CEO da VW diz que problema do grupo são carros que não lucram o suficiente
Outras medidas de redução de custos estão em andamento para reverter a situação
O CEO da Ford, Jim Farley, disse certa vez que modelos como o Fiesta, o Focus e o Mondeo/Fusion não foram descontinuados por causa do baixo desempenho nas vendas. Em vez disso, esses carros foram retirados de linha porque a empresa não estava lucrando o suficiente com eles. Os altos custos de produção corroeram as margens de lucro, tornando-os não rentáveis e, por fim, forçando a Ford a encerrar a produção de três de seus modelos mais antigos.
Avançando para 2026, o Grupo Volkswagen enfrenta um problema semelhante em todo o seu vasto portfólio de marcas e modelos. Em entrevista ao jornal alemão Bild, o CEO Oliver Blume destacou que o problema não decorre da falta de demanda, mas de uma questão de lucratividade: “Nossos produtos são muito populares (no sentido de que vendem bem) — mas não estamos lucrando o suficiente com eles. É por isso que precisamos reduzir ainda mais nossos custos — em todas as categorias de despesas.”
Mas nem todo produto é igualmente popular dentro do vasto Grupo VW. O conglomerado automotivo já anunciou um plano drástico de corte de custos que poderia efetivamente reduzir pela metade seu portfólio de produtos. Até 50% dos modelos vendidos pela marca principal da VW, além da Audi, Skoda, Lamborghini, Porsche, Bentley, SEAT e Cupra, podem ser eliminados nos próximos anos. A empresa quer reduzir a complexidade priorizando os produtos de maior volume de vendas e aqueles com as maiores margens de lucro. Uma lista preliminar não confirmada contém 10 modelos que correm o risco de serem descontinuados, incluindo o Jetta e o Taycan.
Menos modelos, mais lucros
Em entrevista ao Bild, Blume reiterou que deseja reduzir o porte do Grupo VW para reverter a situação: “No futuro, queremos aumentar as vendas por modelo. Para isso, estamos simplificando constantemente nosso portfólio de produtos.” Além de eliminar uma infinidade de modelos de sua enorme linha, a empresa reduzirá o número de opções disponíveis para os modelos que permanecerem em até 75%.
Curiosamente, não houve menção ao fechamento de fábricas no comunicado à imprensa divulgado pela empresa na semana passada nem na entrevista de Blume ao jornal alemão. Isso apesar de o Grupo já ter anunciado planos de reduzir a capacidade de produção anual para 9 milhões de veículos, ou seja, 1 milhão a menos do que atualmente. A revista de negócios alemã Manager Magazin afirma que as fábricas de Zwickau, Emden, Hannover e Neckarsulm correm risco de fechamento, mas o Grupo VW não confirmou a informação.
Até 120 mil demissões?
O “Bild” afirma que as demissões poderiam ir muito além dos 50 mil cortes de empregos já anunciados. O Grupo VW pode reduzir sua força de trabalho em até 120 mil funcionários, o que representa cerca de um quinto de seu quadro global. No entanto, esse número continua sendo um boato neste momento. Ainda assim, a gigante automotiva busca reduzir suas operações para compensar os altos custos de mão de obra e energia, concentrando-se em seus principais geradores de receita.
Das oito marcas de automóveis sob a égide corporativa do Grupo VW, apenas a Skoda emitiu um comunicado separado após o anúncio de corte de custos da matriz. Um porta-voz da montadora tcheca disse à à Reuters que “não há impacto imediato em nossas operações” e que as fábricas da empresa estão operando em plena capacidade.
Opinião do Motor1: Uma tempestade se aproxima do Grupo VW, e é evidente que o antigo modelo de negócios simplesmente não está mais funcionando. Altos custos de produção, complexidade excessiva dos modelos e concorrência sem precedentes contribuíram para as dificuldades da gigante automotiva. O Grupo VW tem força para se recuperar, mas não antes de reduzir radicalmente seus negócios.
O Grupo Volkswagen do futuro será significativamente diferente do atual, e a situação, que já é grave, provavelmente vai piorar antes de melhorar.
Fonte: Bild, Reuters, Manager Magazin
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