Análise: China já domina 38% das vendas globais de carros novos
País, que já foi piada no passado, hoje domina vendas em quase todos os continentes
Há vinte anos, a China era quase um figurante no setor automotivo. Os produtos tinham baixa qualidade, pouca presença fora da Ásia e nenhum peso real em decisões globais. Isso começou a mudar com força na última década, quando a eletrificação ganhou tração e o país passou a operar em um ritmo difícil de acompanhar.
Os números mais recentes do portal CarNewsChina mostram bem o tamanho dessa virada. Em outubro de 2025, a China respondeu por nada menos do que 38% de todas as vendas globais de automóveis, algo perto de 3,3 milhões de unidades. É um volume que influencia diretamente preços, margens e a estratégia das montadoras tradicionais.
Segundo a mídia chinesa, as vendas globais somaram 8,64 milhões de unidades no mês, alta de 4% na comparação anual. Dentro desse total, a China ampliou sua fatia em um ponto percentual e segue como o principal vetor de crescimento do setor. Entre janeiro e outubro, estudos locais apontam 79,25 milhões de carros vendidos no mundo, avanço de 6% sobre 2024. Só a China colocou 27,65 milhões nessa conta, com aumento de 12%. Veja, abaixo, a divisão nos principais mercados:
| País/Região | Vendas acumuladas (jan–out) | Participação aproximada |
| China | 27,65 milhões | 34,90% |
| Estados Unidos | 13,88 milhões | 17,50% |
| Índia | 4,56 milhões | 5,70% |
| Japão | 3,86 milhões | 4,80% |
| Alemanha | 2,61 milhões | 3,20% |
As marcas chinesas também continuam ganhando espaço. BYD, Geely e Chery já aparecem entre as dez maiores do mundo em 2025, refletindo o crescimento consistente do país enquanto parte das fabricantes internacionais avança com mais lentidão na transição para elétricos.
Alguns mercados importantes mostraram desaceleração ao longo do ano, como Rússia e México, enquanto a América do Sul manteve um ritmo mais estável, segundo análises regionais. No Brasil, o efeito da China é visível no aumento do número de importados, especialmente eletrificados, e nos modelos que já começaram a ser produzidos por aqui.
A CAAM informou que o mercado doméstico somou 3,322 milhões de unidades vendidas em outubro. Os veículos de novas energias atingiram 1,715 milhão, número que representa 51,6% das vendas internas e ajuda a explicar o ritmo de escala que o país alcançou.
Leapmotor C10 REEV
Chevrolet Spark EUV
Mesmo com a leve desaceleração da economia chinesa e com a enxurrada de novas marcas que disputam espaço no mercado local, os números alcançados pela indústria do país seguem grandes demais para que as fabricantes tradicionais deixem de correr atrás do prejuízo.
Alguns grupos, como a Stellantis, buscaram marcas chinesas para poder concorrer de igual para igual, caso da Leapmotor. Outras, como a Chevrolet, vão apostar em modelos de origem asiática produzidos por parceiras locais, mas usando a rede e a estrutura tradicionais que já possuem. Resta saber se essa ofensiva dos grupos históricos será suficiente para deter o avanço chinês.
Fonte: CarNewsChina
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