Ir para o conteúdo principal

VW ID. Cross nasce de olho nos chineses e antecipa o que esperar do Projeto Saga

SUV vem com tração dianteira, autonomia de até 436 km e tem preço para concorrer com BYD e companhia; confira detalhes

VW ID.Cross (2026): primeiro vez ao volante
Foto de: Volkswagen

A alemã Volkswagen continua acelerando sua ofensiva de elétricos baseados na plataforma MEB+. Depois de muita expectativa, teasers e flagras camuflados, a marca finalmente revelou o inédito VW ID. Cross. Ele chega com a missão de levar o nome, já bem sucedido como modelo a combustão, para uma nova clientela que hoje olha para os chineses - e suas linhas dão boas pistas do que esperar do Projeto Saga, como vem sendo chamados os novos SUVs da marca por aqui.

Com preços partindo de 28.000 euros (cerca de R$ 162.300 em conversão direta) no mercado europeu, o modelo chega com a promessa de corrigir deslizes recentes da marca, principalmente em acabamento e na própria personalidade de seus elétricos. Para isso, ele aposta no retorno dos botões físicos no interior, autonomia que passa dos 430 km e um aproveitamento de espaço interno exemplar para a categoria.

Carroceria e design

O visual do modelo adota a nova linguagem estilística de design batizada de "Pure Positive". Na dianteira, os faróis estreitos são interligados por uma barra transversal fechada e coberta por vidro. Dependendo da versão escolhida, o conjunto traz uma assinatura em LED contínua com o logotipo da VW iluminado.

O para-choque dianteiro em formato trapezoidal é um detalhe interessante, pois busca manter uma forte ligação estética com os modelos tradicionais a combustão da marca. Nas laterais, o ID. Cross mede 4,15 metros de comprimento, 1,79 m de largura e 1,58 m de altura.

VW ID.Cross (2026): primeiro vez ao volante
Foto de: Volkswagen

O grande destaque nas dimensões está na distância entre eixos de 2,60 m. Esse número supera o do T-Cross europeu em 38 milímetros, o que se traduz em um ganho direto no espaço interno para os joelhos de quem viaja no banco traseiro.

Há ainda alguns easter-eggs, como a coluna C ligeiramente inclinada para a frente como uma clara homenagem estilística ao Golf de primeira geração. Essa mesma assinatura visual, com as três fendas simulando entradas de ar, já havia sido adiantada no design da ID. Buzz.

VW ID.Cross (2026): primeiro vez ao volante
Foto de: Volkswagen

Os designers também adotaram um teto pintado de preto para simular o efeito de teto flutuante (Flying Roof). Na traseira, há uma barra transversal de LED que, na versão equipada com faróis inteligentes IQ.LIGHT, traz elementos com efeito 3D e o logotipo da VW iluminado.

Graças às práticas barras longitudinais, o sucessor do T-Cross suporta até 75 kg de carga dinâmica no teto, o que viabiliza o transporte de uma barraca de acampar. Para completar, a paleta de cores traz tons vivos de azul, vermelho e verde, além dos clássicos cinza, prata, preto e branco.

VW ID. Cross (2026): Primeiro teste nos bancos
Fotos de: Volkswagen
VW ID. Cross (2026): Primeiro teste nos bancos
Foto: Volkswagen

No interior, botões estão de volta

Por dentro, a plataforma modular MEB+ faz milagres pelo aproveitamento de espaço. O porta-malas do modelo acomoda ótimos 475 litros, o que representa exatamente 20 litros a mais de capacidade em comparação com o T-Cross europeu atual.

Outra solução extremamente útil é o pequeno porta-malas adicional na dianteira (frunk) de 22 litros sob o capô. O espaço é ideal para guardar o cabo de recarga de forma organizada, sem que ele precise ocupar espaço na área de bagagem principal.

VW ID.Cross (2026): primeiro vez ao volante
Foto de: Volkswagen

No painel com desenho horizontal, o motorista conta com uma tela de instrumentos digital de 10,25''. Ela oferece uma charmosa visualização retrô opcional que simula os mostradores redondos analógicos do clássico Golf MK1 e também dos Santana e Gol vendidos por aqui na década de 1980 e 1990.

A central multimídia, por sua vez, se destaca no centro com sua tela sensível ao toque. No ID. Cross, no entanto, a grande novidade é o adeus definitivo aos polêmicos e imprecisos botões do tipo touch que equipavam os volantes recentes da marca, adotando uma central de 12,9'' bem mais intuitiva.

VW ID.Cross (2026): primeiro vez ao volante
Fotos de: Volkswagen
VW ID.Cross (2026): primeiro vez ao volante
Fotos de: Volkswagen

O volante também traz de volta os botões físicos, enquanto o console central ganhou comandos reais para o ar-condicionado e um botão giratório dedicado apenas para o controle de volume. Em nosso primeiro teste de condução, o sistema se mostrou muito fluido e rápido.

O acabamento interno agrada pela qualidade dos materiais e pela montagem robusta. Como opcionais, a VW oferecerá bancos dianteiros elétricos com 12 ajustes e função de massagem pneumática, além de um sistema de som assinado pela Harman Kardon de 425 watts com 10 alto-falantes.

