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Fiat ressuscita espírito da 600 Multipla em um elétrico urbano de quatro lugares

Conceito elétrico Multiplina, de quatro lugares, chegará ao mercado em 2028

Fiat Multiplina Concept
Foto de: Divulgação

A Fiat mostrou durante um evento realizado entre Roma e o Vaticano as primeiras imagens da Multiplina, conceito que antecipa um pequeno veículo elétrico de quatro lugares voltado à micromobilidade urbana. Previsto para chegar ao mercado em 2028, o modelo pretende ocupar o espaço entre o atual microcarro Topolino e os futuros compactos elétricos da marca.

Mais que um novo produto, este é um resgate histórico. O nome faz referência direta à 600 Multipla (1956-1967), considerada uma das primeiras minivans da história. Projetada pelo genial Dante Giacosa, essa pioneira media apenas 3,53 m de comprimento, mas era surpreendentemente espaçosa, com direito a uma versão de seis lugares. Na Itália, chegou a ser usada como táxi.

É essa filosofia de grande versatilidade em escala reduzida que a Multiplina pretende trazer para a era da eletrificação. As primeiras imagens mostram um veículo de linhas muito simpáticas, com frente quase vertical, faróis ovalados, teto de enrolar (à Citroën 2CV) e carroceria monovolume. Suas proporções são claramente inspiradas nas da histórica 600 Multipla (não confundir com a Multipla de 1998 a 2013), enquanto alguns detalhes fazem referência ao Fiat 500 clássico.

Diferentemente do Topolino, homologado na categoria L6e dos quadriciclos leves, a Multiplina deverá ser enquadrada como L7e, categoria destinada aos quadriciclos pesados. Na prática, isso permitirá velocidades significativamente maiores do que os 45 km/h do Topolino, tornando o novo modelo viável também para deslocamentos fora dos centros urbanos.

Fiat Topolino em versões retrô e esportiva
Foto de: Divulgação

A parte ruim é que isso deixará o novo modelo fora da categoria Voiture sans permis (VSP), formada por veículos que, em alguns países europeus, podem ser conduzidos sem carteira de habilitação e são dispensados de equipamentos como airbag e ABS.

Tudo indica que a Multiplina utilizará uma evolução da arquitetura hoje empregada pelo Topolino e por seus irmãos Citroën Ami e Opel Rocks-e, todos produzidos na mesma fábrica de Kénitra, no Marrocos. A expectativa é que essa estrutura seja alongada para acomodar quatro ocupantes, recebendo também uma bateria de maior capacidade e um conjunto mecânico mais potente. No Topolino atual, de dois lugares, a bateria é de 5,5 kWh e o motor rende 8 cv.

Vale lembrar que a 600 Multipla original utilizava motor traseiro, enquanto o Topolino adota motor e tração dianteiros. Ainda não se sabe qual dessas configurações servirá de base para o novo modelo. A Fiat ainda não divulgou dados sobre autonomia, potência, tempo de recarga ou preço, mas deixa claro que o objetivo é criar um veículo mais útil e versátil do que seu atual quadriciclo.

A Multipla de 1998

A Multipla de 1998

Foto de: Divulgação

Os planos para um microcarro de quatro lugares vieram à tona pela primeira vez durante a apresentação da estratégia global da Stellantis, em maio, quando um novo modelo identificado provisoriamente como "Quattrolino" apareceu entre os futuros lançamentos da Fiat.

Segundo Olivier François, CEO da Fiat, a Multiplina representa o elo que faltava na estratégia da marca para veículos urbanos. A intenção é transformar a fabricante na principal referência da Stellantis em micromobilidade, explorando soluções elétricas acessíveis e voltadas principalmente para o uso diário nas cidades europeias.

Fiat Tris

Fiat Tris

Foto de: Divulgação
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Tris, um santo triciclo

A estratégia já começa a ganhar forma. No ano passado, a Fiat anunciou o pequenino triciclo elétrico Tris, também fabricado no Marrocos. O modelo é voltado principalmente para as entregas urbanas, mas ganhou uma versão tuk-tuk, a Dolcevita. Já o Topolino ganhou séries com acabamento retrô (Vilebrequin) e esportivo (Sport).

A Fiat firmou uma parceria para fornecer 30 veículos ao Vaticano como parte do programa de eletrificação da frota da Santa Sé. Faz sentido: como o território da cidade-Estado mede apenas 0,49 km², autonomia jamais será um problema.

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