX Hybrid, por sua vez, responde com painel digital de 12,3", central multimídia Toyota Play 2.0 de 10", ar-condicionado automático de duas zonas com saídas traseiras, banco do motorista com oito regulagens elétricas, teto solar e tampa do porta-malas com abertura elétrica. Esta última também pode ser acionada por sensor de movimento sob o para-choque.
Do lado negativo, há a falta de novidades significativas desde seu lançamento, em meados de 2021. O layout do painel é retilíneo, com central multimídia destacada e acabamento mesclando tons claros e escuros. Na linha 2027, as principais novidades ficaram para o console central renovado, que ficou maior e mais próximo da versão asiática, bem como para a chegada dos sensores de pressão dos pneus de série.
Na segurança, o Toyota oferece sete airbags, controle de cruzeiro adaptativo para todas as velocidades, frenagem autônoma de emergência com reconhecimento de carros, pedestres e ciclistas, assistente de permanência e centralização em faixa, farol alto automático e alerta de ponto cego. A lista inclui ainda câmera de 360°, sensores dianteiros e traseiros com suporte à frenagem, monitoramento da pressão dos pneus e sensor de chuva.
O fato é que não há uma diferença tão ampla quanto nas dimensões e no desempenho. O Song Pro leva vantagem em conectividade, tamanho da multimídia, chave digital e na possibilidade de fornecer energia para equipamentos externos. Já o Corolla Cross entrega um pacote mais completo de comodidades tradicionais, como teto solar, porta-malas elétrico e banco do motorista com mais ajustes, além de oferecer um airbag adicional e sair na frente quando o assunto são comandos físicos.
Tecnologia ou tradição?
Olhando apenas para a ficha técnica, o Song Pro GS entrega mais pelo menor preço. O SUV da BYD é maior, oferece mais espaço interno e porta-malas, tem um projeto mais recente, desempenho muito superior e uma lista de equipamentos mais moderna, além de custar R$ 26.130 menos que o Corolla Cross XRX Hybrid.
O Toyota, porém, atende a um perfil diferente. Suas dimensões mais compactas podem facilitar o uso urbano, enquanto o sistema híbrido convencional entrega baixo consumo sem exigir recargas externas ou qualquer mudança na rotina do motorista. A ampla rede de concessionárias e o programa Garantia Toyota 10, renovável anualmente até o limite de dez anos ou 200 mil km, desde que cumpridas as condições de manutenção da marca, também pesam a seu favor.
Por fim, quem busca mais espaço, desempenho, tecnologia e equipamentos tende a encontrar no Song Pro GS o conjunto mais interessante. Já o Corolla Cross XRX Hybrid faz mais sentido para quem prefere um produto tradicional, compacto e econômico, mas não quer ou não pode incluir a recarga da bateria em sua rotina.
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