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Oficina da Land Rover cobra R$ 41 mil de mulher e baixa preço após pai ligar

Entenda como disparidade de gênero em cobrança de oficinas e falhas no código DOT de pneus podem gerar prejuízos e riscos no trânsito

Mulher recebe orçamento de US$ 7.500 por uma peça do seu Land Rover. Então ela pede para o pai ligar para a concessionária e pedir uma checagem de preço da mesma peça
Foto de: Gariev & findingashlee & Ulf

Superfaturamento em peças e serviços é um problema recorrente que atinge proprietários de veículos importados ou de luxo. Um caso recente envolvendo uma concessionária Land Rover nos Estados Unidos trouxe à tona não apenas a enorme disparidade em orçamentos de oficina, mas também um alerta de segurança fundamental sobre a validade e a qualidade dos pneus instalados em revisões.

A proprietária de um Range Rover 2013 com cerca de 160.000 km relatou que levou o SUV à concessionária para reparar um pequeno vazamento de óleo. Após a inspeção, a oficina autorizada apresentou um orçamento de US$ 7.500 (cerca de R$ 41.500 em conversão direta) apenas para a substituição de uma bomba de combustível.

 

Desconfiada do valor exorbitante, a cliente pediu que seu pai entrasse em contato com a mesma concessionária, mas falando com outro consultor de serviços, para solicitar a cotação da exata mesma peça e mão de obra. Para a surpresa da família, o segundo orçamento foi apresentado por US$ 2.500 (aproximadamente R$ 13.800) — uma redução de 66% em relação ao valor cobrado inicialmente. Diante da contestação, a concessionária honrou o valor menor.

Após queixa formal junto à fabricante por conta do atendimento e da disparidade de preços, a proprietária recebeu um crédito de US$ 1.000 para uso em serviços na concessionária. Ela utilizou o valor para comprar quatro pneus novos no local. Pouco tempo depois, o veículo passou a apresentar fortes vibrações na direção e esvaziamento constante de uma das rodas.

Ao levar o SUV a uma loja especializada em pneus para diagnóstico, os técnicos constataram sérios defeitos de segurança: um dos pneus comprados na concessionária apresentava uma bolha lateral na carcaça, outro estava com a banda de rodagem se separando a ponto de expor as cintas de aço internas, e um terceiro pneu trazia uma data de fabricação de quatro anos antes de ser vendido como "novo".

O risco de pneus antigos e como checar o código DOT

O episódio serve de alerta para um detalhe crucial de manutenção que muitos motoristas desconhecem: pneus possuem data de fabricação e prazo de validade, mesmo quando nunca foram rodados.

A borracha sofre degradação natural ao longo do tempo por ação do oxigênio, umidade e variações de temperatura. Com o envelhecimento, o composto perde elasticidade e adesão, tornando-se seco e quebradiço. Isso pode levar à separação das camadas internas de aço e lona, gerando deformações, bolhas e até o estouro do pneu em alta velocidade.

Para evitar comprar um pneu antigo estocado há anos como se fosse novo, o consumidor deve verificar o código DOT, impresso na lateral do pneu. Os últimos quatro dígitos desse código informam a data exata de fabricação:

  • Os dois primeiros números indicam a semana do ano.
  • Os dois últimos números indicam o ano de fabricação.

Por exemplo, um pneu com o final 1222 foi produzido na 12ª semana de 2022. Fabricantes e órgãos de segurança veicular recomendam que pneus com mais de 5 a 6 anos de fabricação sejam inspecionados rigorosamente e substituídos, independentemente da profundidade dos sulcos.

Direitos do Consumidor e Orçamentos de Oficina

No Brasil, o Código de Defesa do Consumidor (CDC) garante proteção contra práticas abusivas e preços desproporcionais em oficinas e concessionárias:

Direito ao Orçamento Discriminado (Art. 40 do CDC)

A oficina é obrigada a entregar um orçamento prévio detalhando o valor da mão de obra, os equipamentos e as peças a serem utilizadas, com especificação de marca e procedência.

O que você pensa sobre isso?

Garantia de Peças Novas e Qualidade (Art. 18 e 39 do CDC)

Vender peças ou pneus com defeito de fabricação, vencidos ou com vício oculto configura falha na prestação do serviço, dando ao consumidor o direito de exigir a troca imediata, o refazimento do serviço sem custo ou a restituição do valor pago.

Pesquisa e Cotação de Mercado

Caso suspeite de superfaturamento, o cliente tem o direito de solicitar a discriminação do código da peça (part number) para cotar o componente em outras redes autorizadas ou importadores oficiais.
Uma simples troca de peças ou pneus exige atenção técnica e conferência criteriosa por parte do motorista. Exigir o orçamento detalhado e conferir a data de fabricação dos pneus no código DOT são atitudes simples que evitam prejuízos financeiros e garantem a segurança na rodovia.

 

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