Jeep mata Grand Cherokee e Compass 4xe para focar em híbridos nacionais
Preço alto dificultou vida de versões PHEV no país; meta agora está nos híbridos leves
Menos de um mês após sair de linha nos EUA, a Jeep do Brasil também não oferece mais o Grand Cherokee 4xe no país. Desde 2024, o SUV era o carro mais caro da marca oferecido por aqui, com preço de R$ 549.990, sempre vendido em versão única.
O Grand Cherokee, para quem se lembra, foi o responsável pela aura de marca premium que a Jeep só tem no Brasil. Na década de 1990, no auge dos modelos importados, ficou conhecido por ser figurinha carimbada entre boleiros, ricos e celebridades no país na geração ZJ, lançada em 1993.
Na sua geração atual, que abandonou os antigos motores 6 cilindros em linha e V8, a Jeep apostou em um 2.0 turbo a gasolina associado a um propulsor elétrico no eixo traseiro. A potência combinada é de 380 cv e o torque de 64,9 kgfm. Nas baterias, possui 17 kWh de capacidade, entregando 29 km de autonomia no modo EV.
Tal como ocorreu com o Compass 4xe, o SUV acabou chegando caro demais em um modelo que a concorrência - em especial chinesa - trazia modelos elétricos, híbridos e plug-ins (PHEVs) com preços bem mais generosos do que o de marcas tradicionais. O preço (de R$ 350 mil, quando foi lançado em meados de 2022) que podia custar o dobro de versões de entrada do SUV médio, acabou afastando os consumidores.
Nos EUA, foco será em híbridos e EREVs
Além do Grand Cherokee, o grupo Stellantis - responsável por Fiat, Jeep, Ram e outros - fez uma boa limpa em seus modelos do tipo PHEV no fim do ano passado. Segundo o site The Drive, foram encerradas as linhas de produção da minivan Chrysler Pacifica, do Wrangler e do já citado Grand Cherokee.
A ideia do grupo, segundo porta-voz, é que as marcas ''se concentrem em soluções elétricas mais competitivas, o que inclui híbridos plenos (HEV) e os com autonomia estendida (EREVs), que atendem melhor às necessidades dos clientes.''
Aposta em híbridos plenos começa com Cherokee
Apesar do fim dos modelos, o grupo Stellantis vai apostar em outros modelos híbridos menos complexos, caso do novo Cherokee. O SUV grande, que foi mostrado durante o Salão Internacional do Automóvel de São Paulo do ano passado, ocupará esse papel.
Ele combina um motor turbo de 1,6 litro de quatro cilindros com uma transmissão continuamente variável e dois elétricos. O sistema elétrico, por sua vez, é alimentado por uma pequena bateria de 1,08 kWh que é recarregada pelo motor a combustão e pela frenagem regenerativa.
O sistema produz 213 cv cavalos de potência e 31,8 kgfm de torque. A Jeep afirma que o Cherokee oferecerá mais de 800 km de alcance, podendo ainda entregar um consumo 15,7 km/l em uso combinado entre cidade e estrada. A Jeep declara que este o SUV acelerará de 0 a 96 km/h (0 a 60 mi/h) em 8,3 segundos.
Com o fim do irmão maior, não seria surpresa se a Jeep passasse a importar o Cherokee HEV para ser seu novo topo de linha por aqui também. A mostra durante o Salão do Automóvel do ano passado já pode ter sido um esquenta para analisar o interesse do público.
No Brasil, Jeep vai apostar em híbridos leves
Atualmente sem nenhum Jeep eletrificado no país, a marca já planeja expandir sua linha para os modelos nacionais vendidos hoje. Entretanto, a aposta será um pouco diferente, já que cobrirá, ao menos inicialmente, apenas os modelos do tipo leve.
Eles serão um pouco mais sofisticados do que o de 12v disponível hoje na Fiat e na Peugeot, mas não terão capacidade de tracionar o carro. Esse sistema deve estrear com a reestilização do Jeep Renegade, já visto em testes. Em um segundo momento, deve aparecer também nos irmãos maiores Compass e Commander com propulsor 1.3 T270.
O único Jeep que deverá contar com o mesmo sistema de 12v presente hoje em Pulse e Fastback deverá ser o Avenger, feito na base CMP, mesma de Peugeot 208 e linha C3, compartilhando ainda a motorização 1.0 T200.
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