VW ID.Cross (2026): primeiro vez ao volante
Foto de: Volkswagen

Motor APP e bateria

Tal como no ID.Polo, o SUV ID. Cross tem tração puramente dianteira e adota o motor elétrico APP290 de última geração - que apesar do nome sugestivo, nada tem de relação com o propulsor famoso por aqui - e que combina uma transmissão de uma única marcha. O motor será oferecido em três níveis de potência: 116 cv (85 kW), 135 cv (99 kW) e a topo de linha com 210 cv (155 kW).

A nova bateria padrão do grupo adota o moderno conceito cell-to-pack, que integra as células diretamente ao pacote. A versão de entrada Trend traz o motor de 116 cv com bateria de fosfato de ferro-lítio (LFP) de 37 kWh, o que garante uma autonomia estimada de até 316 km.

VW ID.Cross (2026): primeiro vez ao volante
Foto de: Volkswagen

Em carregadores rápidos de corrente contínua (DC), essa bateria de entrada suporta potências de recarga de até 90 kW. Isso permite reestabelecer de 10% a 80% da capacidade em apenas 27 minutos, ideal para paradas rápidas em viagens.

Nas configurações intermediárias Life e Style, o motor de 135 cv vem de fábrica com a mesma bateria de 37 kWh. Contudo, há a opção de levar o motor mais potente de 210 cv combinado a uma bateria de níquel-manganês-cobalto (NMC) de 52 kWh.

VW ID Cross (2026): primeiro ensaio de assento
Foto de: Volkswagen

Com o pacote de 52 kWh, a autonomia salta para ótimos 436 km. Como a potência máxima de recarga sobe para 105 kW, o tempo para recuperar de 10% a 80% cai para 24 minutos. Em tomadas de corrente alternada (AC), todas as versões carregam em até 11 kW.

Outro recurso interessante é a tecnologia Vehicle-to-Load (V2L), que permite usar o carro como gerador para alimentar aparelhos externos de até 3,6 kW. A velocidade máxima é limitada em 150 km/h ou 160 km/h, e os modelos de 52 kWh podem rebocar até 1.200 kg.

VW ID.Cross (2026): primeiro vez ao volante
Foto de: Volkswagen

Chassi e recursos

Visando equilibrar custos e otimizar o espaço, o chassi adota suspensão independente MacPherson na dianteira e eixo de torção na traseira. Os freios são a disco nas quatro rodas, gerenciados por um sistema One-Box integrado.

Esse sistema One-Box melhora de forma significativa a sensibilidade e a resposta do pedal de freio. Além disso, ele viabiliza a real condução no modo One-Pedal, permitindo que o motorista desacelere o veículo até a parada total apenas aliviando o pedal do acelerador.

No pacote de assistências à condução, o destaque fica para o Connected Travel Assist. O sistema de direção semiautônoma utiliza dados online de navegação e, no futuro, será capaz de detectar semáforos vermelhos para frear e parar o carro sozinho.

Enquanto a versão de entrada Trend parte de cerca de 28.000 euros (R$ 162.300), as opções intermediárias e de topo acrescentam mimos como rodas de aro 18'', controle de cruzeiro adaptativo, faróis Matrix de LED e partida por chave presencial.

Novo VW ID.Cross revelado em 2026
Foto de: Volkswagen

Por aqui, servirá de inspiração para o Projeto Saga

Apesar de ambiciosas, as chances de as novas gerações tanto do ID.Cross como do hatch ID.Polo chegarem aos países da América do Sul são baixas. Por aqui, a marca irá trabalhar em projetos multi-energia, levando a atual geração do T-Cross por mais alguns anos, com grandes chances, aliás, de conviver com a nova família de produtos do segmento que a marca prepara.

Para disputar o segmento de carros 100% elétricos de forma competitiva, a estratégia da Volkswagen no mercado nacional será focar em modelos mais baratos importados diretamente da China. A fabricante estuda trazer modelos rebatizados de suas grandes parceiras asiáticas - como SAIC, Xpeng e FAW.

Teste Volkswagen T-Roc R-Line 2026

Nova geração do T-Roc deve inspirar um dos SUVs da nova família

Foto de: Motor1.com España

No entanto, o ID. Cross não passará totalmente em branco no Brasil. O seu visual moderno e retilíneo servirá de inspiração de estilo para os novos utilitários do Projeto Saga, que dará origem a dois SUVs inéditos produzidos localmente a partir de 2027.

O que você pensa sobre isso?

Desenvolvidos sobre a plataforma modular MQB37, esses novos SUVs nacionais serão maiores do que o ID. Cross europeu, medindo cerca de 4,50 metros de comprimento. O foco será o segmento médio de entrada, para brigar diretamente com Jeep Compass e Toyota Corolla Cross.

A dupla brasileira será formada pela nova geração do Nivus - que beberá da fonte visual do T-Roc europeu - e por um inédito SUV de desenho mais tradicional com porte de Taos. Ambos adotarão o novo sistema híbrido pleno (HEV) nacional com motor 1.5 TSI flex de 170 cv.

Compartilhe este artigo
Envie seu flagra! flagra@motor1.com