Exclusivo: Volkswagen não nega a possibilidade de vender a Ducati
Após rumores de que o Grupo VW estaria de olho na venda da marca de motos, empresa emitiu comunicado oficial a respeito
Há poucos dias, uma reportagem do The Financial Times indicou que executivos da Volkswagen estariam sendo orientados por seus próprios assessores financeiros — além de consultores externos — a vender partes dos negócios globais do grupo, incluindo a operação da fabricante de motocicletas Ducati.
A apuração veio na sequência de o CEO Oliver Blume afirmar que pretendia demitir mais de 100 mil funcionários de um quadro total de mais de 600 mil pessoas. Além disso, a VW recentemente vendeu a fabricante de motores marítimos do grupo e a Bugatti, duas operações vistas como transações bem-sucedidas para a companhia, que atravessa um momento difícil.
Galeria: Avaliação rápida Ducati Diavel V4
Na época, porém, ninguém da cúpula da Volkswagen — além dos comentários de Blume — se pronunciou sobre a reportagem do The Financial Times de um jeito ou de outro. Também procuramos a Volkswagen para comentar, e a montadora respondeu com uma nota preparada. E, embora você provavelmente imaginasse que a empresa negaria o conteúdo da reportagem original, a resposta não negou veementemente essa posibilidade.
Confira.
Segundo um porta-voz da Volkswagen AG:
Por favor, entenda que não comentamos documentos internos e confidenciais. Os temas subjacentes serão discutidos e aprovados nos respectivos comitês. Não vamos nos antecipar a esse processo.
É correto que toda a indústria automotiva e o Grupo Volkswagen estejam passando por uma transformação profunda. A Diretoria Executiva já afirmou repetidamente que o nosso modelo de negócios atual não funciona mais em todas as marcas: desenvolver carros na Alemanha, produzi-los na Europa e exportá-los para o mundo.
O mundo mudou de forma fundamental nos últimos anos. Nos últimos doze meses, os desdobramentos se intensificaram. Novas tarifas, concorrência mais dura e mercados estagnados — em alguns casos, em queda — estão atualmente impondo à empresa pressões que chegam a dezenas de bilhões de euros por ano. Para continuar bem-sucedidos nessas condições, precisamos evoluir. Todo o Grupo tem de se tornar significativamente mais competitivo. Isso exige um foco mais claro, bem como disciplina mais rígida sobre custos e investimentos. Somente assim poderemos defender e consolidar nossa posição como um dos principais fabricantes automotivos do mundo e continuar financiando nosso futuro com recursos próprios.
Todo o Grupo — incluindo marcas e subsidiárias — precisa se transformar profundamente. Para isso, a Diretoria Executiva trabalhou intensamente nos últimos meses em um plano de futuro para o realinhamento da empresa.
O objetivo é tornar toda a companhia mais eficiente e enxuta e capturar de forma consistente potenciais de sinergia tecnológica. Em particular, isso se aplica a processos e estruturas de tomada de decisão — especialmente no desenvolvimento e integração de novas tecnologias, bem como no portfólio de modelos para nossos clientes.
Na próxima etapa, essa transformação abrangente deverá ser implementada após o envolvimento do Conselho de Supervisão.
Galeria: Ducati Panigale V4
A Volkswagen não nega, nessa nota, que esteja procurando compradores para a Ducati. O texto também coloca grande parte da responsabilidade por desempenho e permanência dentro do ecossistema da VW em cada uma das marcas — que incluem Ducati, Lamborghini, Porsche, Audi, Skoda, Seat, VW e outras —, já que todas têm a missão de buscar “um foco mais claro, bem como disciplina mais rígida sobre custos e investimentos”.
Essa necessidade de resultado já aparece no caso da Porsche, já que a empresa declarou recentemente que vai concentrar menos esforços em volume e mais em esportivos e superesportivos caros. Isso ocorre após vendas fracas no mundo, lançamentos de elétricos que não emplacaram e não empolgaram, problemas econômicos como as tarifas e impostos citados, além do cenário econômico atual ruim, e uma base de clientes envelhecida.
Como isso vai afetar a Ducati, porém, ainda não está claro. Mas, com base nessa declaração, vai afetar, já que o porta-voz da Volkswagen afirma que “todo o Grupo tem de se tornar significativamente mais competitivo”. A questão então passa a ser: “Quem compraria a Ducati?” se a marca não conseguir controlar seus gastos e aumentar sua competitividade a ponto de satisfazer os executivos da Volkswagen?
A Ducati teve uma pequena queda de vendas e de receita em 2025, assim como o restante da indústria. Mas o nome da marca é conhecido no mundo todo. Ela tem um prestígio que rivaliza com a maioria, compete na MotoGP (e vence) e segue como uma grande força no universo das motocicletas. A Ducati não vai sair barata.
Por enquanto, no entanto, a Ducati segue dentro da Volkswagen e continua com algumas das melhores motos do mercado. Então resta esperar para ver o que acontecerá com a famosa fabricante de Borgo Panigale.
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