Gordon Murray T.50s Niki Lauda: após 5 anos, carro dará seu primeiro grito
Exemplar 001 será pilotado por seu criador no Festival de Velocidade de Goodwood
Em fevereiro de 2021, a Gordon Murray Automotive (GMA) anunciou seu T.50s Niki Lauda, um hipercarro em série especial de 25 unidades. Desde então, tudo o que se viu foram conceitos estáticos, renderizações em 3D e um protótipo de testes.
Agora, mais de cinco anos depois, a GMA finalmente apresenta o T.50s chassi 001, a primeiríssima unidade finalizada para um cliente. Sua estreia pública será durante o Festival de Velocidade de Goodwood 2026, de 9 a 12 de julho — não estático sobre um pedestal, mas gritando a 12.100 rpm na histórica pista do Lord March.
Galeria: GMA T.50 Niki Lauda
O carro que estará em Goodwood é branco e traz uma discreta decoração inspirada na bandeira da África do Sul, o país natal de Gordon Murray, incluindo uma faixa central no capô e detalhes coloridos na “barbatana de tubarão”.
Segundo o release, essa pintura homenageia a primeira vitória de um carro desenhado por Murray para a Fórmula 1: o Brabham BT44, que ganhou o GP da África do Sul de 1974. Ironicamente, o carro vencedor em Kyalami era pilotado pelo argentino Carlos Reutemann e não pelo austríaco Lauda (que fez a pole na mesma corrida, com a Ferrari 312B3).
Gordon Murray Automotive T.50
V12 Cosworth de 772 cv
O próprio Gordon Murray, hoje com 80 anos, pilotará o T.50s Niki Lauda de chassi número 1 na (pouco inclinada) subida de montanha de Goodwood.
Se o V12 Cosworth desenvolvido para o T.50 “comum” já é uma obra-prima, a versão criada para o T.50s Niki Lauda é de cair o queixo. Gordon Murray e a Cosworth não se limitaram a aumentar a potência recalibrando a central eletrônica. O motor foi profundamente modificado em suas entranhas, tornando-se mais leve, mais potente e com respostas ainda mais prontas.
A Cosworth reduziu o peso dos pistões, pôs comandos de válvulas com maior levante e adotou titânio em todas as 48 válvulas, garantindo confiabilidade e precisão mesmo em rotação máxima. O resultado foi uma redução de 16 kg, levando o peso total do motor para apenas 166 kg.
Os números ajudam a dimensionar o salto. No T.50 de rua, o V12 entrega “apenas” 663 cv a 11.500 rpm. No T.50s Niki Lauda, são 772 cv na mesma rotação. O ganho foi de 109 cv (16,4%).
Nada mal para um carro que pesa menos de 900 kg e dispensa qualquer forma de sobrealimentação. O motor é aspirado, mas, em altas velocidades, um sistema RAM montado no teto força o ar para dentro da admissão. Os cabeçotes foram completamente redesenhados, ganhando 12 corpos de borboleta individuais — um para cada cilindro.
Como não precisa atender às normas de emissões e ruído aplicadas aos veículos homologados para rua, o T.50s elimina catalisadores e silenciadores convencionais. Os gases de escape são conduzidos por um sistema de fluxo direto fabricado em Inconel e titânio, com paredes ultrafinas. Além de reduzir peso e liberar potência adicional, o conjunto produz um grito selvagem que remete aos carros de Grande Prêmio do início dos anos 1990.
Muito usado em motores de Fórmula 1, protótipos de Le Mans e turbinas aeronáuticas, o Inconel é uma superliga à base de níquel desenvolvida para resistir a temperaturas extremamente elevadas, nas quais o aço comum pode se deformar. Além de aumentar a resistência térmica e reduzir massa, o material contribui para a sonoridade aguda característica do V12.Que urro deve ser!
Gordon Murray Automotive T.50
Transmissão sempre alerta
A potência é transmitida às rodas traseiras por meio de uma caixa Xtrac IGS, uma transmissão sequencial de seis velocidades acionada por borboletas atrás do volante. O sistema permite pré-selecionar a próxima marcha antes de desacoplar a anterior. O resultado são trocas extremamente rápidas e praticamente contínuas, sem o peso e a complexidade típicos de uma transmissão de dupla embreagem.
Assim como no T.50 de rua, a transmissão é montada na transversal, mantendo um conjunto compacto, concentrando a massa em posição mais baixa e próxima ao centro do carro, além de reduzir o balanço traseiro.
Tanto a embreagem quanto as trocas de marcha são controladas eletronicamente, sendo operadas por meio de borboletas de fibra de carbono fixadas na coluna de direção. As relações-padrão permitem ao carro alcançar a máxima de aproximadamente 335 km/h, mas também há uma opção para circuitos mais travados, com relações bem mais curtas e máxima de “modestos” 275 km/h.
O piloto permanece sentado na posição central, característica marcante do projeto. Afinal, o T.50 é o sucessor espiritual do McLaren F1 (1992–1998), lendário hipercarro desenhado por Murray.
Já o conjunto aerodinâmico ajustável é capaz de gerar até 1.200 kg de downforce. A asa traseira é derivada diretamente da que era usada no Brabham BT52 projetado por Murray e pilotado por Nelson Piquet na temporada de 1983.
Gostou? Pena que a produção será limitada a apenas 25 unidades — e todas já foram vendidas por preços a partir de £ 3,1 milhões cada (o equivalente a R$ 21 milhões).
Gordon Murray S1 LM
Outras novidades da GMA
A Gordon Murray levará outros três modelos ao Festival de Velocidade de Goodwood. O evento marcará a estreia europeia do ultraexclusivo S1 LM. Os visitantes também poderão acompanhar a subida de montanha do protótipo de competição Le Mans GTR XP1, que antecipa uma série limitada de 24 exemplares de produção. Completando a exposição estará o protótipo de validação T.33 Spider VP12.
Segundo Gordon Murray, presidente executivo da empresa, os projetos T.33 e T.33 Spider avançam rapidamente em seu desenvolvimento. O executivo também revelou que a fabricante trabalha em uma linha ainda mais especializada de veículos, “destinada a explorar os limites da filosofia de design e engenharia da marca”. Resta saber em quanto tempo todos esses projetos se tornarão realidade.
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