A aliança entre Nissan, Honda e Mitsubishi ainda pode acontecer
Após o fracasso da mega-fusão, as três montadoras buscam sinergias em veículos elétricos e software automotivo
Depois do espetacular naufrágio da mega-fusão anunciada em 2024, Nissan, Honda e Mitsubishi seguem discutindo parcerias, em busca de pontos em comum para enfrentar os desafios do mercado global. É o que informa a Automotive News Europe, destacando que, apesar de avanços em colaborações pontuais, ainda há poucos projetos concretos.
As três empresas, embora permaneçam entre os principais fabricantes japoneses, também encaram problemas semelhantes aos que impediram a fusão: sobreposição de mercados-chave, de portfólios de produtos e de plantas industriais.
Galeria: Honda Prelude 2026
Parcerias ainda à espera de projetos concretos
A Nissan, comandada pelo CEO Ivan Espinosa, já começou a colaborar com a Mitsubishi ao fornecer uma versão do seu elétrico Leaf e ao avaliar, em conjunto, o desenvolvimento de um SUV para o mercado norte-americano. Ao mesmo tempo, a marca japonesa passou a vender nos Estados Unidos o Outlander híbrido plug-in da Mitsubishi com o nome Rogue, preenchendo uma lacuna na própria linha de híbridos.
A Honda, segunda montadora japonesa em volume, por sua vez, afirma que ainda não existem planos concretos. Segundo o vice-presidente executivo Noriya Kaihara, as conversas envolvem fornecimento complementar de modelos e o desenvolvimento de sistemas de software para veículos, mas “ambos avançamos individualmente e ainda não é o momento de tirar conclusões”.
Prioridades internas antes de novas alianças
Apesar da urgência de consolidar recursos e competências, Nissan e Honda decidiram adiar qualquer projeto de integração total para focar a própria estabilidade financeira. A Honda anunciou uma revisão da estratégia automotiva, devido às perdas acumuladas com investimentos antecipados em veículos elétricos, de 267 bilhões de ienes (cerca de 1,8 bilhão de euros) nos primeiros nove meses do ano fiscal. Já a Nissan projeta um segundo ano consecutivo de prejuízo líquido acima de 4 bilhões de dólares, com o fechamento de sete fábricas e a redução de 20 mil postos de trabalho.
Espinosa ressalta como é fundamental ter um plano autossuficiente: “Depender de outros não significa necessariamente planejar o sucesso. Precisamos ter algo em que possamos contar por conta própria”. Nesse contexto, a ideia de uma colaboração a três continua viva, embora seu futuro dependa da evolução do mercado norte-americano e da capacidade de cada empresa de fortalecer sua estrutura interna.
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