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M1 Numbers: a importância do Brasil para as montadoras ocidentais

Especialista da JATO Dynamics analisa o Salão de São Paulo e alerta para o avanço chinês sobre marcas tradicionais no país

A importância do Brasil para as montadoras ocidentais
Foto de: Motor1 Italia

Os mercados globais estão mudando rapidamente, impulsionados por regulamentações mais rígidas, tensões comerciais e a ascensão das marcas chinesas. Nesse cenário, fabricantes tradicionais buscam novas fontes de crescimento em mercados emergentes, que vão do Sudeste Asiático à África, passando pelo Oriente Médio e pela América Latina.

O Brasil é um desses mercados. Como a maior economia da região, também é seu maior mercado automotivo. Felipe Munoz, especialista da JATO Dynamics e colunista do Motor1.com, aproveitou sua primeira visita ao país para conhecer o Salão do Automóvel de São Paulo, que retornou após um hiato de sete anos. A seguir, reunimos suas impressões sobre a indústria e sobre o que viu no evento.

A importância do Brasil para a Fiat 

O Brasil continua sendo o mercado mais estratégico da Fiat. No primeiro semestre de 2025, 41% de todas as vendas globais da marca ocorreram aqui, o que faz do país sua maior fonte de volume e também um termômetro do futuro da empresa. O relacionamento com o consumidor e a capacidade de traduzir rapidamente suas demandas ajudam a explicar essa posição dominante.

O desafio, porém, está na nova fase do mercado. Após anos de proteção tarifária dentro do Mercosul, o país se tornou extremamente atraente para fabricantes chineses, que compareceram em peso ao Salão.

Nove marcas da China exibiram seus produtos, num total de dezenove empresas presentes. O contraste ficou ainda maior pela ausência de Volkswagen, Chevrolet e Ford, três das antigas “quatro grandes”. Além delas, ficaram de fora as japonesas Nissan e Suzuki e todas as marcas premium tradicionais.

Qual o tamanho do mercado brasileiro no mundo?

Munoz destaca que a competição ficou mais dura e que o padrão chinês se repete: carros modernos, bem equipados, com design mais ousado e preços agressivos. Para contextualizar essa mudança, o especialista utiliza os dados abaixo, que comparam os principais mercados globais.

Top 10 de 2024 Novos veículos leves vendidos em 2024 Novos carros vendidos / 1.000 habitantes
China 23.845.423 16,8
Estados Unidos 16.091.566 46,6
Índia 4.921.363 3,4
Japão 4.376.983 35,4
Alemanha 3.092.354 36,6
Brasil 2.481.302 11,7
Reino Unido 2.305.690 33,3
Rússia 2.266.621 15,7
França 2.096.858 31,5
Canadá 1.856.355 46,7

Segundo o especialista, Fiat, Volkswagen, Chevrolet, Jeep e Renault são algumas das marcas mais expostas ao avanço chinês. A Fiat depende do Brasil para 41% de seu volume global. A Volkswagen tem no país 8% de suas vendas. A Chevrolet repete proporção semelhante. Jeep e Renault também são altamente dependentes, com 12% e 7,5% do volume mundial, respectivamente.

Munoz afirma que as marcas tradicionais precisarão se adaptar rapidamente à nova dinâmica. Ele cita movimentos recentes, como a ampliação da parceria Renault–Geely, a aposta da Stellantis na Leapmotor e o primeiro projeto da Volkswagen baseado na SAIC para mercados emergentes: a nova geração da Amarok. Ao mesmo tempo, destaca que o forte crescimento recente do Brasil é puxado justamente pelas chinesas, que enxergam o país como compensação para a guerra de preços dentro da própria China.

O que você pensa sobre isso?

No fim, o Salão de São Paulo evidenciou bem essa mudança. Pelo modo como têm gerido o mercado brasileiro até agora, é evidente que as marcas tradicionais terão de se adaptar à nova realidade. As montadoras chinesas chegam com produtos mais competitivos e atrativos e estão preparadas para disputar uma fatia significativa do mercado, mesmo que isso signifique desbancar grupos historicamente estabelecidos. Quantas delas conseguirão acompanhar esse ritmo? Só o tempo dirá.

O autor do artigo, Felipe Munoz, é Especialista na Indústria Automobilística da JATO Dynamics.

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