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Após 28 anos, fábrica do Corolla deixa legado de cinco gerações e da Fielder

Planta foi pioneira na fabricação de carros da marca e dará lugar ao complexo de Sorocaba (SP), onde são feitos os SUVs da marca

Comparativo: BYD King vs. Honda Civic vs. Nissan Sentra vs. Toyota Corolla
Foto de: Mario Villaescusa / Motor1.com

Investindo cada vez mais em suas operações na cidade de Sorocaba (SP), a Toyota do Brasil anunciou que desativará de vez sua planta em Indaiatuba, em atividade desde 1998. O complexo foi a primeira investida da japonesa na fabricação de carros de passeio por aqui e foi importante para que o Corolla caísse de vez no gosto do público local.

Até então, a operação de carros da marca no país era restrita aos importados vindos desde o início dos anos 90, caso do próprio sedã médio e do Camry, bem como suas respectivas versões peruas. Era um momento em que a marca ainda avaliava o que o consumidor local buscava e estava disposto a comprar. No fim, o escolhido para ser feito aqui acabou sendo o Corolla, e apenas em sua versão sedã.

Salão de 1992 - O Corolla chega ao Brasil como importado

Salão de 1992 - O Corolla chega ao Brasil como importado

Foto de: Divulgação

Sedã feito aqui quase foi 'patinho-feio'

Inegavelmente um sucesso desde que começou a ser feito aqui, a história do principal carro da Toyota no país poderia ter sido bem diferente. A marca japonesa estudou durante muito tempo o que faria, como faria e quando faria seus produtos por aqui, seguindo o pragmatismo típico japonês.

Assim, em 1995, saía a notícia de que seriam investidos US$ 150 milhões - em números da época - para a produção do Corolla em Indaiatuba, com previsão de início para o terceiro semestre de 1998. Dito e feito.

O estranho Corolla 97 europeu, que quase foi nacional

O estranho Corolla 97 europeu, que quase foi nacional

Foto de: Toyota

Durante mais de quarenta anos, a marca fez no país o utilitário Bandeirante, nossa versão do Land Cruiser FJ-251, e desde meados dos anos 1970 já sonhava em fazer também sua família de carros "econômicos" - a linha Corolla - para disputar com Ford Corcel e VW Fusca. Entraves na burocracia local, no entanto, esfriaram os planos por mais duas décadas. Tendo isso em mente, a marca não podia errar em sua investida. Mas a escolha do carro que representaria essa nova fase quase complicou tudo.

Tal como acontece desde a década passada, a intenção da Toyota com o primeiro Corolla a ser feito aqui, naquele ano de 1998, era que o sedã contasse com o visual europeu, considerado mais esportivo e refinado do que o sóbrio norte-americano. A japonesa, no entanto, não contava com a rejeição do visual junto ao público.

Toyota do Brasil celebra 3 milhões de unidades produzidas no país

Corolla que acabou sendo feito aqui virou mescla do asiático e do europeu

Foto de: Toyota

Pouco antes, em 1997, a bem-sucedida sétima geração deu lugar ao modelo europeu, já idêntico ao carro que seria feito aqui. Rompendo com as linhas sóbrias - e por que não - elegantes do carro vendido até então, o modelo importado do Velho Continente apostou em linhas arredondadas por toda a carroceria, mas em especial nos seus faróis dianteiros, do tipo ovalados, que eram completados pela grade com o mesmo tema. Nem é preciso dizer que não agradou, haja vista ter durado menos de um ano nas lojas e ter derrubado as vendas do modelo como um todo.

Não se sabe exatamente como e nem de quem partiu a ideia, mas mudanças às pressas acabaram adaptando o carro que enfim chegou às linhas de montagem para o visual tailandês/japonês, que era um misto entre europeu - na traseira - e norte-americano - com faróis mais afilados e retilíneos -, e que aparentava ser até mais refinado do que o Corolla que substituiu.

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Foto de: Toyota

Corolla Brad Pitt e Fielder

Essa geração continuaria a ser feita, sem grandes alterações, até meados de 2002, quando foi substituída pelo carro que colocou o sedã como novo queridinho do mercado - e nunca mais saiu. O chamado Corolla Brad Pitt, graças a um comercial de lançamento feito com o ator hollywoodiano, em voga na época.

