Que fim levou o Corsa? Revolucionário no Brasil, agora é primo do 208
Hatch compacto mudou segmento quando foi lançado no país, durante anos 90, e hoje é exclusividade do Velho Continente
Não parece, mas o pequeno Corsa, primeiro hatch compacto da Chevrolet no país, já tem mais de 30 anos de lançamento. Na época, o modelo nasceu com a missão de suceder o Chevette, que não contava mais com o mesmo fôlego de outrora, e também para concorrer no nascente segmento de populares, com motor 1.0.
Foi um sucesso, marcando época ao trazer design arredondado, bom acabamento, injeção eletrônica e outros itens que se destacavam em um segmento que ainda contava com concorrentes como Volkswagen Fusca, Ford Escort Hobby ou Lada Laika. Pense que, em 1994, o compacto havia chegado ao país apenas poucos meses após seu lançamento na Europa. Mas vale lembrar que o nosso primeiro Corsa já era a segunda geração do hatch europeu, que ficou conhecido como Corsa A.
O modelo agradou em cheio os consumidores, que foram em peso a rede de concessionários. A procura foi tanta que, em março daquele ano, a Chevrolet se viu obrigada a ir à rede nacional para pedir aos consumidores que não pagassem ágio no lançamento. Em um comercial da época, o então vice-presidente da marca, André Beer, dirigia-se ao público com um apelo: "Não se precipite, ajude-nos a manter justo o preço do Corsa".
Com o passar dos anos, o Corsa B deu origem a uma família completa de derivados, incluindo esportivos (como o Corsa GSi e o cupê Tigra, que vinham importados da Europa), além de perua, picape, hatch de quatro portas e sedã, que teve longa vida em nosso mercado, sendo vendido também com o nome de Classic.
Corsa C brasileiro não tinha mesmo carisma do anterior
Corsa C não teve mesmo sucesso
Como se substitui um best-seller? No início dos anos 2000, a Chevrolet vivia um grande dilema, já que a família Corsa ainda vendia muito bem e sua concorrência não tinha sido atualizada de maneira radical a ponto de o modelo lançado em 1994 ficar obsoleto. Ainda assim, era necessário que a linha ganhasse novidades.
Nesse entrave, nasceu o Celta, que era basicamente o Corsa B vendido até então mas ainda mais simplificado para reduzir custos. Com a mudança, apenas a carroceria sedã teria sobrevida. Já para o lugar dos Corsa mais equipados, a marca apostaria na terceira geração global do modelo (Corsa C), lançada em 2000 na Europa, mas adaptada para o mercado nacional.
Corsa sedã C brasileiro
Chamado de Novo Corsa, o modelo tinha dianteira própria para o Brasil, mais próxima da vista no Astra da mesma época. As configurações de carroceria foram simplificadas, passando a contar apenas com hatch de cinco portas e sedã, como forma de posicioná-lo acima do Celta e do Classic.
Sob o capô, as opções também diminuíram. Se antes o Corsa podia ser equipado com 1.0 de 8V ou 16V ou motor 1.6 8V ou 16V, podendo ainda ser associado a um câmbio manual ou automático no caso do propulsor maior, a linha agora passaria a ter duas configurações bem distintas: a 1.0 de 8V, mesma do Celta, e a 1.8 8V, presente na minivan Meriva. Apenas em 2008 a linha ganharia a opção de um motor intermediário, com o 1.4 8V.
Versão sedã do Corsa B ganhou ''vida própria'', sendo oferecido com o nome de Classic até 2016
É inegável que o modelo não tinha o mesmo carisma da geração anterior, e a falta de atualizações - uma realidade para a maioria dos GM nacionais na década de 2000 - também não facilitaram sua vida. A crise do grupo General Motors nessa década, que quase a levou à falência, fez com que a Chevrolet reavaliasse sua tradição de adaptar modelos da Opel, subsidiária europeia da norte-americana, para passar a desenvolver carros próprios ou adaptações das marcas de baixo custo do conglomerado, como a Daewoo.
E, assim, a história do Corsa se encerraria no país em 2012. Por mais alguns anos, o grupo vendeu a versão reestilizada do Classic, adotando visual de seu equivalente chinês na época. Como o grupo vinha se separando gradualmente da Opel, isso se refletiu também no pequeno sedã, que foi perdendo cada vez mais sua identidade original até sair do mercado, em 2016.
Opel Corsa D
Lá fora, Corsa continua firme e forte
Se no Brasil o modelo deu espaço para produtos feitos aqui, em especial o Agile e o Onix, em outros mercados a história é bem diferente. Na Europa, o legado do modelo continua firme e forte, mas agora sem laços com a General Motors, dona da Chevrolet.
A quarta geração, lançada em 2006, por lá, apostou ainda mais forte na tendência do último modelo vendido por aqui, tendo teto alto, mesclando características de minivan com hatch. Curiosamente, sua plataforma era a mesma do Fiat Punto europeu, a Small Wide que conhecemos no Brasil através da linha Jeep (Renegade, Compass e Commander), além da Fiat Toro.
Corsa E era facelift extenso do D
Foi a geração com maior duração no Velho Continente, sendo vendida até o ano de 2014. A Opel e a Vauxhall apostaram bastante em configurações de motorização, tendo nada menos do que 11 opções de motores a gasolina e dois a diesel. Inclusive com versão esportiva, chamada de OPC.
Chegando em janeiro de 2015, a quinta geração do compacto não era exatamente um carro novo, sendo uma extensa reestilização do Corsa vendido até então. A grande aposta era no aumento de sistemas de conectividade, similares ao MyLink utilizado pela Chevrolet na época. Também começavam a surgir sistemas de assistência ao motorista, como frenagem autônoma de emergência.
Geração atual tem a mesma base do Peugeot 208
Com a oficialização do divórcio entre o grupo General Motors e Opel/Vauxhall em 2017, a marca de origem alemã acabou indo parar nas mãos da então PSA (Peugeot-Citroën Automobiles). Anos mais tarde, integrou-se à Stellantis com a fusão com a FCA (Fiat-Chrysler). Um dos primeiros desta nova fase foi justamente o Corsa.
Em sua sexta - e atual - geração, o modelo deixou de lado os motores, sistemas eletrônicos e qualquer resquício da era General Motors em favor do compartilhamento com outros produtos da Stellantis, em especial do Peugeot 208.
Opel Corsa F
Peugeot 208
É dele, por exemplo, a base CMP. Até mesmo a linha de cintura baixa, o recorte de portas, as dimensões, tudo remete ao primo francês. Na motorização não é diferente. As opções a gasolina dispõem do propulsor 1.2 Puretech (que também esteve presente por aqui nos C3 e 208), além de configurações elétricas, chamadas de e-Corsa.
Não se sabe, entretanto, qual será o futuro do modelo daqui para frente. Hoje, a Stellantis ainda debate para conseguir equilibrar as contas de suas 14 marcas, algo que pode levar ao corte de algumas no futuro, principalmente as que vendem produtos equivalentes, ou com poucas vendas.
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