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Enquanto motoristas criticam, Presidente da Câmara elogia gasolina com mais etanol

Hugo Motta afirma que aumento do teor de etanol para 32% traz estabilidade e diz que medida é fruto de diálogo com o governo

Chevrolet Onix ECO tem motor turbo rodando apenas com etanol
Foto de: Chevrolet
Thiago Moreno Thiago Moreno

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), saiu em defesa do aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina, aprovado nesta semana pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). A manifestação ocorre justamente em meio às críticas de parte dos consumidores, que demonstraram preocupação com possíveis impactos da medida no consumo e no funcionamento dos veículos.

Motta afirmou que a decisão é resultado do diálogo mantido na semana passada com os ministros do Planejamento, Bruno Moretti, e de Minas e Energia, Alexandre Silveira. Segundo o deputado, a adoção da nova mistura fortalece a produção nacional em um momento de instabilidade internacional.

"É fruto do diálogo que tive na semana passada com os ministros. Num cenário internacional desafiador, devemos perseguir a estabilidade e a segurança para a produção nacional", escreveu o Presidente da Câmara.

A declaração reforça o posicionamento do governo federal, que defende a ampliação da mistura de etanol como forma de reduzir a dependência da gasolina importada e aumentar a participação dos biocombustíveis na matriz energética brasileira.

Mistura passa para 32%

Na última semana, o CNPE aprovou o aumento do teor obrigatório de etanol anidro na gasolina de 30% para 32% (E32). Inicialmente, a medida terá validade de 180 dias, podendo ser prorrogada pelo mesmo período.

Segundo estudos apresentados pelo Ministério de Minas e Energia (MME), os testes realizados com a nova mistura não identificaram impactos relevantes no funcionamento dos veículos, incluindo modelos equipados com motores exclusivamente a gasolina. Foram avaliados aspectos como desempenho, dirigibilidade, consumo, emissões e partidas a frio.

A pasta estima ainda que a adoção da gasolina E32 permitirá reduzir em cerca de 500 milhões de litros por mês a necessidade de importação de gasolina, tornando o Brasil autossuficiente no abastecimento do combustível.

Mudança segue dividindo opiniões

Apesar das justificativas técnicas e econômicas apresentadas pelo governo, a mudança continua gerando debate entre motoristas. Proprietários de veículos flex, em geral, não devem enfrentar problemas mecânicos, já que esses motores são desenvolvidos para operar com diferentes proporções de etanol.

O que você pensa sobre isso?

Já donos de automóveis antigos, especialmente modelos movidos exclusivamente a gasolina, demonstram preocupação com possíveis dificuldades de partida em temperaturas mais baixas, além de dúvidas sobre consumo e durabilidade de componentes do sistema de alimentação.

Enquanto o governo e agora o Presidente da Câmara destacam os benefícios para a segurança energética e para a produção nacional, a aceitação da nova gasolina entre os consumidores ainda deve continuar sendo um dos principais pontos de discussão nas próximas semanas.

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