Toyota Fielder brasileira era exclusiva no mundo

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Foto de: Toyota

O sedã ficou maior, levemente mais esportivo e bem mais refinado, ganhando até a companhia de uma versão perua exclusiva do mercado nacional, a Fielder. Chegando em 2003, trazia uma mistura única para o mercado brasileiro: possuía a frente do Corolla americano, como o sedã, e a carroceria de station wagon só produzida em outros mercados com o visual do modelo europeu.

No fim de 2008, chegava a décima geração global e terceira fabricada no país, agora com design mais evolutivo e inspirado no irmão maior, o Camry. Mantendo a mesma plataforma do anterior, ele deixou a desejar na mecânica, que permaneceu com o ultrapassado câmbio de quatro marchas quando automático, e também pela ausência de itens de segurança que já se tornavam comuns à época na categoria, como controle de tração e estabilidade. Por pouco, aliás, o sedã não perdeu seu favoritismo para o "New" Civic, oitava geração do seu arquirrival feito pela Honda e vendido entre os anos de 2006 e 2011.

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Sucessor do Brad Pitt evoluiu pouco e quase perdeu liderança para o Honda New Civic 

Foto de: Toyota

Ainda assim, trazia equipamentos até então inéditos em um Toyota nacional, caso dos faróis de xenônio com lavadores, airbags laterais e de cortina, retrovisores rebatíveis e banco elétrico.

Em 2011, chegaria pela primeira vez o motor 2.0 flex de 153/142 cv, enquanto em 2012 chegaria com um discreto facelift, focado em novos para-choques, grades e lanterna traseira.

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Penúltima geração teve primazia de estrear câmbio CVT na linha 

Foto de: Toyota

Em 2015, a planta ganharia mais uma geração do Corolla, novamente inspirado nos modelos mais refinados vendidos na Ásia - tal como faz até hoje - e aposentando de vez o antigo câmbio automático de apenas quatro marchas, dando lugar a um CVT que logo seria figura onipresente no restante da linha. Foi a última vez que a marca ofereceu o sedã com opção de transmissão manual, de seis marchas.

O primeiro híbrido flex nacional

Por fim, na virada da década, chegaria o Corolla atual. Sua grande inovação, herdada do Prius, era oferecer um sistema híbrido pleno flex em um modelo feito aqui. O modelo recebeu poucas mudanças desde então, tendo tido apenas um leve facelift em meados de 2024 para 2025, quando passou a contar com mais tecnologia a bordo.

Desde então, a Toyota tem focado suas atenções em Sorocaba (SP), que ficou responsável pela produção da família Yaris hatch e sedã, em seus primeiros anos, e depois dos Corolla e Yaris Cross.

Futuro da marca será em Sorocaba

Negociando o fim da produção em Indaiatuba desde meados de 2024, a japonesa não planeja desistir do país no médio e longo prazo. Pelo contrário. Na verdade, o primeiro anúncio do fechamento da planta do Corolla foi feito junto de um investimento de R$ 11 bilhões que a montadora planeja injetar por aqui até 2030.

Como o complexo onde era feito o sedã já contava com três décadas, julgou-se que era mais prático - e talvez mais barato - produzir o modelo junto do restante da família do que em uma fábrica só dele. Em Sorocaba, lembramos, são feitos hoje os SUVs Corolla e Yaris Cross.

O que você pensa sobre isso?

Ainda que parte desse montante tenha ido para o Yaris Cross e agora para o anexo que fabricará o Corolla sedã, esse valor ainda dará origem a novos modelos e tecnologias, o que abre espaço para a nova picape rival da Fiat Toro que a marca planeja. Na época do comunicado original, em março de 2024, a marca citou a "produção de outro modelo com a mesma tecnologia, desenvolvido especialmente para o Brasil".

Corroboram isso também os vários ensaios para o lançamento de uma picape de passeio menor que a Hilux também no exterior, com a mostra do conceito EPU, em 2023 e 2024. O modelo foi visto em testes pelo interior de São Paulo já com carroceria final, o que indica um desenvolvimento avançado.

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